Imagine você, que é pai ou mãe e tem um filho de 10 anos, uma criança perfeita e feliz. Certo dia, essa criança volta da escola diferente dos outros dias, seu semblante é de tristeza, fato que leva a mãe a se perguntar, o que esta acontecendo? Num primeiro momento, ele disse que havia ido mal na prova, mas a mãe percebeu que aquilo não era tudo, pois o menino estava muito triste e não precisou insistir muito, para ele lhe contar o ocorrido.

Disse, que um coleguinha da escola havia derrubado sem querer um pouco de suco no tênis dele.  Ao tirar o tênis, em razão de estar molhado, surgiu um grupo de coleguinhas que pegou o tênis e começou a jogar de um lado para o outro, dando início a famosa brincadeira “do bobinho” e ele correu para lá e para cá, tentando pegar o tênis.  A coisa não parou por aí, dentro da sala de aula, a brincadeira recomeçou, mas desta vez com a mochila dele.

Ao final do relato, chorando, ele desabafa: Mãe eu queria morrer, pois esse foi o pior dia da minha vida!

Essa história não é fictícia, aconteceu essa semana com o filho da Healthy Chef, Dani Faria Lima, que ao comentar o caso e também a orientação que deu ao filho em um stories no instagram, teve uma repercussão muito grande na mídia social.

A vontade de qualquer mãe ou pai nesse momento, seria de pegar o filho no colo e mima-lo, dizendo o quanto os outros meninos estavam errados, mas não foi isso que essa mãe fez.  Por eu entender a grandeza desse conselho, resolvi contar essa história nesse artigo, principalmente porque tenho entre meus leitores muitos pais e mães, que estão sujeitos a qualquer momento ter que lidar com uma situação semelhante.

Depois do desabafo emocionado da criança, a mãe perguntou carinhosamente ao filho, se existe jogo de futebol sem bola? Ele disse que não, mas perguntou para a mãe, o que aquilo tinha haver com o que havia contado? Aí veio a segunda pergunta feita pela mãe. Existe jogo de bobinho, sem o bobo? O menino novamente disse que não, mas ressaltou que o grupo de meninos estava errado. A mãe concordou com o filho, mas disse para ele, que embora os coleguinhas estivessem errados, a brincadeira só ocorreu porque ele ficou correndo atrás do tênis. Que ele não tem o poder de controlar a ação dos outros, mas que tem o poder de mudar a atitude dele mesmo. Dessa forma, se ele tivesse ignorado a brincadeira e também os coleguinhas, poderia até ter perdido o tênis, mas a brincadeira de mal gosto não teria existido, tampouco teria machucado o seu coração. Um tênis é fácil de repor, disse a mãe, mas um coração ferido é muito mais difícil de curar.

Situações como essa, acontecem diariamente com uma frequência muito maior do que imaginamos, principalmente porque as crianças não têm maturidade para saber o limite de uma brincadeira ou quando a diversão deu lugar a humilhação e a maldade?

O fato de uma criança praticar o bullying hoje, não significa que não tenha sofrido ontem ou que não vá sofrer amanhã. O certo é que estamos todos no mesmo barco e o que nossas crianças precisam é de orientação dentro de casa e na escola para aprender limites, desenvolver a inteligência emocional ao ponto de compreender que uma brincadeira “idiota” pode gerar diversas consequências para quem sofre. Que hoje pode ser com o coleguinha, mas amanhã poderá acontecer o mesmo com ela.

Da mesma forma, que a Chef Dani orientou o filho dela, fazendo com que ele enxergasse a situação por outro ângulo, evitando desta forma, que aquela criança leve traumas para a vida adulta, que pode resultar em doenças como a depressão e a síndrome do pânico, os pais das crianças que praticam o bullying, também devem faze-lo.

É importante que os pais conheçam e observem o comportamento dos filhos para evitar que situações como essas se replicam, pois, poderão trazer muitas sequelas para a vida das crianças.

É muito difícil para um pai ou para uma mãe receber a notícia de que o seu filho tenha sofrido ou praticado o bullying com alguma pessoa, mas é necessário enfrentar a situação e a melhor forma de faze-lo é com diálogo.

Pode até parecer algo inocente, uma brincadeira ou algo que não tem nada a ver, mas o certo é que ninguém sabe ao certo os danos que uma coisa aparentemente normal pode provocar. Precisamos ensinar nossos pequenos o verdadeiro significado da empatia, enquanto teimarmos em não nos colocarmos no lugar do outro, historias como a que viveu esta mãe irão se repetir.

Hoje foi a chef Dani, mas amanhã poderá ser um de nós. Empatia já, sem ela estamos fadados a falirmos enquanto raça, é isso que você quer?

Sirlei Theis é advogada, especialista em gestão pública, palestrante e treinadora comportamental e escreve com exclusividade para esta coluna às segundas. E-mail: [email protected] Instagram: @sirleitheis. Facebook: sirleitheisoficial

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.