16 de maio de 2021
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    Mãe, a primeira experiência de amor

    Sirlei Theis é advogada, palestrante e com formação em Coaching com Psicodrama, Treinamento Comportamental, Constelação Familiar e às sextas-feiras escreve para coluna Agora Mulher

    Imagem: Sirlei
    Sirlei Theis – Foto: Divulgação

    A primeira experiência com o amor que temos é com a nossa mãe. Seja para o bem ou para o mal. Ela é a referência de mulher que levamos para a vida, inclusive é com ela que aprendemos nosso primeiro modelo de amor, ao observarmos a forma com que ela se relaciona com o marido, nosso pai.

    É na infância, que criamos os parâmetros de amor e relacionamentos que levamos para a vida adulta e nem sempre colhemos informações positivas no que presenciamos.

    É na infância também que projetamos uma mãe ideal, quase uma super-heroína, e quando a mãe real não corresponde as nossas expectativas, podemos desenvolver um processo de rejeição a nossa mãe.

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    Foto: Banco de Imagens

    Pela minha experiência, em meus atendimentos, observo que quando se trata de mãe e filha, o processo de rejeição e abandono tem sido muito mais intenso e, mesmo havendo essa rejeição ao comportamento da mãe, muitas mulheres acabam repetindo em sua vida e relacionamentos as mesmas atitudes e escolhas da mãe. Dificuldades em se relacionar com os homens em razão de crenças que estão enraizada naquele sistema familiar feminino do tipo: “não se deve confiar nos homens”, “homens são fracos”, “homens são todos iguais” ou “casamento é assim mesmo”.

    É muito comum nos meus atendimentos identificar que as mulheres que tem dificuldade de se relacionar terem problemas de relacionamentos com suas mães, por mais que na maioria das vezes elas não queiram admitir que repetem exatamente aquilo que não gostam em suas mães.

    São em sua maioria, mulheres que presenciaram na infância ou adolescência suas mães ou avós sofrerem em relacionamentos tóxicos ou abusivos ou ainda quando não, cresceram ouvindo-as criticando os seus maridos ou companheiros.

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    Por mais que na maioria das vezes elas não queiram admitir, filhas repetem exatamente aquilo que não gostam em suas mães – Foto: Banco de Imagens

    O mecanismo por trás disso é complexo e, em diversos casos, ocorre de forma inconsciente por desconhecerem ou por rejeitarem a história das mulheres dos seus sistemas familiares, a começar pela mãe, quando adultas se comportam de forma semelhante ou idêntica.

    É como se elas inconscientemente, por fidelidade a suas mães e demais ancestrais, não se sintam merecedoras de um destino diferente. É como se dissessem: “se a minha mãe foi traída, foi abandonada grávida, foi submissa ou sofreu abusos em seus relacionamentos, eu não posso fazer diferente”, preciso seguir os mesmos passos de sofrimento e infelicidade dela.

    E é assim que os padrões no sistema familiar feminino vão se repetindo de geração em geração e elas vão atraindo para as suas vidas, homens que as traem, que as abandonam, que são abusivos ou opressores.

    Outras mulheres, por terem sentido muita raiva de seus pais e pena de ver suas mães suportando relacionamentos abusivos por longos anos, sem terem conseguido se separar, em razão de dependência emocional ou financeira, acabam descontando nos seus companheiros atuais. De certa forma, buscam fazer justiça em nome das suas ancestrais, vingando-se dos homens de uma forma em geral. Um modo inconsciente de amor e lealdade ao sistema familiar, que as impede de construir relacionamentos felizes.

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    importante conhecer a história da sua vida, dos seus pais, avós para entender melhor a história da sua vida – Foto: Banco de Imagens

    Para se libertar desses emaranhamentos sistêmicos e romper com esses ciclos que se repetem, é preciso em primeiro lugar entrar em sintonia com o próprio destino. Para isso é importante conhecer a história da sua vida, dos seus pais, avós para entender melhor a história das gerações passadas e se há padrões repetitivos na família.

    Outra forma de você identificar esses padrões repetitivos e realizar os desemaranhamento, é a constelação familiar, uma técnica terapêutica, desenvolvida pelo psicoterapeuta alemão Berth Hellinger, onde em uma sessão, você consegue acessar as informações que estão no oculto do seu sistema Familiar.

    O importante é não se acomodar, não se dar por vencida e tão pouco aceitar tudo como parte do destino, carma ou vontade de Deus.

    Para cada problema existe uma saída, para cada solidão um amor, para cada lágrima um sorriso e para cada pergunta uma resposta.

    Não aceite menos que a excelência. Você tem todo o direito de ser feliz.