20 de junho de 2021
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    OPERAÇÃO ESFORÇO COMUM

    MP mantém sigilo e Câmara avalia investigação sobre cooperativa

    Ministério Público diz que dados estão sob análise e há sigilo sobre as investigações; vereador Inspetor Gerson defende que Câmara Municipal abra investigação própria sobre contratos

    Imagem: ministerio publico gaeco copervale foto varlei cordova MP mantém sigilo e Câmara avalia investigação sobre cooperativa
    Equipe do GAECO cumpriu mandados na sede da Coopervale e também na Prefeitura de Rondonópolis – Foto: Varlei Córdova/AGORA MT

    O Ministério Público não vai divulgar por enquanto informações sobre os resultados da ‘Operação Esforço Comum’, deflagrada na última quinta-feira (20) em Rondonópolis e outras nove cidades. Uma equipe do  Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) cumpriu mais de 30 mandados judiciais. Houve busca e apreensão de documentos, computadores e outros equipamentos que possam armazenar informações sobre contratos mantidos pela Cooperativa de Trabalho Vale do Teles Pires (Coopervale) e prefeituras municipais.

    Procurado pela reportagem do portal Agora MT, o promotor de Justiça responsável pelo caso informou “que por enquanto os dados estão sob sigilo e os documentos apreendidos ainda serão submetidos a avaliação técnica”.

    Em Rondonópolis a equipe esteve na sede da Coopervale, na tesouraria da Prefeitura e também cumpriu mandados em residências e empresas de pessoas ligadas à cooperativa. Não houve notícia de mandados expedidos contra autoridades ou secretários municipais.

    O Ministério Público também disse que não comentará o anúncio sobre o pedido de que os dados da operação sejam compartilhados com a Câmara Municipal. A informação é de que o promotor aguardará a formalização do pedido para então responder oficialmente ao Legislativo.

    A Prefeitura de Rondonópolis divulgou nota dizendo que todos os contratos e processos de licitação obedeceram a legislação e que está colaborando com as investigações.

    Além de Rondonópolis, também houve cumprimento de mandados nos municípios de Cuiabá, Sorriso, Santa Rita do Trivelato, Pedra Preta, Arenápolis, Nova Marilândia e Nova Canaã e nos municípios de Japorã, em Mato Grosso do Sul, e Guaíra, no Paraná.

    CEI
    As informações já divulgadas pelo GAECO apontam que estão sob investigação contratos firmados entre a Prefeitura de Rondonópolis e a Coopervale totalizando R$ 67 milhões.

    Já o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE) identificou evidências de superfaturamento, num montante superior a R$ 20 milhões, na medição dos serviços liquidados e pagos pela Prefeitura de Rondonópolis à Coopervale entre 2017 a 2020. Os contratos envolvem a contratação de servidores terceirizados.

    Os números fizeram ressurgir na Câmara Municipal a proposta de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito, para apurar os contratos e outros gastos na área da Saúde.

    Imagem: Investigador Gerson MP mantém sigilo e Câmara avalia investigação sobre cooperativa
    Vereador Inspetor Gerson (MDB) quer abertura de CEI para investigar irregularidade em contratos – Foto: Varlei Cordova / AGORAMT

    “A Câmara Municipal não pode ficar alheia e omissa a todos esses acontecimentos. Temos que apurar sim. Sou favorável à criação de uma CEI com o objetivo de apurar todas as denúncias de irregularidades em contratos com a Coopervale. É o dinheiro público indo pelo ralo, estarei atento”, disse o vereador Inspetor Gerson (MDB) em declarações à imprensa.

    A vereadora Kalinka Meireles (Republicanos) disse que se houver apresentação de pedido de abertura da CEI também assinará favoravelmente.

    Já outros vereadores ouvidos pela reportagem consideram que é preciso reunir mais informações, para verificar se houve o envolvimento de servidores comissionados e prejuízos ao erário. Para isso, devem encaminhar nesta semana um requerimento para que o Ministério Público conceda acesso aos dados já reunidos pela ‘Operação Esforço Comum’.