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Allice Serafim – Foto: arquivo pessoal

Não adiantou o pai a proibir de estudar quando pequena. Hoje, aos 71 anos, Allice Serafim está cursando Engenharia, o sonho da vida dela.

A idosa, que mora em Catanduva, interior de São Paulo, começou a faculdade em 2018 e já está no terceiro semestre do curso.

Ela divide a sala de aula com alunos na faixa etária de 20 anos e é muito querida por todos.

“Acredito que estão na minha vida por alguma razão, trato todos iguais meus netos e filhos. Sou uma aluna aplicada, mas em qualquer dificuldade, eles estão lá para me ajudar a entender a matéria”, conta.

Allice também é vista como destaque pelos professores.

“Ela sente muita dificuldade, o que é normal pela idade, mas ela tem muita garra, é muito dedicada. Já tive outros alunos mais velhos que eu, mas a Dona Allice se destacou entre todos pela garra, ela não desiste, muito pelo contrário, ela quem anima a gente”, disse o coordenador do curso, Nilton Romero.

Todos os dias ela chega antes para tirar as dúvidas e para aprender coisas básicas da matemática, para não sentir tanta dificuldade na hora de fazer os exercícios.

Mesmo sabendo da dificuldade no mercado de trabalho, a futura engenheira sonha em trabalhar na área.

“Ainda tenho fé que vou trabalhar. Mas se não der certo, tudo bem. A minha vontade é de estudar e ajudar as pessoas e fazer o bem”, conta.

História

Aos 8 anos, Allice foi impedida pelo pai de terminar a escola.

Mais velha, aos 18 anos, ela se casou e o marido também não a deixou frequentar a escola.

“Em 1955 meu pai me tirou da escola, porque para ele mulher naquele tempo não tinha que estudar e sim casar e cuidar da família. Com 18 anos me casei e meu marido pensava que nem meu pai, por causa disso eu nunca estudei”, contou Allice.

Autodidata

Ela aprendeu a ler e escrever dentro de casa. Pegava um caderno e uma Bíblia e ia escrevendo as palavras que via, até que um dia conseguiu aprender. Foi a partir disso que despertou a vontade de terminar os estudos e cursar uma faculdade.

“Eu queria aprender as palavras, então tive de me virar sozinha, até que um dia eu aprendi. Desde então, tinha dentro de mim que um dia eu iria estudar”, contou.

O primeiro emprego foi em uma gráfica de São Paulo servindo café. Ela ficou na gráfica durante 20 anos até o marido falecer e ela voltar para Catanduva, cidade onde morou na infância.

Quando voltou para a cidade, a aposentada conta que passou um tempo ajudando as filhas. Quando ficaram mais velhas, ela resolveu resgatar o sonho de voltar a estudar.

Como

Ela atrás de um supletivo para terminar o ensino médio.

Depois, Allice fez aulas de como falar em público, de violão, de informática básica e de contabilidade.

Ela conta que sempre gostou muito de engenharia, que achava uma profissão importante na sociedade e de pessoas inteligentes.

Até que um dia ela viu em uma propaganda de uma faculdade particular que estava oferecendo bolsa para o curso de engenharia de produção em Catanduva e resolveu prestar o vestibular.

Ela passou e hoje cursa o terceiro semestre de Engenharia.

 

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