06 de fevereiro de 2021
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    Fernandinho Guarabu, um dos traficantes mais procurados do RJ, é morto pela polícia

    Imagem: guarabu1
    Fernandinho Guarabu estava no comando do tráfico da Ilha há 13 anos — Foto: Reprodução

    Um dos traficantes mais procurados do RJ foi morto na manhã desta quinta-feira (27). Policiais militares encontraram e mataram, durante um confronto, Fernando Gomes Freitas, o Fernandinho Guarabu, na favela que ele chefiava, o Morro do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio.

    Outros quatro suspeitos foram mortos no tiroteio, entre eles o braço direito de Guarabu, Gilberto Coelho de Oliveira, o Gil, e o ex-PM Antônio Eugênio, o Batoré. Morreram ainda os traficantes Piu e Logan. Com Guarabu, foram apreendidos um fuzil, quatro pistolas, granadas e drogas.

    Guarabu era procurado pela Justiça há mais de 15 anos. Era ainda o traficante que estava há mais tempo no comando de um morro no Rio. A recompensa oferecida pelo Disque Denúncia por informações que levassem à prisão do traficante era de R$ 30 mil – a maior do programa.

    Após a morte de Guarabu, homens dos batalhões de Operações Especiais e de Choque, além de policiais militares do Grupamento de Ações Táticas do 17º BPM (Ilha), faziam uma varredura na comunidade.

    Polícia tinha informações privilegiadas

    De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Fliess, os policiais tinham informações privilegiadas sobre uma reunião das lideranças do tráfico do Complexo do Dendê nesta quinta-feira (26).

    “Uma operação planejada e coordenada pelo coronel Sarmento, do Comando de Operações Especiais. Tínhamos informação privilegiada e foi feita a incursão, sempre com toda cautela para as pessoas que residem no local. Houve um confronto provocado pelos marginais que resistiram à prisão”.

    Segundo Fliess, a operação continua não só dentro da comunidade, mas com ações preventivas no entorno a fim de evitar que moradores sejam coagidos a praticar atos de vandalismo, como queimar ônibus.

    “Se isso acontecer, serão presos em nome da Lei. A Polícia Militar não vai admitir a perturbação da ordem”, diz o coronel.
    “Já são 252 fuzis apreendidos no Rio de Janeiro pela Polícia Militar só em 2019. Isso dá uma média de 1,5 fuzil apreendido por dia, armas de guerra que a Polícia Militar tira de circulação diariamente”, acrescentou.

    O coronel informou ainda que os agentes checam se houve morte de outras lideranças no tráfico da comunidade. “A alta hierarquia do tráfico local estava reunida e foram confrontados pelos policiais do Batalhão de Choque”, explica o porta-voz da corporação.

    Chefão tinha forte esquema de segurança

    A liberdade de Fernando Guarabu era garantida, segundo a polícia, com uma rede de olheiros e propinas distribuídas a policiais militares.

    Guarabu e Gil – o segundo na hierarquia da comunidade -, expandiram seus domínios em relação ao tráfico de drogas, até a Baía de Guanabara.

    Para se manter no poder, além da propina paga a PMs, Guarabu tinha olheiros espalhados pela Ilha do Governador, que tem apenas um ponto de entrada por terra: a Ponte do Galeão. Cauteloso, ele ainda colocava olheiros em lajes de residências em ruas ao redor do Dendê.

    Segundo a polícia, o traficante teria montado um “exército”, e havia, nos acessos à comunidade, bandidos que faziam a “contenção” de seus pontos de drogas.

    Guarabu possuía 14 mandados de prisão contra crimes como associação para a prática de tráfico ilícito de substância entorpecente, posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, homicídio qualificado mediante paga ou promessa de recompensa.

    O criminoso também lucrava com um esquema de exploração da circulação de vans e Kombis na localidade, que cobrava R$ 330 por motorista. O ex-PM Batoré era apontado como o gerente do esquema.

    O traficante estendeu seus negócios com venda de botijões de gás, TV a cabo clandestina e internet – práticas de quadrilhas de milicianos.

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