Dados divulgados pelo Núcleo de Desaparecidos da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, mostram que de janeiro a setembro deste ano foram registrados 612 desaparecimentos. Desses, 56 casos ainda não tiveram solução. Brigas, desavenças e desentendimento familiar são alguns motivos que levam as pessoas a saírem de casa sem dar notícias.

Imagem: Larissia Francisca dos Santos - mãe e filhos localizados
Mãe e filhos que estavam desaparecidos são encontrados – Foto: divulgação/PJC

Foi o caso de Larissia Francisca dos Santos, 25 anos, que após desentendimento familiar (brigas com marido), sumiu com o filho de um ano e a filha de dois anos. O trio foi visto pela última vez no dia 12 de outubro no Costa Verde em Várzea Grande, bairro onde moravam. Larissia saiu apenas com a roupa do corpo, dela e das crianças, deixando celular e outros pertences em casa.

Contudo, nesta sexta-feira (18), a Polícia Civil confirmou que Larissia e os filhos foram localizados e todos estão bem. Ela estaria em outro Estado com os filhos, inclusive, já trabalhando por lá. De qualquer forma, o paradeiro dela não foi divulgado pela PJC que deve investigar a história relatada pela mulher, por telefone, para saber o que aconteceu.

Já outros sumiços estão relacionados a criminalidade, rixa de facção e sequestros. Como é o caso de Wellington Bueno Carvalho dos Santos, 36 anos, que foi sequestrado na porta de casa por membros do Comando Vermelho. Ele foi ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e desde abril a família clama por notícias. Leia o caso de Wellington AQUI

O delegado que investiga os dois desaparecimentos, Olímpio da Cunha Fernandes Júnior, reforçou que as investigações estão em andamento. “É muito importante que as pessoas saibam que é mito ter que esperar por 24 ou 48 horas para se registrar boletim de ocorrência de desaparecimento. Os cidadãos podem e devem procurar a delegacia de polícia mais próxima quando alguém de suas relações, sejam elas íntimas ou profissionais, desaparecem sem explicação, contrariando a rotina”, afirma o delegado.

Falta de estrutura

Imagem: DHPP
Viatura da DHPP, Delegacia da PJC que também investiga casos de pessoas desaparecidas – Foto: assessoria

A demora para solucionar alguns sumiços pode estar relacionada com a falta de estrutura do setor da Polícia Civil que cuida de desaparecimentos. Atualmente, apenas dois investigadores e uma escrivã trabalham núcleo da DHPP em Cuiabá.

De acordo com o delegado, 90% dos casos são esclarecidos, mas ainda falta mais estrutura para o Núcleo. “Não temos um delegado específico para o núcleo. Atualmente, estou acumulando as funções de investigações da delegacia. Temos poucos investigadores e poucos escrivães”, relatou o delegado ao PORTAL AGORA MATO GROSSO.

Outro lado

Sobre a falta de estrutura do núcleo, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) reconhece o deficit de delegados e servidores nas unidades e que a situação está sendo monitorada. Mas ressalta que a prioridade no momento é restabelecer o equilíbrio fiscal e, por isso, não há previsão orçamentária para novos concursos.

Facebook ajuda a polícia

Para ampliar a divulgação de pessoas desaparecidas, o Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção a Pessoas está com uma página no Facebook e no Instagram, com o perfil: Desaparecidos – Polícia Civil Mato Grosso. Na página são divulgados cartazes com fotos, nomes, data e locais dos desparecimentos. Quando as pessoas aão localizadas também são feitas novas postagens informando o desfecho.

A ideia de criar a página na rede social foi da delegada Sílvia Virgínia Biagi Ferrari. “Com esta ferramenta, não se lança mão de nenhum recurso. A página criada no Facebook será de extrema utilidade para que sejam veiculadas fotografias e informações, para que as pessoas que se encontram desaparecidas sejam localizadas”, observa.

Para a delegada, o alcance das redes sociais poderá, além de auxiliar no trabalho de localização de pessoas, também prevenir ocorrências de crimes, punindo os autores, caso ocorram.

O Núcleo de Desaparecidos da DHPP auxilia na busca de pessoas somente nos casos registrados na região metropolitana. No entanto, presta apoio às unidades do interior do Estado, caso seja requisitado e também a outros estados, uma vez que a troca de informações é fundamental no processo de levantamento e cruzamento de dados.

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