26 de setembro de 2020
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    Operação Abesap

    Idosa é suspeita de desviar R$ 200 mil de associação beneficente com ‘crianças fantasmas’

    De acordo com a Polícia Civil, para desvir recursos eram criados servidores fantasmas e até alunos fantasmas

    Imagem: Defaz
    Defaz cumpre mandados contra diretoria de associação beneficente – Foto: divulgação/PJC

    A idosa Cleusa Maria da Silva, de 73 anos, é a principal investigada pela Polícia Civil por causa de um esquema de corrupção envolvendo um desvio de pelo menos R$ 200 mil na Associação Beneficente e Educacional Santo Antônio do Pedregal, conhecida por “Creche do Pedregal”, em Cuiabá. Para isso, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (17) a Operação Abesap de forma conjunta entre a Delegacia Especializada de Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz) e a Delegacia Especializada de Combate a Corrupção (Deccor).

    Os policiais cumprem ordens judiciais contra parte da diretoria da associação beneficente envolvida em desvios de verbas públicas. Os mandados, sendo um de prisão domiciliar, cinco de buscas e apreensão e três de afastamento cautelar, foram expedidos pela 7ª Vara Criminal da Capital. Objetivo é apurar desvio de recursos públicos destinados à Associação Beneficente e Educacional Santo Antônio do Pedregal.

    A investigação teve início após registro de ocorrência na Delegacia Fazendária, informando que ex-colaboradores que prestaram serviço na creche, mesmos desvinculados da Associação, estavam lançando notas fiscais eletrônicas como se ainda prestassem serviços à instituição.

    Durante a investigação, foi apurado que nos últimos três anos, a entidade recebeu mais de R$ 1 milhão de recursos oriundos da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, tendo recebido neste ano R$ 403.474,50. Para justificar os gastos dos repasses, foram criados colaboradores fantasmas, cujo valor era desviado em proveito da investigada, Cleusa Maria da Silva.

    Levando em consideração os valores recebidos com a criação de pelo menos oito prestadores de serviço “fantasmas”, devidamente identificados, a investigada desviou mais de R$ 200 mil, sendo que em nome de uma delas, lançou-se R$ 63.142,23 em notas fiscais eletrônicas.

    Além disso, a investigada informou à Secretaria Municipal de Educação sobre o atendimento de 190 crianças, quando atualmente estavam matriculados apenas 90 crianças na instituição, das quais era cobrada a mensalidade de R$ 150 por aluno matriculado, contrariando o que dispõe o termo de fomento: “sem nenhuma cobrança financeira aos alunos ocupantes das vagas”.

    Assim, o valor cobrado pela investigada a título de mensalidade dos alunos, custeia toda a despesa de pessoal da associação investigada. Durante o trabalho investigativo, Cleusa Maria da Silva, também “corrompeu” uma das testemunhas, oferecendo dinheiro para que caso fosse intimada a comparecer a Delegacia de Polícia, deveria “mentir e dizer que trabalha na Associação até os dias atuais”.

    Participaram da ação, policiais civis da Defaz, Deccor e GCCO com apoio da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e Superintendência Regional do Trabalho.

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