Apesar da taxa estar diminuindo lentamente, a disparidade salarial ainda é realidade no Brasil. De acordo com o IBGE, em 2017 as mulheres receberem o equivalente a 60% dos salários dos homens. A discrepância é ainda maior no universo do futebol, já que enquanto os salários dos jogadores do São Paulo chegam aos R$ 10 milhões, os gastos com os times femininos ainda não batem os R$ 100 mil. A diferença é 100 vezes maior, o que faz as estrelas que jogaram recentemente na Copa do Mundo de Futebol Feminino, ganharem o equivalente aos jogadores da Série C masculina.

No entanto, esta disparidade não existe apenas no Brasil, como afirma Cristiane – do São Paulo: “Essa diferença salarial é um absurdo. Pior é que não sei se a gente vai conseguir igualar isso algum dia. Lá fora, a situação é a mesma. Dificilmente, você encontra uma atleta que ganhe 15 mil euros ou uns R$ 60 mil”.

Quando questionado, Marco Aurélio Cunha – coordenador das seleções femininas da CBF, disse que não podemos comparar um universo ao outro: “São unidades de negócio diferentes. Um é consolidado e lucrativo no País; o outro está em formação e ainda precisa de investimentos. Eles podem ser iguais financeiramente?”.

De fato, o modelo de negócio precisa ser repensado. A falta de profissionalização no setor, no entanto, é consequência do preconceito ainda presente em nossa sociedade. Se o presidente Getúlio Vargas assinou um decreto (de 1941 até 1979), proibindo mulheres de jogarem futebol, 40 anos depois elas ainda lutam para conquistar seu lugar ao sol. A diferença salarial irá continuar, se a mentalidade das pessoas permanecer a mesma.

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