22 de outubro de 2020
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    IRMÃOS ARAÚJO

    Mais de 20 anos depois do crime, Juiz decreta prisão de Mônica Marchett

    Ela está foragida, já que não foi encontrada em nenhum dos endereços apontados

    Imagem: Monica Marchett Mais de 20 anos depois do crime, Juiz decreta prisão de Mônica Marchett
    Monica Marchett – Foto: Arquivo Pessoal

    Depois de mais de 20 anos de um crime que chocou o município de Rondonópolis, o juiz da 1º Vara criminal do município, Wagner Plaza Machado Junior, decretou nesta quinta-feira (08) a prisão da empresária Mônica Marchett, acusada de mandar matar os irmãos Araújo. O crime aconteceu no centro da cidade a motivação foi uma disputa de terra.

    De acordo com o advogado Gustavo Medeiros de Araújo, que é neto de uma das vítimas e assistente de acusação do caso, em maio de 2018, por entender que não havia provas suficientes contra a empresária, o Tribunal decidiu pela impronúncia de Mônica e com isso foi encerrada a ação contra ela, porém, novos fatos vieram em junho de 2018 com o julgamento do ex-policial militar, Célio Alves de Souza, um dos assassinos confesso dos irmãos.

    - Foto: Varlei Cordova / AGORA MATO GROSSO
    O ex-soldado da Polícia Militar (PM), Célio Alves de Souza, foi condenado a 24 anos e oito meses de prisão – Foto: Varlei Cordova / AGORA MATO GROSSO

    Célio, durante sua confissão, contou detalhes de como o crime aconteceu e apontou mais uma vez os empresários do agronegócio, Sergio Marchett e a filha Mônica Marchett como sendo os mandantes do crime.

    Com as novas provas e um pedido de rejugamento, o desembargador entendeu que esse era o caso de uma nova denúncia.

    Em dezembro de 2019 a nova denuncia foi oferecida e a empresária citada por carta precatória e por edital, não sendo encontrada em nenhum dos endereços fornecidos e nem no endereço comercial após várias tentativas.

    Com isso, foi decretada a prisão preventiva e ela apontada como foragida da justiça.

    Na decisão, o juiz salientou que essa é uma tentativa de frustar a instrução criminal e fugir à aplicação da lei “É público e notório que a acusada Mônica está foragida desta cidade há muitos anos, inclusive na ação penal anterior fora declarada não só sua revelia, como também reconhecida como foragida”.

    O juiz determinou ainda a antecipação de provas no caso para o dia 02 de dezembro de 2020 às 14h, levando em consideração a necessidade e urgência das provas.

    Imagem: Justiça decreta prisão de empresário do agronegócio Sérgio Marchett O Livre
    Sérgio João Marchett – Foto: reprodução

    O pai dela, Sérgio João Marchett, teve a punibilidade extinta pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em novembro de 2019 em função da prescrição do prazo entre a denúncia do Ministério Público Estadual e a sentença de pronúncia, que determinou a realização de um júri popular.

    Normalmente, o prazo para a prescrição processual para o crime de homicídio é de 20 anos, mas esse prazo cai pela metade quando o réu tem mais de 70 anos, como é o caso de Sérgio Marchett.

    O CRIME 

    O primeiro crime aconteceu no dia 10 de agosto de 1999, onde Brandão foi surpreendido pelo pistoleiro Hércules Araújo Agostinho (Cabo Hércules), e executado a tiros de pistola em pleno centro de Rondonópolis. O segundo crime foi em 28 de dezembro de 2000, onde José Carlos foi executado, também a tiros de pistola 9 mm, no estacionamento da agência central do Banco Bradesco, no Centro da cidade. Nos dois crimes, Célio Alves ajudou o pistoleiro Hércules Agostinho.

    De acordo com as provas, os assassinatos foram motivados pela disputa judicial de uma fazenda de 2.175 hectares. O pistoleiro confesso, e já condenado, Hércules de Araújo Agostinho, apontou como mandantes dos crimes os proprietários da Agropecuária Marchett LTDA, Sérgio João Marchett e sua filha Mônica Marchett, a qual inclusive chegou a ficar presa por alguns dias.

    Uma das provas que incriminam diretamente os mandantes foi a transferência de um veículo Gol, de propriedade da empresa “Mônica Armazéns Gerais LTDA” para um dos executores, o ex-soldado PM Célio Alves, dado como forma de pagamento pelas mortes, sendo que o pistoleiro reconheceu o escritório da empresa como o local onde foram pegar a documentação do veículo.

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