23 de novembro de 2020
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    MATO GROSSO EM REDE

    Parceria possibilitará sapataria itinerante para atender pacientes de hanseníase

    Termo de Cooperação entre SES e Alliance Against Leprosy foi assinado nesta segunda-feira (16) e permitirá a implementação de diversos serviços previstos no projeto Mato Grosso em Rede

    Uma parceria entre a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) e o instituto Alliance Against Leprosy – em português “Aliança Contra a Hanseníase” – possibilitará a disponibilização de uma sapataria móvel itinerante em Mato Grosso. O serviço facilitará o acesso de pacientes do interior do Estado acometidos pela hanseníase às órteses-sapatos, próteses, trocas e adaptações de palmilhas.

    A parceria com o instituto foi firmada nesta segunda-feira (16) durante assinatura do Termo de Cooperação Técnica em prol do projeto “Mato Grosso em Redes: Cuidado Integral em Hanseníase”.

    “A iniciativa é um marco para Mato Grosso, que é considerado um Estado hiperendêmico. Já fazemos o cofianciamento de municípios que realizam o atendimento desses pacientes, mas não podemos pensar somente na Atenção Primária. Precisamos fortalecer também o trabalho de reabilitação, pois grande parte desses pacientes têm sequelas físicas e esse projeto vai ao encontro disso, contribuindo para o atendimento especializado”, avaliou a secretária adjunta executiva de SES, Danielle Carmona.

    Além da sapataria itinerante, haverá a oferta de teleconsultorias e tele interconsultas médicas desenvolvidas por médicos especialistas em hansenologia disponibilizados pela Aliança, garantindo suporte especializado aos pacientes e capacitações para os profissionais da Atenção Primária à Saúde via Programa Telessaúde MT.

    Para a médica especialista e presidente do Aliança Contra a Hanseníase, Laila de Laguiche, Mato Grosso está no caminho certo porque escolheu encarar a hanseníase que, segundo ela, é uma doença que desafia a saúde pública por ser transmissível, crônica, exigir reabilitação e cirurgia reparadora.

    “Queremos fazer de Mato Grosso um estado modelo de atendimento em redes para pessoas acometidas pela hanseníase no país. Quando me foram apresentados os serviços de Telessaúde, que já existe no Estado, e a carreta itinerante, concluí que Mato Grosso está no caminho certo, porque por princípio o paciente com incapacidade física tem dificuldade para locomoção. Então, com essa Rede de Cuidado vamos incrementar a reabilitação no Estado”, pontuou Laila.

    Após a assinatura do documento, Laila visitou o Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac) e Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), onde foram discutidos os panoramas da hanseníase em Mato Grosso e a explanação do projeto.

    Na terça-feira (17), a presidente do instituto estará com uma equipe da SES em Alta Floresta, onde irá visitar o Ambulatório de Atenção Especializada Regionalizado em Hanseníase (AAER) da cidade – um dos seis cofinanciados pela SES – e se reunirá com os profissionais do Escritório Regional de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde. O encontro tem o objetivo de discutir a hanseníase na região, tendo como foco as incapacidades físicas.

    Projeto piloto

    A primeira cidade a ser percorrida pela carreta será Alta Floresta. O município foi escolhido devido à presença de um profissional hansenólogo especialista na área, por ter um trabalho já consolidado realizado pelo AAER e por ser a primeira cidade do Estado a ter representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

    De início, o instituto Aliança Contra a Hanseníase já disponibilizou uma técnica terapeuta ocupacional de São Paulo para ser consultora na implementação da sapataria híbrida digital, que funcionará por meio da carreta. Devido aos recessos de fim de ano, a previsão é que a carreta inicie os atendimentos em 2021.

    O projeto

    O projeto prevê ainda a implantação do fluxo de cuidados e o fluxo de regulação nas 16 regiões de saúde, o desenvolvimento de um software de gestão do cuidado para acompanhamento do itinerário e rastreabilidade das pessoas acometidas pela hanseníase e a criação de mais ambulatórios – atualmente existem seis.

    Em Mato Grosso, o projeto é coordenado pela Coordenadoria de Atenção às Doenças Crônicas da SES e também conta com o apoio das superintendências de Atenção à Saúde, Gestão Regional Vigilância em Saúde, Atenção Especializada, Regulação, Núcleo Técnico Científico de Telessaúde-MT, Escola de Saúde Pública e as unidades assistenciais Cermac, Cridac, AAER e Escritórios Regionais de Saúde.

    “O Estado tem o Cermac, Cridac e seis referências em hanseníase espalhadas nas regiões para fazer o acompanhamento oportuno daqueles casos que extrapolam o perfil de assistência de atenção primária e que necessitam de cuidados especializados, mas ainda assim é preciso continuar aprimorando os serviços prestados”, destaca a coordenadora de Atenção às Doenças Crônicas da SES, Ana Carolina Landgraf.

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