Imagem: vereador Adevair Cabral
Vereador Adevair Cabral – Foto: assessoria/Câmara de Cuiabá

Alvo de uma investigação sigilosa do Ministério Público Estadual (MPE) por exploração sexual de vulnerável e crimes contra a criança e o adolescente e denunciado por uma ex-servidora pública por importunação e assédio sexual, o vereador Adevair Cabral (PSDB), usou a tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá para se defender. Durante sessão manhã desta terça-feira (5) ele negou todas as acusações, chorou na tribuna, reafirmou inocência e prometeu processar criminalmente quem o acusa “covardemente”.

Foi além e afirmou que desde já, coloca à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público, seu celular para quebra de sigilo telefônico a fim de comprovar sua versão, de que nunca assediou a ex-servidora. A denunciante é uma enfermeira que trabalhava na Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá e recentemente procurou o vereador Abílio Júnior (PSC), o Abilinho, denunciando ter sido vítima de assédio e importunação sexual, supostamente praticada por Adevair. Ela, inclusive, repassou a Abilinho um “nudes” de Adevair que ele teria enviado a ela, sem sua autorização.

Em sua defesa, Adevair leu uma nota na qual afirma ser vítima de um ataque por parte de pessoas que querem jogar seu nome na lama. “Estou sendo vítima de uma grande perseguição política, não sei da onde é, mas é uma perseguição muito grande. Estou no meu terceiro mandato de vereador e tenho serviços prestados à sociedade. Não sou corrupto, não malversei com dinheiro público e como nada desabona a minha conduta como parlamentar, estão expondo de maneira covarde e mentirosa minha vida pessoal, a vida da minha família também, a minha honra. E por isso me sinto na obrigação de esclarecer determinados fatos, pois devo satisfação aos meus eleitores”, disse o parlamentar.

Sobre a denúncia anônima contra ele feita em 2017 junto ao Ministério Público e a investigação que está em andamento, disse que tomou conhecimento dos fatos pela imprensa sendo pego de surpresa. Garante que seu nome foi vinculado à denuncia por ter sido presidente da Associação dos Servidores da Prefeitura, conhecida como Clube Aspe.

Adevair ressaltou que nunca foi citado e nem convocado a prestar qualquer tipo de esclarecimento sobre o fato na Polícia Civil e nem no Ministério Público. Com o processo em mãos, obtido por seus advogados, o tucano argumentou que os bailes funks que constam da denuncia sequer eram realizados no Clube Aspe.

“O clube está arrendado desde 2013, registrado em cartório, foi arrendado para terceiros e o terceiro que toca lá pode alugar para terceiros”, argumentou o vereador. Ele apresentou documento de seu afastamento do Clube Aspe, desde junho de 2016, que segundo ele, também está registrado em cartório. “Sabem qual é minha participação nisso? É zero, nunca fiz isso, nunca participei de baile funk em lugar nenhum. O que estão fazendo comigo é covardia”.

Sobre a denúncia da ex-servidora, Adevair afirmou que não existe nenhuma denúncia por assédio formalizada contra ele e questiona o motivo de a suposta vítima não ter feito registro ou denúncia formal há anos, mas somente agora ter procurado outro parlamentar para denunciá-lo.

Se for representado, Adevair antecipa que seu sigilo telefônico será colocado à disposição desde o começo. “Ai vou dizer pra vocês onde está o assédio. Eu preciso disso, eu que quero, Está à disposição meu telefone. Quero que quebre meu sigilo telefônico e vão ver se fiz assédio a alguém . É fácil editar uma conversinha e dizer que foi assédio. Quero a conversa inteira, do começo, meio e fim”, enfatizou o tucano.

O vereador pretende resolver a questão representando judicialmente todas as pessoas que estão o acusando. “Não vou atacar ninguém, não vou dizer nome de ninguém”, ressaltou. Para Adevair Cabral, o mais pesado é a acusação de crime sexual contra menores. Ele embargou a voz, chorou e ficou em silêncio por um momento. Depois ressaltou que a verdade está do lado dele e vai restabelecer a “covardia” que estão fazendo com ele e sua família. O vereador deixou ao tribuna chorando e pedindo desculpas.

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.