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SAÚDE

Coronavírus | Moradores de Anápolis estão apreensivos com a chegada de brasileiros da China

34 brasileiros e estrangeiros serão repatriados da China, epicentro mundial do surto de coronavírus, para a base aérea da cidade goiana

Da redação com Uol

Com pouca informação e muita insegurança, moradores de Anápolis estão apreensivos com a chegada dos 34 brasileiros e estrangeiros a serem repatriados da China, epicentro mundial do surto de coronavírus, para a base aérea da cidade goiana. A previsão é que o grupo chegue no fim de semana.

A situação lembra o temor da população da região quando houve o acidente do Cesio 137, no ano de 1987 em Goiânia, destacou o presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o médico Antônio Barra Torres, que atuou na reação ao maior acidente radioativo ocorrido no país.

“Tive a oportunidade [à época] de ver a preocupação da sociedade, incertezas e medos”, disse ele na tarde de ontem, em entrevista na cidade Anápolis. “É totalmente justificável, é claro. O medo se instala quando não há a devida informação. E é justamente isso que nós estamos tentando sanar.”

Por enquanto, temor e reclamações pairam na cidade, misturados também com doses de resignação, calma e esperança entre moradores.

O UOL conversou com alguns deles na manhã de quinta-feira, pouco antes da entrevista de Torres, no centro da cidade goiana e nos bairros mais próximos da base aérea de Anápolis — onde os passageiros trazidos da cidade chinesa de Wuhan ficarão isolados por 18 dias e serão submetidos a exames médicos para descartar a contaminação do vírus que já matou mais 600 pessoas na China.

“Por que Anápolis?”
A ex-contadora e motorista de aplicativo Maria Sirlene Bastos, 47, se revoltou com o fato de a população não ter sido consultada antes da decisão do governo federal. O chaveiro Eurípedes Pereira, 66, reclamou de Jair Bolsonaro (sem partido): “Tem que levar lá para o presidente da República”. A Anvisa porém tenta tranquilizar os moradores da cidade.

Se tem um lugar difícil de no Brasil hoje para esse vírus adentrar, esse lugar esse se chama Anápolis
Antônio Barra Torres, presidente da Anvisa e almirante da Marinha

Maria Sirlene se queixa de ainda não ter uma explicação para a escolha de Anápolis. “Tinha outros lugares para eles irem, como Florianópolis”, disse em referência à cidade catarinense que chegou a ser cogitada pelo governo.

Na opinião da contadora Vanessa Lima Alves, 37, síndica de um condomínio ao lado da base aérea, Anápolis pode correr mais risco que outras cidades do Brasil. “Se houver uma epidemia, pode partir daqui, e nós seríamos os mais vulneráveis”, disse ela, que tenta porém evitar o alarmismo. Um morador que trabalha na base aérea tem passado informações à vizinhança.

O chaveiro Eurípedes Pereira, que trabalha na praça Bom Jesus, no centro da cidade, disse temer que os brasileiros que serão trazidos da China estejam com a doença, apesar de o governo ter estabelecido que só poderão embarcar nos aviões da FAB aqueles que não tiverem sintomas do coronavírus.

Pereira se diz assustado e vê risco de contaminação. “Por que trazer [o grupo] para Anápolis? Tem que levar eles para o presidente, para o Congresso.”

O prefeito de Anápolis, Roberto Naves, disse que a situação da população está “sob controle”. “Fomos prestando informações e as pessoas foram se acalmando”, disse ele ao UOL. Segundo Naves, a Anvisa prestou os esclarecimentos necessários ontem.

Imagem: catsO bairro Santos Dumont fica ao lado da base aérea de Anápolis. Na escola da comunidade, que atende 450 alunos, o diretor Wellington dos Santos, 42 anos, afirma que vai buscar acalmar os estudantes nesta sexta-feira (7). Ele vai buscar informações na Secretaria de Saúde antes de conversar com as crianças e adolescentes.

“Pelas informações que a gente tem, a contaminação só ocorre quando a pessoa está bem próxima à outra”, afirmou Santos.

Mas a estudante Kerry Kauane Bueno, de 14 anos, está preocupada. Para ela, é “lógico” que eles, moradores do Santos Dumont, estão mais sujeitos ao risco de contaminação pelo vírus em razão da proximidade da base aérea.

“Óbvio que tem um risco. [A base aérea] fica bem aqui do lado, o ar vem e passa para nós”, disse Kauane, que está no 9º ano. “Para mim, tem perigo, sim.”

A comerciante Alessandra Maria Alexandre, 40, dona de um mercadinho no bairro Santos Dumont, afirmou ser preciso acolher os repatriados por uma questão de empatia. Ela disse que, se estivesse no lugar deles, também iria querer fugir da China. “O país tem que acolher. Não pode amar o próximo só lá longe”, brinca ela.

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