Imagem: Senadora Selma se emociona
Selma Arruda revela pressão no Senado para retirar apoio à CPI da Lava Toga – Foto: divulgação

A senadora Selma Arruda (PSL) concedeu uma entrevista à Folha de S. Paulo na qual falou de vários assuntos polêmicos, revelando, inclusive, que está sofrendo pressão até de um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro para retirar sua assinatura de apoio à CPI da Lava Toga que pretende investigar membros do Judiciário, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme Selma Arruda, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) chegou a gritar com ela ao telefone. “Alguém disse para ele que nós tínhamos assinado uma CPI que iria prejudicar ele e ele falou comigo meio chateado, num tom meio estranho. Eu me recuso a ouvir grito, então, desliguei o telefone”, disse a senadora ao revelar que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), também a procurou para convencê-la a retirar a assinatura e inviabilizar a CPI.

Sobre a atitude de Flávio Bolsonaro, pontuou que ele se mostrava um pouco chateado e quando ligou para ela estava exaltado. Apesar disso, Selma não acredita que Flávio não teve a anuência do pai, Jair Bolsonaro. Porém, a juíza aposentada também mostrou descontentamento com o presidente, que segundo ela, nunca fez sua defesa publicamente por causa do processo de cassação de mandato que ela enfrenta. Selma já sofreu condenação unânime no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), no dia 10 de abril, por caixa 2 e abuso de poder econômico nas eleições do ano passado.

“Nunca tive uma pessoa do partido para me defender publicamente. Você já viu alguma declaração do presidente do partido dizendo ‘a senadora Selma tem todo o nosso apoio’? Não. Eles estão, evidentemente, me ajudando, inclusive pagando meu advogado. Mas não é uma coisa que você sinta a acolhida, você sente solta”, reclamou Selma Arruda na entrevista.

Ela também comentou sobre o esquema de candidaturas laranjas no PSL envolvendo mulheres nas eleições de 2018 e confirmou que está em conversas com outras siglas com objetivo de se desfiliar do PSL. Em relação à cota de 30 % de candidaturas femininas determinada pela Justiça Eleitoral, a senadora deixou claro que não concorda, e que isso, em sua avaliação, motiva os esquemas para driblar a exigência.

“É muito bonito você dizer ‘tem que ter cota para a mulher porque a mulher tem que participar da política’. Ela tem se ela quiser. Obrigar a ter cota é pedir para ter laranja. Até porque mulher não gosta de política. Não é uma tradição nossa ter mulheres na política”, enfatizou a senadora.

Selma também criticou a decisão unânime da Corte Eleitoral mato-grossense e o parecer da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que no dia 10 deste mês, apresentou parecer pela manutenção da cassação de mandato de Selma. O recurso ordinário com o qual a senadora e seus dois suplentes tentam reverter a cassação para impedir uma nova eleição ao Senado, tramita no Superior Tribunal Eleitoral (TSE). Confira a íntegra da entrevista na Folha.

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