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O goleiro Bruno, em sua única aparição pelo Poços de Caldas – Foto: Ricardo Benichio

Vinte e três dias depois de sua apresentação e estreia, na qual foi ovacionado em campo e posou para selfies com torcedores, Bruno Fernandes, 34, teve rescindido seu contrato com o Poços de Caldas FC, time da cidade homônima, em Minas Gerais.

A informação foi confirmada pelo presidente do clube nesta segunda-feira (28).

Bruno disputou apenas uma partida com o time, a sua estreia, no dia 5 de outubro, quando começou no banco de reservas.

À Folha, a advogada do goleiro, Mariana Migliorini, criticou o que chamou de falta de estrutura e desorganização. “[O clube] não forneceu material de trabalho [para o Bruno]. Há cheques sem fundo [pagos ao atleta]”, disse.

O ex-goleiro do Flamengo conseguiu progressão ao regime semiaberto em julho. Ele cumpre pena de 20 anos e nove meses pelo assassinato de Eliza Samudio, ocorrido em 2010.

A pena inicial era de 22 anos e três meses, mas foi reduzida pela prescrição do crime de ocultação de cadáver. Em setembro de 2017, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais validou a certidão de óbito de Eliza. O corpo dela nunca foi encontrado.

Segundo o presidente Paulo César da Silva, a decisão foi um consenso dos dois lados e eles ainda vão discutir detalhes da rescisão. O contrato era válido até janeiro de 2020.

“A gente não consegue contar com o atleta. É complicado, entendeu? Em 60 dias de contrato, ele jogou 45 minutos, a Justiça não libera para ele treinar. É uma coisa que se torna difícil para o clube, você manter um salário alto de um jogador do nível dele para não usar”, afirmou Paulo César à Folha. Sem citar valores, disse se tratar do salário mais caro do elenco.

Para a advogada, trata-se de amadorismo por parte da direção do Poços de Caldas. “Não era passado à defesa do Bruno as datas corretas de jogo. O presidente não tem [departamento] jurídico. Ele pensou que se fizesse um ‘ofício’ o Bruno seria liberado. Há que se fazer uma petição e só a defesa pode fazê-lo”, reclamou.

Segundo o dirigente, a Justiça negou pedidos da defesa de Bruno para que ele pudesse treinar em Poços de Caldas e jogar com o time em cidades vizinhas. A estreia dele chegou a ser adiada em setembro por questões legais. Procurado, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais não retornou o contato.

O goleiro agora analisa outras propostas de trabalho. “[Há interesse de clubes] do nordeste, Rio de Janeiro e Goiás”, completou Mariana, que explicou ainda que ele se mantém em regime semiaberto “já que continua treinando técnica e fisicamente”.

Em 2017, Bruno assinou com o Boa Esporte, de Varginha, mas voltou à prisão depois de dois meses por determinação da Justiça.

O Poços de Caldas FC não tem renda atualmente, segundo o presidente, e as entradas dos jogos costumam ser doações em alimentos. Além do salário, o clube alugava um local para que Bruno treinasse em Varginha, cidade onde cumpre pena (a cerca de 150 km de Poços de Caldas), e o combustível das viagens.

A equipe, que ficou parada por um ano e sete meses, deve disputar a terceira divisão do Campeonato Mineiro no ano que vem, mas isso só ocorrerá no segundo semestre. A comissão técnica também deixou o clube nas últimas semanas por falta de pagamento.

Paulo César afirma que os jogadores da equipe não estão inscritos na federação, porque ainda estão sendo avaliados, para só depois terem contrato assinado.

“Quem sabe tenha a possibilidade de [Bruno] disputar o Mineiro conosco, se não tiver nenhum clube. Mais para a frente o clube vai ter caixa, vai estar mais organizado”, disse.

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