11 de maio de 2021
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    APÓS COBRANÇA

    Ministro da Saúde fala em ajustar cronograma de vacinação

    Esta foi a segunda participação do ministro Marcelo Queiroga em audiências da Comissão Temporária da Covid-19, criada para acompanhar o enfrentamento à Covid-19 no Brasil

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    Ministro Marcelo Queiroga ouviu cobrança de senadores por ‘cronograma confiável’ de vacinação no país – Foto: Ag. Senado

    O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, negou hoje (26) que o Governo Federal tenha reduzido as metas iniciais do calendário de vacinação contra a Covid. Segundo ele, houve apenas a retirada do cronograma das vacinas que ainda não foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, como a indiana Covaxin. A declaração foi feita durante audiência pública promovida hoje pela Comissão Temporária da Covid-19 (CTCOVID19).

    “Em nenhum momento, o Ministério reduziu metas de vacinação; o que fizemos foi retirar do calendário aquelas vacinas que estavam sem a aprovação da Anvisa, pois entendemos que deveria entrar somente o que já está aprovado pela instância regulatória. Havia, por exemplo, previsão de 20 milhões de doses da  Covaxin, que não obteve o registro ainda, e nós retiramos para não criar uma falsa expectativa na população. Se for autorizada, vamos novamente colocá-la no calendário e, por óbvio, a vacinação vai caminhar mais rápido”, explicou.

    O Relator da comissão, o senador Wellington Fagundes (PL-MT) foi o primeiro a abordar o assunto, ao perguntar quando o governo apresentará de fato um cronograma confiável. Até agora, acrescentou o senador, cerca de 30 milhões de brasileiros foram vacinados — cerca de 15% da população — o que coloca o Brasil atrás de outros países.

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    Relator da comissão, senador Wellington Fagundes – Foto: Divulgação

    “A vacinação dos brasileiros continua caminhando a passos lentos. Israel, por exemplo, que lidera no mundo, já vacinou 65% de sua população; o Reino Unido, 50%; e o Chile e os Estados Unidos, mais de 40%. A projeção era vacinar os 77 milhões de brasileiros do grupo prioritário até junho de 2021. O ministro esteve na comissão pela primeira vez em 29 de março, quando estabeleceu a meta de vacinar pelo menos um milhão de brasileiros por dia, o que permitiria cumprir o plano. Depois disso, assistimos a uma aceleração da imunização que não durou mais do que alguns dias”, afirmou o parlamentar.

    O ministro, por sua vez, disse que não é possível comparar o Brasil com Israel e outros países menores.

    “Pessoas ficam na mídia criticando o tempo inteiro nosso programa de vacinação e já somos o quinto que mais distribui imunizantes. Não há que se comparar com Chile ou Israel, pois o Brasil é um país de dimensões continentais e com grande dificuldade logística. Já temos, por exemplo, 56% da população indígena vacinada”, explicou Queiroga.

    A justificativa do ministro, no entanto, não convenceu a senadora Zenaide Maia (Pros-RN):

    “O que falta é vacina mesmo. Não tem essa questão de estratégia e logística não. Essa história de dizer que é o quinto que mais vacina, nós somos também o segundo com maior número de mortes”, reclamou.

    O secretário-executivo do ministério, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz, explicou que o número de 77 milhões de grupo prioritário vacinado só vai ser obtido em setembro porque há vacina que exige intervalo de três meses entre as doses. Logo, a primeira dose será administrada em todos até a primeira quinzena de junho, para, três meses depois, o ciclo ficar completo.

    Esta é a segunda vez que Marcelo Queiroga participa de audiência da comissão. Criado em fevereiro, com prazo de 120 dias de funcionamento, o colegiado tem como objetivo acompanhar as questões de saúde pública relacionadas ao coronavírus. É composto por 12 membros titulares e igual número de suplentes. O vice-presidente é o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN).