17 de setembro de 2020
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    GINÁSTICA

    Daniele Hypolito volta a ‘pegar firme’ na ginástica

    Por pouco Daniele Hypolito não conquistou o título do principal torneio disputado por ela em 2019: o Dancing Brasil. Referência na ginástica artística brasileira, a veterana de 35 anos deu uma “pisada no freio” na temporada que se encerrou e dedicou a maior parte do tempo à sua participação em um reality show de dança, no qual foi vice-campeã – perdeu a final para o cantor D’Black. Para o ano que vem, porém, os planos são outros.

    “Minha meta é a ginástica. Independente do que eu vá competir ano que vem, minha meta é a ginástica. Eu amo isso que eu faço. Mesmo que eu não fosse competi, eu continuaria me mantendo no ginásio porque não sou uma pessoa que gosta de academia, gosto de fazer meu treino e depois ir fazer as minhas coisas. As questões eu tinha dado uma pisada no freio, participei do Dancing, mas voltando de férias em janeiro vou entrar firme e forte”.

    Aos 35 anos, Daniele convive há algum tempo com críticas de que está ultrapassada. Já era assim no início de 2012, quando ela foi a grande responsável por classificar o Brasil aos Jogos de Londres-2012, pelo Pré-Olímpico. À época, desabafou. “Quem disse que eu estou velha? Acho que quem decide a hora que vai parar sou eu. As pessoas têm que parar com a mania de querer me aposentar.”

    Desde então essa rotina não mudou. Em 2018, Daniele chegou a ser campeã brasileira no individual geral, com notas melhores que de Jade Barbosa, que também competiu naquele torneio. Mesmo assim, suas chances na seleção foram rareando à medida que jovens como Carolyne Pedro e Thais Fidelis se juntaram ao time titular formado por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa e Lorrane Oliveira.

    No ano que vem, a única certeza da veterana é que ela estará à disposição da equipe de São Bernardo do Campo para as competições interclubes como o Campeonato Paulista e o Brasileiro. No fim desta temporada, ela chegou a disputar os Jogos Abertos do Interior, mas com uma apresentação simples. “Não acho justo fazer uma competição no nível que estou acostumada, porque é uma festa para a criançada”, justificou.

    Ainda que faça parte do seleto grupo que recebe uma bolsa da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), paga com recursos da Caixa, Daniele sabe que sua presença na seleção depende da comissão técnica. “Tenho que fazer minha parte que é estar bem, e de resto é uma comissão técnica que decide. É uma comissão técnica que define e faz a avaliação”, lembra.

    Sem Daniele, que chegou a se colocar à disposição da comissão técnica para disputar o Mundial, o Brasil falhou na tentativa de se classificar para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no maior fracasso da história recente da ginástica brasileira. A atleta mais experiente da equipe, que desta vez viu tudo de fora, evita buscar culpados.

    “O que aconteceu, o que deixou de acontecer, não cabe a mim responder. É como se eu também tivesse fora da Olimpíada, porque fiz parte desse processo quase por inteiro. Por ter dado uma pisada no freio eu estava vendo as cosias mais de fora, mas não deixei de fazer parte. Lesões são complicadas, mas outras coisas também complicam”, avalia.

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