O ator Gerson Brenner, 59, está internado no Hospital São Luiz, em São Paulo, porque estaria apresentando sono prolongado e profundo. Segundo um colunista da Rede TV!, ele teria dormido por 40 horas seguidas. O hospital ainda não divulgou boletim médico sobre o caso.

Brenner teve a carreira interrompida em 1998 após levar um tiro na cabeça enquanto trocava o pneu do carro na estrada, o que lhe deixou sequelas, como limitações de locomoção e na fala. A parte cognitiva ficou preservada.

O neurologista comportamental Fabio Porto, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que a presença de uma lesão neurológica crônica, como no caso de Brenner, pode alterar o ciclo de sono e vigília. Outra hipótese seria sonolência causada por infecção, com infecção urinária ou pneumonia, que, no caso de pacientes já acometidos neurologicamente, pode levar ao quadro.

“Vão se somando fatores. Infecções recorrentres vão alterando cada vez mais o cérebro, no caso de quem tem lesão crônica. No caso do ator, essa lesão ainda afetou a locomoção, o que aumenta o risco do sedentarismo e consequentemente da obesidade, diabetes e hipertensão, além do envelhecimento natural do cérebro. Outra causa são alterações metabólicas”, afirma.

Porto ressalta a diferença entre sono prolongado e coma. No sono fisiológico, a pessoa acorda ao ser chamada; no coma, definido como distúrbio do estado de consciência caracterizado pela alteração das atividades cerebrais, ela fica “inacordável”, ou seja, não reage a estímulos, segundo o médico. “Você pode beliscá-la que ela não acorda”.

Em caso de pessoas que não apresentam lesões cerebrais, ter a necessidade de dormir mais que 9 horas por dia pode indicar má qualidade do sono ou sono irregular, de acordo com Porto. “A apneia do sono [interrupção da respiração por alguns segundos] é a causa mais comum”, diz. “Provavelmente, não está se respeitando as quatro fases do sono, o sono é mais superficial”, acrescenta.

Dormir mais de 9 horas seguidas para compensar noites maldormidas não funciona, segundo ele. “Não é possível manter sono fisiológico por mais de 9 horas. A pessoa que dorme muitas horas seguidas acaba acordando cansada e com dor de cabeça, porque o sono não é de qualidade, não há a sensação de descanso”, diz. O ideal é que se compense noites maldormidas com sono regular no dia a dia.

Sentir-se sonolento ou dormir de forma prolongada são motivos para consultar um neurologista ou especialista em sono, segundo Porto. Para a investigação da causa, serão levados em conta a idade e histórico do paciente. “As causas variam muito de acordo com cada um. Se for em criança, pode-se suspeitar de menigite. Em adulto, é preciso excluir infecção e AVC, por exemplo”, finaliza.

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