02 de dezembro de 2020
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    A mais nova e perigosa ameaça das mudanças climáticas é o Tsunamis no Ártico

    Geólogos alertam que, com as mudanças climáticas, deslizamentos de terra e gelo seguidos de tsunamis devem se tornar maiores e mais frequentes em lugares como o Alasca

    Imagem: Tsunamis no Artico A mais nova e perigosa ameaça das mudanças climáticas é o Tsunamis no Ártico
    Reprodução

    Barry Arm é uma estreita entrada do mar na costa sul do Alasca. Esta pequena área, porém, representa hoje uma ameaça com potenciais catastróficos.

    Geólogos acreditam que as mudanças climáticas podem produzir ali um deslizamento de gelo e pedras capaz de provocar um tsunami na região.

    Este seria apenas um dos “possíveis efeitos devastadores” das mudanças climáticas no Alasca e em outras regiões do Ártico, segundo a pesquisadora Anna Liljedahl — e eles poderiam aparecer já nos próximos anos.

    A geóloga diz à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que a preocupação sobre o Barry Arm é muito grande porque ele poderia gerar um deslizamento muito maior do que todos os vistos no século 20.

    Ela acrescenta que a energia de um deslizamento de terra como este poderia exceder a de um terremoto de magnitude 7.

    rente a esses alertas, a Divisão de Estudos Geológicos e Geofísicos do Alasca expressou cautela e afirmou que monitora permanentemente possíveis movimentos de terra e deslizamentos na área.

    O órgão diz ainda que produz modelos para prever o tamanho que um tsunami poderia ter — e como se espalharia.

    O estreito de Barry Arm está localizado na Baía de Prince William Sound, no Golfo do Alasca.

    É uma área com presença frequente de pescadores e que, antes da pandemia, também recebia turistas em navios de cruzeiro.

    Um deslizamento de milhões de toneladas poderia acabar com essas atividades econômicas locais por tempo indeterminado, além de colocar centenas de vidas em risco.

    Steve Masterman, diretor da Divisão de Estudos Geológicos e Geofísicos do Alasca, lembra que o maior tsunami da história aconteceu no Alasca, em 1958, produzindo uma onda de 520 metros.

    Ele observa que as rochas liberadas naquela ocasião tinham apenas um décimo do tamanho de um deslizamento de terra hipotético em Barry Arm.

    O paulatino degelo do permafrost, camada de solo congelado existente em regiões como Alasca, Nordeste do Canadá, Groenlândia (Dinamarca) ou Sibéria (Rússia), é apontado como um dos principais fatores de risco para tsunamis.

    A geóloga ressalta que fazer uma previsão é complexo, pois é difícil fazer um diagnóstico do comportamento e condições dessa camada congelada, apesar das inúmeras simulações computacionais já feitas por pesquisadores.

    Liljedahl, assim como Masterman e um grupo de cientistas, escreveram uma carta pública no meio do ano alertando sobre o risco deste deslizamento de terra e de um tsunami.

    O Alasca não é a única região em perigo, explica a geólogo do Centro de Pesquisas Woods Hole.

    British Columbia, uma província no noroeste do Canadá, e a Noruega também enfrentam a possibilidade de deslizamentos de terra e tsunamis devido às mudanças climáticas.

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