19 de setembro de 2020
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    INTERNACIONAL

    Multidão homenageia general Suleimani em Teerã; sucessor reforça ‘vingança’

    Uma multidão foi às ruas de Teerã hoje para acompanhar as cerimônias em homenagem ao chefe militar Qassim Suleimani, morto na última sexta-feira no ataque de um drone americano em Bagdá, no Iraque. Autoridades iranianas lamentaram a morte do general e voltaram e prometer uma resposta ao ataque dizendo que “será Deus quem realmente se vingará dos Estados Unidos”.

    Carregando cartazes com o retrato de Suleimani, o general mais admirado do Irã, as pessoas se reuniram nos arredores da Universidade de Teerã, onde o líder supremo preside as cerimônias e orações pelo general.

    Cercado do presidente iraniano, Hassan Rohani, do presidente do Parlamento Ali Larijani, do chefe da Revolução, general Hossein Salami, e do chefe da Autoridade judicial Ebrahim Raisi, o aiatolá Ali Khamenei fez uma oração em árabe pouco depois das 9h30 (3h no horário de Brasília), antes de deixar o local.

    Durante o funeral do general iraniano, o novo comandante da Força Quds, Esmail Qaani, prometeu expulsar os Estados Unidos da região. “Seguiremos o caminho do mártir Suleimani com firmeza e resistência e a única compensação para nós será expulsar os Estados Unidos da região”, disse o comandante em entrevista à emissora de TV estatal Qaani.

    Qaani disse que tomará “medidas” para responder ao assassinato de Suleimani e que “será Deus quem realmente se vingará dos EUA pelo valioso derramamento de sangue”.
    Na mesma linha, o comandante da Força Aeroespacial, Amir Ali Hajizadeh, disse durante o funeral que “é necessária a completa destruição dos EUA na região”.

    No funeral, Zeinab Suleimani também voltou a cobrar uma resposta à morte do pai. Ela declarou que “o martírio de (seu) pai levará a um auge de resistência e fará Estados Unidos e Israel tremerem” e que “o ataque dos norte-americanos levará “dias escuros aos Estados Unidos”.

    Uma maré humana invadiu as avenidas Enghelab (“Revolução”, em persa), Azadi (“Liberdade”) e seu entorno, com bandeiras vermelhas (a cor do sangue dos “mártires”), ou iranianas, mas também libanesas e iraquianas.

    Visivelmente emocionado, o aiatolá Khamenei pronunciou uma breve oração em árabe diante dos caixões do general Suleimani, do iraquiano Abu Mehdi al-Muhandis (número dois da coalizão paramilitar pró-iraniana Hashd al-Shaabi) e de outros quatro iranianos mortos no mesmo ataque.

    O líder supremo e os outros dirigentes presentes deixaram o local rapidamente, antes de os caixões dos “mártires” abrirem caminho entre a multidão. Como aconteceu no domingo, na cidade de Mashhad (nordeste), vários Guardiães da Revolução que estavam no caminhão à frente do cortejo fúnebre lançavam para a multidão kufiyas, blusas e outros objetos para dar a proteção dos “mártires” a quem os levasse.

    Milhões de pessoas nas ruas
    Desde cedo, momentos de profundo silêncio se misturaram com elegias interpretadas por famosos cantores religiosos, alternando com explosões de raiva, aos gritos de “Morte aos Estados Unidos”.

    “Foi um herói. Venceu o Daesh (acrônimo do grupo Estado Islâmico em árabe)”, disse uma mulher à AFP, referindo-se ao compromisso do Irã contra o extremismo sunita no Irã e na Síria. “O que Estados Unidos fizeram (ao matá-lo) é, sem dúvida, um crime”, acrescentou.

    Um homem levava um cartaz com a hashtag “#hard_revenge” (#dura_vingança, em tradução livre do inglês), e outros tinham mensagens em inglês para pedir a revanche pela morte de Suleimani. Também se ouvia “Morte aos Saúds” (a dinastia que reina na Arábia Saudita) e “Morte aos infiéis”.

    A televisão estatal falou de “vários milhões” de pessoas nas ruas e anunciou uma “ressurreição sem precedentes da capital iraniana”.

    O frenesi causado pela chegada dos restos mortais do general a Mashhad, ontem, obrigou as autoridades a anularem uma concentração prevista para acontecer à noite na capital.

    Irã x EUA
    Desde o assassinato do carismático militar, o mundo teme uma escalada da tensão no Oriente Médio. Teerã prometeu uma resposta “militar”, uma “dura vingança” que atingirá “o lugar certo na hora certa”.

    Embora a comunidade internacional tenha feito inúmeros apelos pela “desescalada”, “prudência” e “moderação”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parece ignorá-los.

    Ontem à noite, Trump reiterou que, se o Irã “fizer algo, haverá grandes represálias”.Trump também ameaçou impor sanções “muito fortes” contra o Iraque, depois que o Parlamento iraquiano votou uma resolução pedindo a retirada das tropas americanas em seu território. Já o Irã celebrou a decisão dos deputados.

    Assim como havia acontecido na véspera, na noite de domingo, vários foguetes caíram perto da embaixada americana na ultraprotegida Zona Verde de Bagdá. Segundo testemunhas, não houve vítimas.

    Neste contexto delicado, o Irã anunciou no domingo a “quinta e última fase” de seu plano de redução de compromissos em matéria nuclear. Informou ainda que vai se desligar de atender à obrigatoriedade de qualquer limite “ao número de suas centrífugas” de urânio.

    Este plano é uma resposta à retirada unilateral dos Estados Unidos, em maio de 2018, do acordo internacional sobre o programa nuclear, firmado em 2015, e ao restabelecimento das sanções econômicas contra Teerã.

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