13 de março de 2021
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    ‘Superfungo’ em alerta no Brasil preocupa, mas não é ameaça como covid-19, diz infectologista

    A Anvisa emitiu alerta na segunda-feira (7/12) sobre a possível chegada da Candida auris ao Brasil, que segundo o médico Alessandro Pasqualotto preocupa por seu potencial de gerar surtos localizados em hospitais e outros ambientes

    Imagem: fungo 'Superfungo' em alerta no Brasil preocupa, mas não é ameaça como covid-19, diz infectologista
    A Candida auris foi descrita pela primeira vez em 2009 e já infectou pessoas em mais de 30 países
    Science Photo Library/BBC NEWS BRASIL

    Um homem hospitalizado na Bahia com covid-19 possivelmente foi infectado também por um fungo, tornando-se o provável primeiro caso de adoecimento por Candida auris no Brasil.

    Ao emitir um alerta na segunda-feira (7/12) sobre a possível chegada da Candida auris ao Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que trata-se de um “fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública”. Descoberto em 2009, o fungo já se alastrou por mais de 30 países e causa preocupação por ser “multirresistente” a medicamentos e fatal em cerca de 39% dos casos.

    Possivelmente vítima de duas novas doenças, uma causada por um vírus e outra por um fungo, o paciente baiano representa um futuro em que estaremos mais vulneráveis a patógenos que evoluem para nos infectar com maior eficácia e que ultrapassam todas as fronteiras, explica o médico infectologista Alessandro Comarú Pasqualotto, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

    Em 2019, ele escreveu um texto, junto com a médica Teresa Cristina Sukiennik, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, e com Jacques F. Meis, pesquisador na Holanda que vem se dedicando ao estudo do novo fungo, dizendo no título que a chegada do fungo ao país era só uma questão de tempo: “O Brasil está até agora livre da Candida auris, ou estamos perdendo algo?” (no original em inglês: “Brazil is so far free from Candida auris. Are we missing something?”).

    Ainda que haja muitas semelhanças entre as duas novas doenças, Pasqualotto, que fez doutorado sobre fungos do gênero Candida, explica como devemos encarar as notícias sobre a Candida auris em plena pandemia de coronavírus.

    “Embora ela seja muito resistente e preocupante, não sei se a Candida auris vai chegar ao ponto de infectar muita gente”, explica o médico, à frente dos laboratórios de biologia molecular e micologia da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e membro da Confederação Europeia de Micologia Médica (FECMM, na sigla em inglês).

    “Em termos globais, ainda são poucos os casos. Não é porque temos a suspeita de um caso no Brasil que temos que fechar as fronteiras. Mas, dada a sua resistência, existe sim um alerta, porque (o fungo) pode causar surtos em pequenos núcleos, como no ambiente hospitalar.”