Mais de 15% da população de mulheres do mundo tem obesidade. Esta doença crônica atinge 600 milhões de pessoas globalmente, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e pode acarretar outras complicações, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. No Brasil, 1 em cada 4 mulheres acima dos 20 anos tem obesidade, tipo 001.

A cidade brasileira com maior incidência de obesidade em mulheres com mais de 18 anos é Manaus, capital do Amazonas, alcançando 24,1%, segundo dados do Vigitel, estudo sobre fatores de risco e proteção para doenças crônicas do Ministério da Saúde. Na segunda posição está Recife, capital do Pernambuco, com 21,1% das mulheres brasileiras com obesidade. Logo após, está Cuiabá, Mato Grosso, com índice de 20,9%.

Considerando ambos os sexos e o conjunto das 27 capitais do Brasil, a frequência da obesidade foi menor nos adultos com até 34 anos de idade. A pesquisa apontou ainda que, entre as mulheres, a frequência de obesidade diminui de forma acentuada com o aumento da escolaridade: 25,5% das mulheres com até oito anos de período escolar têm obesidade enquanto apenas 12,8% delas têm a doença com 12 anos ou mais de escolaridade.

De acordo com o Dr. Marcelo Maia, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Mato Grosso (SBEM-MT), os dados do estudo refletem a realidade da região de Cuiabá. “Vivenciamos no dia a dia o cenário contextualizado pelos resultados do Vigitel. Os números são alarmantes e a população ainda é muito carente de conhecimento sobre a obesidade para quebrar os estigmas da doença. As pessoas precisam saber que existe tratamento para a obesidade e que devem ter acompanhamento constante de um médico, como qualquer outra doença”, explica.

A obesidade está, ainda, associada a mais de 195 complicações de saúde. No caso das mulheres, a doença ainda pode ser fator de risco para o desenvolvimento de infertilidade e complicações na gravidez, além de depressão, osteoartrite, complicações urogenitais, gastrointestinais e respiratórias. Segundo Rocio Coletta, endocrinologista e gerente médica da empresa global de saúde Novo Nordisk, mulheres com obesidade têm mais chances de ter filhos com a mesma doença. “Crianças filhas de mulheres com obesidade têm maior risco de desenvolver esta e outras doenças crônicas, ou seja, além de se preocuparem com a própria saúde, elas precisam prevenir que seus filhos a desenvolvam”, afirma.

O crescimento da obesidade no mundo é claro e alarmante, inclusive entre as meninas. Atualmente, são 50 milhões – 6% da população mundial – de meninas entre 15 e 19 anos vivendo com obesidade, um aumento de nove vezes na prevalência da doença desde 1975, quando 0,7% de meninas tinham obesidade1. Na infância e adolescência, as meninas com obesidade correm alto risco de desenvolver diabetes tipo 2, síndrome metabólica, síndrome do ovário policístico, alterações no nível de colesterol, triglicerídeos, gordura no fígado e complicações ortopédicas. Nessa fase, a doença também impacta fortemente o bem-estar social e emocional.

 

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