Imagem: A Batalha de sangrila
Filme A Batalha de Sangri-lá – Foto: divulgação

Mato Grosso estará em destaque nacional nas próximas semanas mostrando que no Estado também se faz cinema e de qualidade. A produção local “A Batalha de Shangri-lá” foi selecionada para dois dos principais festivais de cinema do país, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade – este está acontecendo em São Paulo, desde o dia 13 até 20 de novembro. “A Batalha de Shangri-lá” será apresentado no Festival Mix no domingo, dia 17, no Cinesesc. Já em 30 de novembro será sua vez no Festival de Brasília.

O filme é a estreia do publicitário, roteirista e cineasta mato-grossense Severino Neto na direção de longas e conta também com a parceria do codiretor Rafael de Carvalho. O espectador acompanha a jornada de João que, depois da morte de seu pai adotivo, parte em busca de sua mãe biológica, que o abandonou há quase 40 anos no interior de Mato Grosso. Numa viagem por um Brasil profundo, ele conhece sua cidade natal e pessoas que fizeram parte do passado da mulher a quem ele procura.
As pistas encontradas nessa pequena cidade o levam de volta à capital Cuiabá, mas, também, o envolvem por caminhos físicos e emocionais que alteram suas convicções e preconceitos.
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Gravações do filme A Batalha de Sangri-lá – Foto: assessoria

A produção conta com nomes conhecidos no elenco principal, como a atriz Ingra Liberato, que entre outras novelas globais fez “Ana Raio e Zé Trovão”, “Tieta” e “Segundo Sol”; o ator Gustavo Machado cuja longa carreira no cinema inclui os filmes “Chacrinha”, “Elis”, “Bruna Surfistinha” e “As Melhores Coisas do Mundo”, além de novelas como “A Força do Querer”, “Além do Tempo” e “Sete Vidas” – atualmente Gustavo pode ser visto na série “Coisa Mais Linda”, da Netflix; e Maria Ceiça da série “Sobre Pressão”, da Globo. Ceiça também estrelou novelas de sucesso como “Por Amor” e as séries “Chiquinha Gonzaga” e “Filhas do Vento” e os filmes “Se eu Fosse Você”, “Orfeu” e “Carlota Joaquina”.

As locações foram feitas em Cuiabá e em estradas por Santo Antônio de Leverger, Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Nova Brasilândia. A equipe de produção é quase que 80% local.
Como o filme está percorrendo o circuito de festivais, ainda não há previsão de lançamento nacional e em Mato Grosso.
Conflitos
“A Batalha de Shangri-lá” é uma história atual e recorrente, que toca em temas atuais, mas difíceis de lidar, como violência familiar e social e a sexualidade em evidência. O filme é um drama, com pitadas de suspense e tragédia, que possui nuances e camadas complexas, desvendadas passo a passo.
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Foto: assessoria

O cineasta Severino Neto conta que o filme nasceu para amenizar sua angústia sobre o tema sexualidade e violência familiar e que a narrativa é baseada em suas vivências e observações. “Um amigo me perguntou quanto tempo eu demorei para escrever este meu primeiro longa de ficção. Eu respondi que foram 38 anos, minha idade. Ele sorriu, consentiu com a cabeça e me deu um abraço. Aquilo me fez ter certeza de que cinema é muito mais do que um conjunto de regras narrativas”, explica.

