Imagem: Camara de Cuiabá plenário e galeria
Servidores efetivos ocuparam galerias durante votação de projeto que reajustou auxílio-alimentação – Foto: assessoria

A aprovação de um projeto de resolução em regime de urgência para conceder reajuste de R$ 300 no auxílio-alimentação dos servidores efetivos da Câmara Municipal de Cuiabá gerou polêmica na sessão desta terça-feira (24). Houve troca de acusações e discursos inflamados de alguns parlamentares que enquadraram o vereador Abílio Júnior, o Abilinho (PSC), após ele denunciar na tribuna a existência de “servidores fantasmas” e acusar do presidente Misael Galvão (PSB) de fazer uma “manobra” e cometer uma “pedalada fiscal” para garantir “privilégios” a um grupo específico de servidores, para se beneficiar politicamente.

Ao final, depois de vários discursos, a maioria em defesa do projeto, a mensagem foi aprovada. Com isso, o benefício que era de R$ 800 passou para R$ 1,1 mil e contempla apenas os servidores concursados que atuam no Legislativo Municipal, 88 funcionários, no total.

Imagem: Abilinho
Vereador Abílio Júnior – Foto: assessoria

Da tribuna, Abilinho pediu aos demais parlamentares para que votassem contra o projeto. Segundo ele, “a população cuiabana não quer que o presidente do Legislativo Municipal faça aumento privilegiado para determinado segmento da Câmara com clara intenção de adquirir apoio político dentro dessa Casa de Leis para poder fazer uma manobra política, burlando a Lei de Responsabilidade Fiscal para reajustar salário de servidor que já tem um salário razoável”.

Foi além e disse que gostaria que a Câmara Municipal de Cuiabá fizesse uma reunião com os 400 servidores que diz ter na Casa. ” Nunca vi. Se colocar 400 servidores aqui nessa Câmara vai ser engraçado, a gente vai conhecer um monte de gente que nunca viu na vida. Servidor efetivo que está em outro lugar, emprestado, que não vem trabalhar”, denunciou Abilinho.

“Além de não existir presencialmente os 400 servidores dentro da Câmara Municipal de Cuiabá, existe um privilégio a poucos, quem aqui trabalha sem ser concursado não tem direito à sua alimentação. Quem é concursado já ganha R$ 800 de auxílio-alimentação e o presidente Misael Galvão, não sei qual é o interesse, apresenta uma pedalada fiscal, burlando a lei de responsabilidade fiscal pra dar aumento salarial para servidor, de R$ 800 para R$ 1,1 mil, aumento de R$ 300”, disparou.

Imagem: vereador Mário Nadaf
Vereador Mário Nadaf – Foto: assessoria

Conforme Abilinho, o projeto é legal e lei permite o pagamento do auxílio, mas alega que não há justificativa para aprovar o reajuste. “Ainda pra dar continuidade nesse assunto, algo mais preocupa. A associação de servidores da Câmara Municipal é usada como laranja pra realizar eventos que a Câmara não tem competência pra fazer”, denunciou ao ser foi interrompido pelo presidente Misael Galvão. “Vossa excelência está desviando o assunto. Eu quero passar para o próximo e encerrar o debate do vereador Abílio”, se impôs Misael chamando o próximo parlamentar para utilizar a tribuna.

Outro vereador que criticou a aprovação em regime de urgência foi Diego Guimarães (PP). Para ele, é preciso conceder o reajuste salarial, investir no plano de cargos e carreiras para a valorização efetiva dos servidores da Casa impedindo que servidores comissionados ocupem cargos de chefia para valorizar quem estudou e passou num concurso público. Apesar do discurso, votou a favor do projeto. Ao PORTAL AGORA MATO GROSSO, Diego Guimarães justificou que votou pela aprovação para não penalizar ainda mais os servidores que lotaram as galerias pedindo que o projeto fosse aprovado.

Por sua vez, Mário Nadaf (PV) defendeu o projeto afirmando que todas ações para valorizar o Poder Legislativo Municipal também valorizam os servidores. “Me sinto muito à vontade de votar favoravelmente à majoração do vale-alimentação.  É um pouquinho de saúde no orçamento desses servidores. Se a gente pode fazer isso, por que não fazê-lo”, pontuou Nadaf ressaltando que toda ação dentro da legalidade e do duodécimo da Casa terá sempre seu apoio.

Imagem: Misael Galvão
Misael Galvão, presidente da Câmara de Cuiabá – Foto: assessoria

Diante da situação, o presidente Misael Galvão argumentou que sua gestão é muito produtiva e talvez gera mal-estar para quem não quer o crescimento da Câmara de Cuiabá, o que segundo ele é uma parcela insignificante. “A grande maioria,  99,99 quer o crescimento desta Casa. Agora talvez não vou conseguir satisfazer aquelas pessoas, ou aqueles nobres pares que queiram que a Câmara continue sofrendo”, rebateu.

Sobre a denúncia de funcionários recebendo sem trabalhar ele afirmou que não procede. “Aqui nesta Casa de Leis tem 88 servidores efetivos que trabalham, que batem ponto e que levam e ajudam essa Casa a fazer um belo trabalho pra Cuiabá. Nesta Casa de Lei não existe ninguém ganhando sem trabalhar, todos trabalham com dignidade. Tenho orgulho em dizer que trabalho na Câmara Municipal de Cuiabá. Nós estamos tranquilo, temos toda legalidade do que estamos fazendo, esta Casa de Leis tem bons técnicos concursados e comissionados, tanto na Secretaria do RH quanto na Secretaria Financeira. Estou tranquilo”, disse o presidente.

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