Imagem: Valtenir Pereira
Ex-deputado federal Valtenir Pereira -Foto: reprodução/Facebook

A Polícia Federal (PF) terá que remarcar uma nova data para interrogar o ex-deputado federal Valtenir Pereira (MDB) porque ele não compareceu à superintendência da PF em Cuiabá, na tarde desta quinta-feira (22) para ser ouvido nas investigações da Operação Tapiraguaia que investiga um esquema de desvio de R$ 601 mil de recursos públicos federais e pagamento de propinas nas prefeituras de Confresa e Serra Nova Dourada, ambas em Mato Grosso.

Valtenir foi alvo de busca e apreensão e teve documentos e mídias digitais apreendidos em sua residência pela manhã. Seu interrogatório estava previsto para às 15h. Porém, ele não compareceu à delegacia. Conforme informações da própria Polícia Federal, o ex-deputado está em Brasília. A princípio, ele pegaria um voo para Cuiabá e seria ouvido no decorrer da tarde, mas não embarcou rumo a Cuiabá. O depoimento foi remarcado, mas por enquanto, a PF não informou a nova data.

Atualmente Valtenir Pereira é suplente de deputado federal, pois os votos recebidos nas urnas no pleito de 2018 não foram suficientes para lhe garantir mais um mandato. Contra ele pesa a acusação de integrar um esquema de recebimento de propina por intermédio de assessores que foram usados “laranjas” para blindá-lo. Valtenir divulgou uma nota afirmando que ficou surpreso e que sua relação com as prefeituras era apenas “institucional”.

De acordo com a PF, os desvios foram praticados entre 2014 a 2016, quando Valtenir ainda era deputado federal e teria montado um esquema criminoso em conluio com empresários e prefeitos de Confresa e Serra Nova Dourada. Segundo a PF, cerca de R$ 601 mil teriam sido utilizados para pagamentos de propina.

Desse total, foram R$ 413 mil em propina pago pela Prefeitura de Confresa aos agentes públicos envolvidos e outros R$ 187 mil prevenientes da Prefeitura Serra Nova Dourada. Os valores desviados eram provenientes de recursos federais liberados Ministério da Infraestrutura aos Municípios.

Os prefeitos beneficiados com os recursos federais realizavam licitações repletas de irregularidades combinando previamente com os empresários contratados para a execução das obras. A Polícia Federal afirma que os políticos exigiam propinas a essas pessoas, na medida em que fossem realizados os pagamentos.

Conforme a PF, os valores utilizados nas propinas provinham na maioria das vezes de medições fraudulentas, como atestados de serviços não realizados ou realizados a menor. Os montantes eram repassados aos gestores municipais e ao ex-deputado Valtenir Pereira, por meio de depósitos e transferências em contas de terceiros.

Na 2ª fase da Operação Tapiraguaia foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e sete medidas cautelares contra investigados num esquema de desvio de recursos públicos federais e pagamento de propinas. Dentre os presos estão Marcelo Luiz Faustino que era assessor de Valtenir Pereira e o ex-prefeito de Confresa, Gaspar Lazzari (PSD).

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