14 de junho de 2021
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    Protesto pede flexibilização no horário do comércio em Rondonópolis

    Comerciantes e trabalhadores que atuam no período noturno dizem que estão pagando a conta da pandemia sozinhos; eles cobram a ampliação do horário e mais fiscalização na cidade

    Imagem: protesto roo comercio Protesto pede flexibilização no horário do comércio em Rondonópolis
    Manifestantes em frente à Prefeitura de Rondonópolis – Foto: Varlei Cordova/AGORA MT

    Trabalhadores e empresários realizaram um manifesto na tarde desta segunda-feira (31) para reivindicar a flexibilização das restrições baixadas pela Prefeitura de Rondonópolis como forma de prevenção à Covid-19. Eles cobram principalmente a ampliação do horário de funcionamento no período noturno e também a abertura de bares, restaurantes e similares aos domingos e feriados.

    O protesto foi organizado pela Associação Rondonopolitana de Bares e Restaurantes (ARBR), Sindicato dos Empregados em Bares, Restaurantes e Similares da Região Sul (Sindebares/SUL-MT), Associação dos Músicos de Rondonópolis e pelos motoboys que atuam em serviços de entrega.

    “Funcionando até as 22 horas ainda dava para pagar as contas, mas agora estamos limitados até as 20 horas e não dá para continuar assim. Estamos pedindo para trabalhar”, diz a presidente da ARBR, Neumara Resmini.

    Os manifestantes alegam que o decreto estadual não impede a prefeitura de estender o horário e dizem que em vários municípios a autorização vai até as meia-noite. Para eles, além de prejudicar milhares de trabalhadores, a restrição não impede a propagação do coronavírus.

    “Se não tem restaurante e bares funcionando as pessoas vão se reunir em suas casas, muitas vezes sem cumprir as regras. Em nossos estabelecimentos garantimos o distanciamento, o uso de máscara e todos os cuidados. Fica até mais fácil de fiscalizar. Já dentro das casas é mais difícil para a polícia e os fiscais entrarem e fazerem a fiscalização”, argumenta Neumara.

    DEMISSÕES
    Os bares e restaurantes, assim como os músicos, o setor de eventos e os motoboys que fazem entregas à noite foram os mais atingidos desde o início da pandemia. Impedidos de continuarem atuando normalmente viram as dívidas aumentar e o desemprego também.

    “A situação tá muito difícil, já tem gente passando fome. No ano passado, que era um ano político, a gente ainda conseguia alguma ajuda. Agora nem cestas-básicas estamos conseguindo mais. O governo não providenciou ajuda para o segmento e ainda cria barreiras”, diz a presidente do Sindebares/Sul-MT, Neth Moura.

    “Eu conclamo as pessoas a denunciarem os locais onde houver aglomeração e bagunça. Mas não podemos prejudicar que atua dentro das leis e precisa desse trabalho para sobreviver”.

    O segmento já registra mais de 700 postos de trabalho fechados e vinha experimentando uma leve recuperação após a autorização para funcionamento até as 22 horas. Porém, na semana passada a Prefeitura retomou as restrições devido a piora na classificação de risco do município, que passou da posição ‘moderado’ para ‘alto.

    O prefeito José Carlos do Pátio disse que as medidas são necessárias, porque o número de novas contaminações voltou a crescer e as unidades hospitalares já estão enfrentando um colapso. Ontem não havia mais leitos de UTIs disponíveis em Rondonópolis.

    “Precisamos reforçar a fiscalização e rever a forma como esta classificação é feita. Hoje, por exemplo, 47 dos 60 leitos de UTIs em Rondonópolis estão ocupados por pessoas de outras cidades. Não somos contra, mas o problema é que isso entra nas estatísticas do município e prejudica a gente”, destaca Neumara.

    O grupo pediu uma reunião com o prefeito José Carlos do Pátio para expor a situação. “Amanhã teremos uma nova reunião do Comitê de Crise e já tem gente falando em decretar o lockdown, com fechamento total da empresas. Se isso acontecer será o caos, muitos outros pais de família vão ficar desempregados”, alerta Neth Moura.