08 de maio de 2021
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    CRIME NA SANTA CASA

    Juiz vê “perda profissional” e manda soltar enfermeira que furtou testes Covid

    Faleiros observou ainda que a profissional não possui antecedentes criminais

    Imagem: Marcos Faleiros 1 Juiz vê “perda profissional” e manda soltar enfermeira que furtou testes Covid
    O juiz Marcos Faleiros, que determinou a soltura – Foto: Reprodução

    O juiz plantonista do Tribunal de Justiça, Marcos Faleiros, determinou a soltura da enfermeira presa pela Polícia Civil na madrugada de domingo (11) por peculato. Ela estava furtando kits utilizados para testagem da Covid-19 do Hospital Estadual Santa Casa.

    A soltura ocorreu ainda no domingo, após a profissional passar por audiência de custódia.

    Na ocasião, o Ministério Público Estadual (MPE) se manifestou pela homologação da prisão e conversão em flagrante.

    O juiz Marcos Faleiros, por sua vez, admitiu que os fatos são “extremamente graves”, mas entendeu que não seria o momento de manter a prisão, dada a situação de grave crise sanitária que Mato Grosso atravessa.

    “Vale ressaltar que é notória a comoção social com relação a casos similares, envolvendo crimes semelhantes praticados em momentos de pandemia”, observou o magistrado, em trecho da decisão.

    “Entretanto, apesar dos fatos serem extremamente graves, entendo que neste momento atual que vivenciamos seria prejudicial a perda de uma profissional com 11 anos de experiência que poderá estar salvando vidas, laborando na linha de frente do combate à Covid”, acrescentou.

    Faleiros observou ainda que a enfermeira não possui antecedentes criminais, sendo este, um “fato isolado” em sua vida.

    Também conforme o juiz, não há indícios de que, em liberdade, a enfermeira prejudicar a coleta de provas ou o andamento das investigações.

    “Assim, tenho que a autuada nãos e apresenta, neste momento, como um risco para a sociedade, motivo pelo qual não se verifica qualquer outra situação que possa justificar a prisão cautelar da mesma, de modo que se impõe que seja concedido benefício da liberdade provisória”, determinou.

    Ao conceder liberdade a enfermeira, Faleiros determinou que ela se apresente à Santa Casa para trabalhar na linha de frente da pandemia. E, caso dispensada, deverá procurar outra unidade que esteja atuando no tratamento da doença.

    A prisão

    A prisão da enfermeira ocorrei após denúncia encaminhada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

    Policiais compareceram à Santa Casa e encontraram os itens roubados na bolsa da enfermeira. Entre eles: 25 cotonetes em um envelope plástico lacrado; um frasco de reagente; 25 frascos para pipetagem; dois equipos macro gotas; dois equipos dupla via; quatro cateteres nasais tipo óculos de oxigênio e vários cateteres intravenosos de marcas diversas.

    Todos os materiais eram de propriedade do hospital e continham códigos de controle interno da farmácia da unidade.

    Segundo a direção da Santa Casa, nenhum servidor tem autorização para sair com medicamentos ou instrumentos de trabalho da unidade.