13 de maio de 2021
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    Durante a pandemia mais de 72 mil aprendizes conseguiram o primeiro emprego

    Especialistas apontam que programa é fundamental para a transferência de renda e pode diminuir crescimento da fome no Brasil

    Após pouco mais de um ano desde a chegada da pandemia do novo coronavírus no Brasil, 72.886 vagas para jovens aprendizes foram fechadas, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), compilados pela consultoria Kairós de março de 2020 a março de 2021.

    Imagem: Aprendiz carteira de trabalho Durante a pandemia mais de 72 mil aprendizes conseguiram o primeiro emprego
    Reprodução

    Destinado a jovens de 14 a 25 anos de baixa renda, o programa Jovem Aprendiz é considerado por especialistas um dos mais importantes para a diminuição da desigualdade e da evasão escolar.

    Para poder trabalhar como aprendiz, os jovens precisam estar estudando e tem até a jornada de trabalho reduzida para garantir que possam continuar seus estudos formais. A lei atual ainda exige que empresas preencham até 5% de suas vagas efetivando participantes da iniciativa.

    Os benefícios do programa também são considerados importantes para o combate à fome, que cresceu a níveis alarmantes após a piora da pandemia em 2021.  “O salário médio de um aprendiz é de R$ 650 aqui em São Paulo. É um valor maior do que o antigo auxílio emergencial e uma fatia importantíssima da renda familiar com qual eles contribuem”, diz o diretor da Kairós Desenvolvimento Social, Elvis Bonassa.

    Um destes exemplos é o da estagiária do Banco Pan, Sara Alves, de 20 anos, que entrou para o mercado de trabalho graças ao programa Jovem Aprendiz. Com os salários ela agora ajuda a mãe, que está desempregada, a comprar alimentos para a casa.

    “A gente não tem as mesmas chances que um jovem de classe média que tem acesso às boas escolas e a intercâmbio para aprender um idioma. Mas como aprendiz, a gente pode avançar nos estudos enquanto tem uma renda extra para ajudar a família”, diz.

    “Isso é uma realidade muito comum neste cenário de pandemia [jovens aprendizes sustentando a família]. Grande parte deles vêm de lares com uma vulnerabilidade social alta, de uma estrutura familiar comprometida, onde o jovem aprendiz é o único membro que possui um trabalho com carteira assinada”, explica Marcela Toledo, coordenadora da entidade Vocação, que ajuda jovens a se conectarem com a iniciativa.

    A aprendiz da Lockton, Neysa Saire, de 18 anos, tem no programa também a garantia dos estudos. A mãe, que trabalha como autônoma, estava com dificuldade de pagar as contas da casa e a faculdade da filha, que estuda Gestão de Marketing.

    Com as mensalidades do curso se acumulando, ela precisou parar de estudar por meses, até que arranjou o emprego de aprendiz. Neysa agora vai voltar ao curso no segundo semestre de 2021.

    “Estou muito feliz por poder colaborar com a casa. Logo que recebi meu primeiro salário fiz umas compras de alimento e ainda pude ajudar a tia de um amigo meu que estava sem condições de comprar comida”, conta.

    A Lei de Aprendizagem é a única política pública de erradicação do trabalho infantil

    MARCELA TOLEDO, COORDENADORA DA VOCAÇÃO, ENTIDADE PARCEIRA DO JOVEM APRENDIZ

    Flutuação

    Os números mostram que as colocações para jovens aprendizes tiveram saldo negativo durante quase toda a pandemia em 2020, com a exceção dos meses de novembro e março. Abril e dezembro do ano passado foram os piores meses, com taxas de negativas de empregos gerados de -22.505 e -28.583, respectivamente.

    O primeiro trimestre de 2021 teve um crescimento histórico para o período, mas ficou longe de recuperar todas as vagas perdidas desde o início dos efeitos da pandemia no mercado de trabalho, em abril do ano passado. Foram 2.836 em janeiro, 27.498 em fevereiro e 13.326 em março.

    A comparação com os dados gerais do Caged ainda revelam que o grupo de aprendizes sentiu mais o efeito do que de outros profissionais. Considerando todas as vagas de todas as modalidades de trabalho, as perdas de abril começaram a ser estancadas em julho do ano passado, ainda no auge da primeira onda da pandemia. O crescimento seguiu constante até a nova baixa em dezembro.