10 de maio de 2021
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    HOSPITAL REGIONAL

    Pacientes relatam sofrimento ao lado de UTIs inativas

    O deputado estadual Delegado Claudinei Lopes também teve a entrada impedida hoje no Hospital Regional

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    Pacientes que já deveriam estar em UTIs sofrem enquanto os leitos não são abertos –  Foto: Você Repórter

    Pacientes agonizando ao lado de equipamentos modernos que poderiam aliviar a dificuldade de respiração causada pela Covid-19. Este é o cenário dentro do Hospital Regional Irmã Elza Geovanella, que está localizado em Rondonópolis e serve como referência para 19 municípios da região sudeste de Mato Grosso.

    A situação poderia ser diferente se os 20 novos leitos de UTI já estivessem funcionando, mas segundo o secretário Estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, não há previsão da data em que isso ocorrerá.

    A situação foi confirmada por relatos e fotos encaminhadas ao portal AGORA MT por pessoas que estiveram no hospital. O quadro também é exposto em vídeos que desde ontem circulam em grupos de WhatsApp e outras redes sociais.

    “Estava tudo pronto para funcionar. Os médicos de plantão, as equipes de enfermagem e de fisioterapia estavam aqui. Mas veio uma ordem dizendo que os leitos não seriam abertos e os profissionais foram dispensados”, disse uma enfermeira.

    Outros funcionários do Hospital Regional fizeram declarações semelhantes, sem esconder a frustração por não poder oferecer um atendimento melhor aos pacientes.

    “Estamos dando o nosso máximo e é muito triste ver pessoas passando por um sofrimento que poderia ser evitado”, afirma outro profissional.

    SITUAÇÃO ATUAL

    Rondonópolis tem hoje 40 leitos de UTI e todos estão ocupados. São 20 na Santa Casa, 10 no Hospital Municipal Antonio Muniz e outros 10 no próprio Hospital Regional.

    Conforme informações da Secretaria Municipal de Saúde, 17 pacientes em estado grave estão na fila aguardando internação em leitos de UTI.

    AUTORIDADES
    Na sexta-feira (9) o secretário municipal de Saúde, Vinicius Amoroso, acompanhado de outros servidores e também dos vereadores Reginaldo Santos e Marildes Ferreira chegaram a ocupar a ala das novas UTIs para cobrar a abertura dos leitos. Eles foram retirados do local, mas mantiveram uma vigília que prosseguiu até hoje do lado de fora.

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    O deputado estadual Claudinei Lopes foi impedido de entrar; vereadores e o secretário municipal de Saúde tiveram o mesmo tratamento – Foto: AGORA MT

    Os vereadores estão se revezando e prometem permanecer na frente do hospital até que os novos leitos entrem em funcionamento.

    “O que está acontecendo aqui é um absurdo. Mantém os leitos parados, impedem a entrada de autoridades e não dão informações. Queremos uma resposta”, disse o vereador Paulo Schuh (DC).

    Pela manhã, o deputado estadual Claudinei Lopes (PSL) também esteve no local e não conseguiu entrar. Foi barrado na portaria e, por telefone, cobrou explicações da direção do hospital e da Secretaria Estadual de Saúde.

    Ainda neste sábado, um representante da empresa que venceu a licitação para operar os novos leitos chegou ao hospital para uma reunião com a diretoria. A imprensa e as autoridades não tiveram autorização para acompanhar o encontro.

    Extraoficialmente, a informação é de que a empresa iria protocolar um novo documento, confirmando o cumprimento das normas do edital – inclusive a contratação dos médicos e demais profissionais que atuarão nos novos leitos.

    RESPOSTA DO ESTADO

    Sobre a situação, o governo de Mato Grosso se manifestou por meio de uma nota emitida à imprensa.

    Leia na íntegra:

    A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) esclarece que é mentirosa a informação de que o Hospital Regional de Rondonópolis inauguraria leitos na data de hoje [na sexta-feira]:

    – A estrutura para a abertura dos 20 leitos está pronta, contudo, a empresa que venceu o processo licitatório para administrar os leitos não atendeu aos requisitos técnicos previstos em edital de licitação.

    – Também é mentirosa a informação de que o Hospital Regional necessita da doação de equipamentos para o funcionamento dos leitos de UTI. Os leitos estão completamente equipados, mas falta a apresentação de equipe por parte da empresa contratada, *conforme as regras do edital*.

    – Assim que a empresa cumprir com todas as exigências técnicas, os leitos serão imediatamente colocados em funcionamento para a população.

    – É lamentável que, em meio à pandemia, o Governo do Estado tenha que gastar tempo para desmentir fake news.