“Cinema é pegar tudo que você viveu e viu, tudo que te emocionou, te fez sofrer, tudo que faz sentido ou não, tudo que te incomoda. Cinema é sua voz, sua opinião, sua ideologia. É responsabilidade com o seu entorno e uma crítica sobre o que você considera belo, intrigante, errado ou absurdo”, acrescentou o cineasta.
Severino Neto recai o olhar sobre Mato Grosso, onde os rincões escondem preconceitos e violência, mas gritam o silêncio sobre o que ocorre. Em suas pesquisas para o roteiro, percebeu que é o Estado onde, proporcionalmente, mais se agride e mata homossexuais, transexuais e travesti no Brasil. “E é incrível e revoltante que esse tipo de assunto não faça parte de pautas ou discussões. Por isso, minha necessidade em falar sobre esse assunto, retratá-lo, comunicá-lo de alguma forma”, reforça o cineasta.
O roteiro de a “A Batalha de Shangri-Lá” foi selecionado em Madri (Espanha) na 13ª edição do concorrido Ibermedia (programa de incentivo à co-produção de filmes de ficção e documentários realizados na comunidade Ibero-Americana). O roteiro de “A Batalha de Shagri-la” também venceu o primeiro edital de produção Ancine/FSA.
Severino Neto explica que foi no Ibermedia que o roteiro de fato nasceu. “Meus consultores foram Karim Ainouz e Tomas Aragay, dois baitas roteiristas, graças a isso o filme existe. O Ibermedia é importante, porque é um grande Laboratório de Desenvolvimento de Roteiro, um dos maiores do mundo, que abrange toda a América Latina, mais Portugal e Espanha”.
Roterista e diretor, Karim Ainouz é diretor de “A Vida Invisível”, produção brasileira indicada a concorrer ao Oscar de Filme Estrangeiro, é também responsável por filmes como “Madame Satã” e “O Céu de Sueli”. Já Tomas Aragay é um escritor e roteirista espanhol, vencedor do prêmio Goya de Melhor Roteiro Original por Truman (com Ricardo Darin).
O cineasta
Com formação em Publicidade e Propaganda e especialista em Cinema, a participação em grandes festivais já se tornou rotina para Severino Neto, que já teve seus curtas selecionados para vários deles com inúmeras premiações. Seu primeiro curta-metragem de ficção, “3,60”, foi vencedor de seis prêmios. Já o curta-metragem documental “Composto” foi selecionado em 37 festivas, ganhou seis prêmios internacionais e foi adquirido pelo Canal Brasil.
Já o último curta-metragem de ficção, “Juba”, foi selecionado em 26 festivais e também ganhou vários prêmios. Seu novo roteiro de curta-metragem ficcional, “Mata Grande”, foi selecionado para o Labex no 28º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e ganhou o prêmio TNT Labex-Curta Kinoforum.
Severino também teve seu roteiro de longa-metragem de ficção, “Memória de Elefante”, selecionado e ganhou o pitching do 12º Curso de Formação Profissionais do Núcleo de Desenvolvimento de Roteiros Audiovisuais, em Goiânia, além de ser finalista do 4º Festival de Roteiro Guiões, em Lisboa, e ganhou o 2º edital estadual de Arranjos Regionais Ancine/FSA.
Apaixonado por cinema e workaholic, Severino também atua no desenvolvendo do longa documental “Chumbo”, sobre o Trabalho Escravo, e também está em processo de desenvolvimento de três novos roteiros de longas-metragens de ficção: “Pedra Bruta”, “Lovely” e “Trieiro”.
O profissional atua como diretor de produção na agência de publicidade FCS, onde já foi premiado nacionalmente por peças publicitárias.
Ficha Técnica – “A Batalha de Shangri-lá”
Direção e Roteiro
Severino Neto
Produção
Molêra Filmes
Coprodução e distribuição
Moro Filmes
Elenco principal
Gustavo Machado
Ingra Liberato
Maria Ceiça
Com
Luciano Bortoluzzi
Andrade Junior
Laíze Câmara
Apresentando
Tatiana Horevicht
Ana Luiza
Produção Executiva
Bárbara Varela e Diana Moro
Direção de Fotografia
Marcelo Biss
Desenho de Som
Alexander Rogoski
Trilha Sonora
Felipe Ayres
Direção de Arte
Júlio Tavares
Figurino
Carlos Lorenzi
Lívia Camila
Maquiagem
Karla Martinho
Assistente de direção
André Srur
Montagem e Codireção
Rafael de Carvalho
 Festival Mix Brasil
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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