19 de abril de 2021
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    MILITARIZAÇÃO NO ENSINO

    “Polícia deve combater violência e deixar escola para os educadores”

    Deputada que no momento em que polícia entra na escola, educadores perdem a autoridade

    Imagem: Rosa Neide
    A deputada federal Rosa Neide, que é contra militarização nas escolas Foto: Reprodução

    A deputada federal Rosa Neide (PT) criticou as propostas que visam à ampliação das escolas militares em Mato Grosso, assunto que vem sendo defendido no Estado.

    A parlamentar afirmou que o Brasil é o único País no mundo onde existem projetos desta natureza. Segundo ela, não cabe à polícia exercer o papel que compete aos professores.

    “O papel da polícia é no entorno, combater o tráfico, a violência, cuidar para que os alunos cheguem e saiam com tranquilidade. Dentro da escola o papel é da escola. Seria o mesmo que querer colocar o policial no lugar dos médicos ou qualquer outra profissão”, argumentou.

    “Respeito a polícia, ela tem um papel preponderante. Agora, fui formada, fiz mestrado para ser professora. Quanta violência tem nos bairros, quantos casos de feminicídio, porque não a polícia cuida disso? Quero a polícia parceira da escola, mas o papel da escola é papel dos educadores”, acrescentou ela.

    A deputada também rebateu alegações dando conta de que as escolas militares no Estado possuem os melhores desempenhos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

    Essa foi, inclusive, uma das alegações feitas em entrevista recente do secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, ao defender a militarização.

    Segundo Rosa Neide, esse cenário ocorre uma vez que as escolas militares fazem uma seleção para o ingresso de alunos, a exemplo do que ocorrem nos institutos federais.

    “Os melhores IDEBs são dos institutos federais e lá não tem polícia. Tem boa estrutura de prédio, bons professores, profissionais de carreira e com boa formação. Isso já dá diferença”, disse.

    “Agora, a escola pública é inclusiva, todos chegam, ninguém separa ninguém e por isso ela paga o preço de ser comparada. É comparar alunos selecionados de alunos iguais”.

    A deputada disse ainda que, desde quando ocupou a secretaria de Estado de Educação o assunto já era debatido.

    “Tínhamos parceria da Polícia Militar e Civil com a Seduc. Pessoas muito renomadas da polícia que trazíamos para discutir o assunto, pesquisadores. Eles sempre disseram: ‘no momento em que polícia entra na escola, os educadores perdem a autoridade. Os alunos só olham a autoridade de quem está fardado”, concluiu a deputada.