08 de abril de 2021
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    Anvisa inicia processo para incluir agronegócio na produção de vacinas

    Audiência pública mostra que o Brasil tem capacidade de produzir um volume significativo de vacinas em prazo de 90 dias

    Imagem: reuniao Anvisa inicia processo para incluir agronegócio na produção de vacinas
    Audiência no Senado – Foto: Assessoria

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) já notificou quatro empresas que fabricam produtos para saúde animal interessadas em produzir o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para produção de vacinas contra a Covid-19. A proposta de utilização dessas plantas industriais foi apresentada pelo senador Wellington Fagundes (PL-MT), relator da Comissão Temporária do Senado, e discutida amplamente nesta quinta-feira, 8, em audiência pública.

    Segundo a diretora Meiruze Souza Freitas, foi solicitado aos laboratórios, vinculados ao Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Saúde Animal (Sindan), uma primeira avaliação sobre capacidade e estrutura de produção. A ANVISA pediu ainda relatórios internos de auditoria. “De forma que a gente faça uma avaliação prévia, para posterior visita in loco se necessário” – disse a diretora, durante debates na Comissão do Senado.

    “No momento, a Anvisa aguarda as informações dessas empresas para continuar o andamento do processo. Já nos reunimos com o Ministério da Agricultura. A partir desse primeiro mapeamento, teríamos uma ideia da necessidade de adequações ou não, em especial também envolvendo o setor farmacêutico do Brasil, colocando essas empresas em contato, já agendando reuniões envolvendo os dois setores, em especial também o setor de laboratórios nacionais” – ela explicou, ante os questionamentos feitos pelo relator.

    Entre as plantas laboratoriais com classificação NB3+ que podem, com pequenos ajustes, produzir vacinas contra a Covid-19, estão a Merck & Co. ou Merck Sharp & Dohme, empresa farmacêutica, química e de ciências biológicas global presente em 67 países; Ceva Brasil, que dispõe de quatro centros internacionais principais, com 19 centros regionais de produção pelo mundo, e a Ouro Fino, que exporta produtos para vários países.

    Na audiência no Senado, o diretor-executivo do Sindicato das Indústrias, Emílio Salani, informou que a entidade já fez o levantamento de todas as empresas que estão com disponibilidade para produzir vacinas inativadas contra coronavírus e que informações já foram disponibilizadas ao Ministério da Agricultura e à ANVISA. Ele reafirmou que “vencidas essas barreiras iniciais”, as empresas reúnem condições e experiência possíveis de colocar, em menos de 90 dias, IFAs para que sejam envasados.

    “Nós temos capacidade de produzir um volume significativo de vacinas. Iniciamos agora, em maio, uma vacinação contra a aftosa de 200 milhões de doses. Essa vacina já está produzida. Conseguimos não só produzir como distribuir. Se considerarmos as quatro vacinas obrigatórias do Ministério de Agricultura, nosso volume anual é em torno de 600 a 700 milhões de doses distribuídas e indivíduos vacinados” – ele enfatizou.

    Para discutir a transferência de tecnologia para produção de vacinas, além da ANVISA com a presença do presidente Antônio Barra Torres e da diretora Meiruze Freitas, participaram da audiência o diretor-presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas; a diretora da Fundação Oswaldo Cruz, Nisia Trindade Lima; Marcelo Morales, Secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações; Maximiliano Arienzo, do Ministério das Relações Exteriores; e . Delair Ângelo Bollis, presidente do Sindan.

    Julgamento da História

    “Não podemos, de forma alguma, negligenciar essa oportunidade, sob pena de entrarmos para a história como pessoas que nada fizeram para ajudar quando o povo estava morrendo” – disse o senador Wellington Fagundes, ao defender agilidade nos procedimentos para que o Brasil possa, recebendo a tecnologia prevista nos contratos de aquisição de insumos, iniciar a produção de vacina.

    O relator da Comissão do Senado afirmou que o trabalho persistirá “em busca vacina onde estiver, para, em curto prazo, termos um alento para que não cheguemos ao final do mês com essa marca de 100 mil mortos no Brasil, e que não atinjamos, também, em julho, 562 mil mortes, ainda podendo essa situação ser ultrapassada com a presença de mutações”, advertiu o senador. Segundo Wellington, é fundamental insistir no único caminho disponível e viável, que é a produção própria de vacinas, recomendada inclusive pela Organização Mundial de Saúde. (OMS).