O tempo seco e as altas temperaturas que tomaram conta do Brasil nos últimos dias, além de incomodarem fisicamente, também podem causar alguns problemas de saúde, principalmente nas vias aéreas.

Epistaxe é o nome dado ao sangramento nasal que pode ser desencadeado pelo clima seco, temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar. Esses fatores podem favorecer o ressecamento da mucosa nasal e, consequentemente, causar a ruptura dos vasos sanguíneos. Segundo o otorrinolaringologista Eduardo Dolci, da Santa Casa de São Paulo, esta é uma situação muito comum, que chega a acometer mais de 60% da população em algum momento da vida

O pneumologista Elie Siss, do hospital Oswaldo Cruz, afirma que, no calor, as pessoas perdem mais líquido, tanto pela transpiração quanto pela respiração, o que pode resultar em desidratação. Com o ar seco o quadro fica pior.

“A umidade relativa do ar abaixo de 30% causa irritação nas vias aéreas, olho seco, nariz seco, brônquio seco. O aparelho respiritório inflama e, com a inflamação, pode aparecer tosse, bronquioespasmo, bronquite”, explica. “Pessoas que têm asma correm mais riscos, pois podem ter crises. As pessoas se esquecem que a asma tem óbitos no brasil, cerca de 3 a 5 mortes por dia”.

O otorrinolaringologista Fausto Nakandakari, do Hospital Sírio Libanês, ainda ressalta sintomas como irritação (vermelhidão e coceira) nos olhos, garganta e nariz, além de sangramento nasal, e chama a atenção para um outro problema: a poluição do ar. “Principalmente nas grandes cidades. Com a poluição, a gente tem um aumento das doenças respiratórias agudas, tais como as doenças infecciosas e alérgicas”, afirma.

Como se cuidar?

Dicas como manter uma bacia de água no quarto, utilizar umidificador de ar e beber muita água, por exemplo, realmente funcionam. Mas há outras medidas que podem ajudar. “Aplicar soro fisiológico no nariz e nos olhos e manter sempre a pele hidratada são cuidados importantes, bem como evitar praticar exercícios físicos nos horários mais quentes”, diz o pneumologista.

O otorrino Nakandakari afirma que medicamentos, como corticoides nasais e orais, também podem ser utilizados. “Porém, é imprescindível a avaliação de um especialista antes”, alerta.

Quando é a hora de procurar um médico?

“A partir do momento em que o paciente tem tosse, chiado, falta de ar, tontura, mal estar e sangramento nasal tem de procurar um pronto socorro”, diz dr. Elie Siss.

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