23 de abril de 2021
Mais
    Capa Destaques Médico que presidiu Constituinte Municipal está aposentado e longe da política
    ESPECIAL ANIVERSÁRIO

    Médico que presidiu Constituinte Municipal está aposentado e longe da política

    Médico pediatra Luiz Carlos Aranha Prietch foi secretário e vereador e ajudou implantar programas pioneiros em Rondonópolis

    O médico pediatra aposentado e agora escritor Luiz Carlos Aranha Prietch, ou simplesmente Dr. Priti, como ficou conhecido em outras épocas na cidade, é hoje em dia um cidadão anônimo que aproveita dos frutos de uma vida toda de trabalho e o seu merecido descanso. Mas em outras épocas, ele foi figura de destaque na sociedade rondonopolitana, tendo sido secretário de Saúde, sendo o responsável pela implantação da política de agentes comunitárias de saúde e da elaboração da então chamada “Constituinte” de Rondonópolis, como ficou conhecida inicialmente a Lei Orgânica municipal, entre outras ações relevantes.

    Imagem: Prietch1 Médico que presidiu Constituinte Municipal está aposentado e longe da política
    O ex-vereador posa ao lado do local onde estava sendo iniciada a obra do futuro Hospital Regional – Foto Arquivo Pessoal

    Hoje com 76 anos, Prietch conta que chegou na cidade no ano de 1973, recém-formado, e inicialmente montou uma clínica pediátrica com os amigos Ariel e Mário Perrone, também pediatras, na qual permaneceu trabalhando por vários anos, até que em 1983, com a vitória e posse de Carlos Bezerra para a prefeitura, ele foi convidado para ser secretário municipal de Saúde, tendo iniciado um trabalho de educação em saúde, quando de vez se encantou pela saúde pública, dedicando os próximos anos a implantar programas pioneiros no país, como as agentes comunitárias de saúde, inspiradas no modelo cubano de saúde da família, entre outros.

    Foi dessa época também a implantação dos primeiros Programas Saúde da Família (PSF) e de outras políticas públicas da área da saúde que perduram até os dias de hoje. Por conta desse sucesso como secretário, ele acabou eleito vereador, quando então presidiu a então chamada “Constituinte Municipal”, que elaborou a Lei Orgânica, que é o equivalente municipal da Constituição Federal.

    Imagem: Prietch2 Médico que presidiu Constituinte Municipal está aposentado e longe da política
    Aqui, Prietch aparece ao lado dos também ex-vereadores Claudino Marin e Marlene Souza Oliveira Santos – Foto Arquivo Pessoal

    Foi ele também que primeiro falou na possiblidade da construção do Hospital Regional de Rondonópolis, no período em que foi presidente do Polo Regional de Saúde, quando o já governador Carlos Bezerra gostou da ideia e começou a articular recursos para que a unidade de saúde que atende a todos os municípios da região pudesse ser viabilizado, o que só aconteceria no governo seguinte, do já falecido Dante de Oliveira. “Nós tínhamos uma porção de hospitais improvisados em casas, como o São Marcos, o Samaritano. Alguns até eram construídos para serem hospitais, mas sem aquela modernidade ou especialização que precisávamos”, contou.

    Como esses pequenos hospitais, todos particulares, foram falindo e desaparecendo ao longo do tempo, isso acabou sobrecarregando o sistema público de saúde, dificultando o atendimento de todo esse contingente de pessoas doentes, muitas carentes de consultas e pequenas intervenções cirúrgicas. Foi a partir daí que ele pensou na criação de uma estrutura que desviasse parte dessa demanda e evitasse a superlotação dos hospitais existentes, de onde surgiu a Policlínica da Vila Itamaraty, que existe até hoje.

    Mas apesar da importância dos trabalhos na área da saúde, Prietch não conseguiu êxito nas urnas, não se reelegendo como vereador, e como foi aos poucos se decepcionando com a política, ele acabou se afastando da vida pública e voltou para o seu trabalho de médico. “Infelizmente, os políticos usam muito os idealistas, e eu era muito idealista. Levei cada coisa na cabeça. Eu senti que estava sendo usado e aí eu falei: sabe de uma coisa, retornei para a minha pediatria”, conta, entre risos.

    Aposentado desde 2014, ele conta que hoje cuida de algumas casas que adquiriu graças ao trabalho como médico e já está anos afastado da vida política, se dedicando a escrever seu segundo livro, que diz estar em fase de revisão e que deve ser publicado em breve.

    Sobre Rondonópolis, cidade que hoje completa 67 anos e onde escolheu viver e construir sua história, Luiz Carlos Prietch é enfático em afirmar que sempre gostou daqui e que nunca pensou em viver noutro lugar. “Eu gosto daqui por uma razão: eu sou agradecido, porque aqui eu formei a minha família, profissionalmente foi aqui que eu me fixei. Só por essas duas coisas, por agradecimento, eu tenho que gostar de Rondonópolis, e gosto. Eu acho que é uma cidade promissora, que tende a crescer num ritmo bom, tem um potencial econômico bom. As pessoas falam que falta lazer, mas isso é relativo. Eu quando amanhece vou para o Cais, vejo os passarinhos, aquele verde todo, o rio. Tem lazer sim. Foi aqui que fiz meus amigos e aqui que eu quero ficar”, concluiu.