31 de outubro de 2020
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    Escassez de alimentos do campo pode causar fome extrema no Peru

    Agricultores afirmam que não tiveram acesso a nenhum tipo de empréstimo durante à pandemia, e que estão sem dinheiro para a próxima safra

    Imagem: Alimento do campo Escassez de alimentos do campo pode causar fome extrema no Peru
    Reprodução

    O Peru pode sofrer uma crise alimentar em 2021 devido à escassez de produtos, depois que mais de 660.000 famílias de agricultores sofreram perdas de 7,5 bilhões de soles (quase R$ 11 bilhões), conforme advertiu nesta quinta-feira (8) a Conveagro (Convenção Nacional da Agro Peruana).

    O sindicato agrícola expressou em nota sua preocupação após ter sido descapitalizado para fazer frente à próxima safra e lamentou a falta de incentivos por parte do Estado para salvar a atividade agrícola durante a crise provocada pela pandemia da covid-19.

    “Precisamos entender que os alimentos não são produzidos em supermercados ou armazéns. Estamos colocando em risco a segurança alimentar do país. Hoje mais de 660 mil famílias não têm capital para plantar para a próxima safra”, disse o presidente da Conveagro, da Clímaco Cardenas.

    O dirigente sindical lembrou que o setor agrícola é produtor de mais de 70% dos alimentos consumidos no Peru, por isso considerou que os agricultores peruanos precisam urgentemente de empréstimos para salvar as campanhas de produção com vistas a 2021.

    “Nesse sentido, a capital Lima seria uma das primeiras regiões a sofrer o golpe pela falta de produção agrícola”, disse Cárdenas.

    “A situação de escassez nos levaria a um cenário em que teríamos que recorrer principalmente à importação de produtos e, como se sabe no contexto da pandemia, isso nos tornaria dependentes da disponibilidade e dos preços do mercado mundial de alimentos”, afirmou.

    Esperando empréstimos

    Cárdenas destacou que a única medida importante levada a cabo pelo Governo para apoiar o sector agrícola face à situação actual tem “um avanço ridículo de apenas 1%”.

    “No dia 8 de julho, o presidente Martín Vizcarra promulgou um decreto emergencial de 2.000 milhões de soles (R$ 3 bilhões) como fundo garantidor do Fundo de Amparo às Empresas do Setor Agrário (FAE AGRO)”, explicou Cárdenas.

    “É uma pena que, depois de três meses, apenas 1% desse fundo tenha sido leiloado para poder colocá-lo em condição de crédito para os agricultores. Até o momento, nenhum crédito foi colocado no setor agrícola”, afirmou.

    Indicou também que o Banco de Desenvolvimento do Peru (Cofide) concedeu nos últimos dias os primeiros 20 milhões de soles (R$ 31 milhões) do programa a favor de apenas 9 entidades (instituições financeiras e de crédito) que conseguiram ser autorizadas.

    Cárdenas destacou que esta situação só poderia atender cerca de 25.000 famílias, o que deixaria mais de 2 milhões de famílias excluídas e em incertezas.

    Agricultores afirmam que sem os empréstimos capitais ficariam desabastecidas

    Leis em tramitação

    O alerta de Conveagro vem poucos dias antes da próxima sexta-feira, 16 de outubro, será realizada, por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, a segunda sessão plenária agrária do Congresso Peruano, onde será solicitada a aprovação de um conjunto de leis em a favor do setor agrícola.

    O Peru é um dos países mais afetados pela pandemia covid-19, pois possui a maior taxa de mortalidade do mundo com uma morte por coronavírus por mil habitantes e é o sétimo globalmente em casos confirmados com mais de 833.000 infecções acumulado.

    O confinamento rigoroso e prolongado não serviu para conter o vírus em seu caminho, que continuou se expandindo enquanto a economia entrava em colapso, cujas projeções são de fechar o ano com uma recessão de 12% do produto interno bruto (PIB).

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