Imagem: SirleiAinda está viva em nossa memória a festa realizada na Praça 8 de Abril quando da escolha de Cuiabá como uma das sedes brasileiras da Copa do Mundo de 2014. O sonho de ver a capital mato-grossense transformada estava bem ali, ao nosso alcance, mas o tempo passou e infelizmente “o sonho virou pesadelo”.

Me lembro muito bem da gestão política feita para trazer a Copa para Cuiabá, seria uma oportunidade de mostrar para o mundo todo as belezas e riquezas mato-grossenses. Iniciativa pública e privada se uniram nessa luta por entender que seria o melhor para o Mato Grosso. A sensação de alegria era contagiante e estava no rosto de todos.

Pena foi ver o despreparo político dos gestores à época. Pessoas que se deslumbraram frente as facilidades dos financiamentos públicos e do “poder”, a começar pela criação da Agecopa, uma estrutura inchada e cheia de mordomias. Virou um grande cabide de emprego, com cargos comissionados altíssimos. Poder e vaidade impediram que as coisas acontecessem. Cada um queria aparecer mais que o outro, e o resultado não poderia ter sido diferente.

Já no início o modelo de gestão adotado demonstrou que não funcionaria e as obras iniciadas sem planejamento, transformaram Cuiabá e Várzea Grande em um grande e inacabado canteiro de obras. Para a população e comerciantes instalados nestes corredores ficaram inúmeros prejuízos.

A extinção da Agecopa e a criação da Secopa, aconteceu às pressas, em 30 de setembro de 2011, com a promessa de que o novo modelo garantiria que as obras aconteceriam no tempo necessário.

O VLT é o símbolo do descaso e do desperdício de recursos públicos. Recentemente recebeu o título de obra símbolo nacional de “obra fantasma”, um prejuízo que aumenta a cada dia. Num momento corrupção, em outro, incompetência e daí vem a inoperância e o VLT Cuiabá, segue indefinido. Para nós sobraram os vagões ao relento e muitas ruas a espera dos trilhos, que sabe lá se virão ou não.

Na última quinta, 06 de junho de 2019, por maioria de votos, o TJMT decidiu manter a rescisão unilateral do contrato firmado entre o Governo do Estado e o Consórcio VLT para a execução da obra.

O Governo já anunciou que decidirá o que fazer nos próximos 30 dias. Caberá a nós aguardarmos para saber qual será a decisão que definirá o futuro do VLT. Independentemente da decisão, já sabemos que essa obra entrará para a história do nosso Estado, símbolo de tudo que nos envergonha, pois reflete muito bem o modelo de gestores que elegemos. Pessoas despreparadas e descompromissadas com o cidadão, que não medem as consequências dos seus atos.

O caso Veículo Leve Sobre Trilhos – VLT de Cuiabá, por abranger um valor expressivo teve repercussão nacional, serviu como piada de alguns gestores em programas de humor, mas não é o único responsável pela situação que o nosso Estado passa atualmente.

Como servidora e gestora pública que sou e por conhecer muito bem essa máquina estatal, posso afirmar que enquanto perdurar esse modelo de gestão burocrático e de apadrinhamento de indicações políticas, as coisas não vão mudar, pois os desperdícios continuam acontecendo. Precisa ficar claro para todos nós que o descomprometimento em cuidar da coisa pública produz um resultado tão maléfico quanto a corrupção.

A falta de ação funciona como uma torneira que fica pingando indefinidamente. Uma torneira aqui e outra ali, e de gota em gotas, podemos em alguns anos ter um prejuízo tão grande quanto o do VLT. Pequenas coisas que acabam não sendo percebidas pelos nossos gestores, que em alguns casos, vivem ilhados em seus gabinetes, pessoas que imaginam ter uma importância que não têm e seguem blindados.

E por falar em poder e empoderados, quem passa pela avenida Historiador Rubens de Mendonça com certeza tem saudade do jardim que separava as pistas, destruído para a passagem do VLT e que agora parece estar sendo reconstruído. Mais dinheiro nosso jogado no ralo? O tempo dirá!

O certo é que depois do corrupto Silval e do isolado Taques, não iremos aguentar mais um fracasso. A torcida agora é para que o governador Mauro Mendes comece o quanto antes as mudanças no sistema de gestão que aí está. O futuro de nosso Estado pode depender disso.

*Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: [email protected] Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

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