Imagem: Hospital São Luiz Cáceres
Hospital São Luiz, em Cáceres – Foto: divulgação/assessoria

Contadora de 29 anos vive momentos aterrorizantes desde a morte da filha Isabelle durante um parto prematuro realizado no Hospital São Luiz em Cáceres (MT). Fernanda Schiavo, que estava grávida de seis meses, acusa o hospital de omissão de socorro e homicídio, já que sua filha morreu no dia 16 de outubro deste ano, após médicos plantonistas recusarem fazer uma cesariana.

Uma denúncia foi protocolada no Ministério Público Estadual, junto à 1ª Promotoria Criminal de Cáceres e está sob responsabilidade da promotora de Justiça, Ana Luíza Barbosa da Cunha.

Wesley Ferreira, pai da criança, contou ao PORTAL AGORA MATO GROSSO que sua esposa foi internada no Hospital São Luiz no dia 7 de Outubro e se queixava de sangramento e outros sintomas. Mesmo diante desse quadro, a jovem foi orientada a voltar para casa, em Mirassol D’Oeste (MT), sem um diagnóstico.

Três dias depois, em 10 de outubro, Fernanda voltou a passar mal, com dores e novos sangramentos. A gestante foi encaminhada numa ambulância novamente ao hospital. No local, precisou aguardar por, pelo menos, uma hora pelo primeiro atendimento. E, segundo o marido, foi realizado por estudantes de medicina.

Com o quadro de saúde agravado, Fernanda foi internada na unidade. Aos pais, a unidade informou, na ocasião, que a gestante teve muita perda de líquido. Porém, o exame de ultrassom, que demandava urgência para avaliar as condições da bebê, só foi feito no final do dia seguinte, em 11 de outubro. O motivo era porque o equipamento é operado por equipe terceirizada.

Imagem: olho
Fernanda com olhos vermelhos após o parto que terminou com a morte de Isabelle – Foto Arquivo Pessoal

Familiares tentaram transferir a jovem para Cuiabá. Mas o Hospital São Luiz se recusou a liberar a transferência, alegando dispor do exame necessário. Fernanda permaneceu na unidade sob cuidados médicos e no dia 15 de outubro começou a sentir novas dores por volta das 15. O médico plantonista foi chamado, mas, segundo a família o profissional não compareceu para atendê-la.

Wesley lembra que a esposa entrou em trabalho de parto por volta das 2h no dia 16 de outubro e a filha nasceu de parto normal, por volta das 7h, sob a supervisão de enfermeiros, mas sem a presença de qualquer médico. A bebê morreu em trabalho de parto. A família afirma que por várias vezes mostrou exames demonstrando que a cesárea era necessária.

Outro lado

Procurada pelo PORTAL AGORA MATO GROSSO, a Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar (Pró-Saúde), administradora do Hospital São Luiz, informou que foi aberto um procedimento interno de apuração para analisar todas as circunstâncias do atendimento prestado à paciente citada na reportagem.

Conforme a assessoria de imprensa, a unidade se solidariza com a perda da família e ressalta que todos os esclarecimentos serão fornecidos para a compreensão dos procedimentos adotados, bem como eventuais providências cabíveis poderão ser tomadas.

“Cabe mencionar que o Hospital São Luiz é referência em gestação e parto de alto risco para 22 municípios da Região Oeste do Estado Mato Grosso, incluindo o país vizinho, a Bolívia. O serviço assistencial é realizado por uma equipe multiprofissional qualificada que preza por um atendimento humanizado”, diz trecho da nota.

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