Depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa, que virou delator premiado após confessar que chefiou uma quadrilha que desviou milhões de reais dos cofres de Mato Grosso, levaram a Polícia Civil a instaurar inquérito para investigar o esquema de desvio de cerca de R$ 10 milhões ocorrido no antigo Centro de Processamento de Dados do Estado (Cepromat), atual Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).

Imagem: delegados Defaz coletiva operação quadro negroDelegados da PJC em coletiva da Operação Quadro Negro – Foto: Leticia Kathucia/ AGORA MATO GROSSO

Detalhes relatados por outro delator, o ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, também contribuíram para a investigação. Ambos citaram uma reunião entre Silval Barbosa, o empresário Valdir Agostinho Piran, o dono da empresa Avançar, Weydson Soares Fonteles e o então chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, para combinar detalhes de como levantariam dinheiro para quitar dívidas do ex-governador e seu grupo político.

A informação foi dada pelos delegados que estão à frente das investigações da operação Quadro Negro, deflagrada na manhã desta terça-feira (22) para prender seis pessoas e cumprir outros sete mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Brasília e Luziânia (GO).

Conforme os delegados Luiz Henrique Damasceno e Bruno Lima Barcellos afirmaram em coletiva de imprensa, o empresário Valdir Agostinho Piran, que atua no ramo de factorings, é apontado como o líder do esquema. De acordo os delegados, já existe comprovação de que o empresário faturou R$ 780 mil com o esquema de corrupção, valor que pode ser ainda maior até o término das investigações. Piran foi preso em Brasília.

Conforme os delegados, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) já instaurou investigação após as denúncias feitas por Silval Barbosa. O prejuízo estimado aos cofres do Estado é de R$ 10 milhões.

Os demais presos são o ex-vereador e ex-deputado estadual Wilson Teixeira , o Dentinho, (ex-presidente do Cepromat, Djalma Souza Soares (também ex-presidente do Cepromat), o ex-secretário adjunto da Seduc-MT, Francisvaldo Pereira de Assunção, Weydson Soares Fonteles e Edevamilton de Lima Oliveira.

Crimes envolvem convênios entre Cepromat e Seduc

Imagem: Luiz Henrique e Anderson Veiga
Delegados Luiz Henrique e Anderson Veiga – Foto: Leticia Kathucia – AGORA MATO GROSSO

A operação Quadro Negro investiga crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade documental, no âmbito de fraudes cometidas em contratos feitos pelo Cepromat em convênio com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em 2014. Na época a Controladoria-Geral do Estado (CGE) fez uma auditoria e detectou que a efetividade dos contratos foi zero e o prejuízo para os cofres públicos foi em torno de R$ 10 milhões em valores atualizados.

“O Piran, no contexto da organização criminosa, figura como líder desta organização criminosa de acordo com as investigações”, afirmou o delegado Anderson Veiga. “O Piran é o principal porque boa parte do dinheiro foi destinada para o referido empresário e outras pessoas também dentro do contexto, cada qual tem uma soma diferenciada, isso está dentro do bojo do inquérito”.

De acordo com o delegado, os presos na operação praticaram desvios de dinheiro público para empresas particulares e agentes públicos, conforme mostrou a quebra de sigilo bancário e fiscal autorizado pela Justiça no decorrer das investigações.

Anderson Veiga foi questionado se a então secretária estadual de Educação da época, Rosa Neide Sandes de Almeida, hoje deputada federal pelo PT, também é investigada. “Não investigamos pessoas, investigamos fatos. Até o presente momento não há nada que a vincule à presente investigação”, ressaltou o delegado.

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