20 de junho de 2021
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    EDUCAÇÃO

    “É um desrespeito a todos”’, diz sindicalista sobre fala de secretário

    Presidente da subsede do Sintep em Rondonópolis reagiu às declarações do secretário Alan Porto; categoria cobra vacinação contra a Covid-19 e reclama da falta de diálogo com o Governo

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    Declarações de secretário sobre possibilidade de greve revoltou profissionais – Foto: Sintep

    O presidente da subsede do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep) em Rondonópolis reagiu às declarações do secretário estadual de Educação, Alan Porto, considerando que a discussão sobre uma greve no setor indicaria que o sindicato “não está preocupado com a Educação de Mato Grosso”.

    “A declaração dele é um desrespeito não só com a entidade, mas principalmente com os trabalhadores da Educação. Precisamos de segurança epidemiológica para voltar às escolas. E dizemos isso com base nos dados apresentados pelos municípios e pela própria Secretaria Estadual de Saúde, não é um mero posicionamento político. É muita ignorância dizer isso”, disse João Eudes referindo-se ao secretário Alan Porto.

    O sindicalista, que também foi contaminado pelo coronavírus, afirma que além do aumento de contaminações e óbitos, o retorno das atividades presenciais neste momento também esbarra na falta de condições técnicas na maioria das escolas.

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    João Eudes, na foto com a sindicalista Maria Celma, também foi contaminado pela Covid-19 – Foto: Aécio Morais /AGORA MT

    Um levantamento feito pelo Sintep aponta que muitas unidades não têm ainda condições sanitárias que permitam a segurança de alunos e trabalhadores. Há também problemas de conectividade, que comprometem a qualidade das aulas online.

    “Muita escolas estão tentando se organizar, fazendo adequações das redes de internet e dos espaços para as aulas. Algumas até conseguem separar o ambiente adequadamente, mas outras não têm sequer profissionais em número suficiente para fazer a limpeza”, denuncia.

    SEM DIÁLOGO
    João Eudes afirma que o debate sobre uma greve no setor é uma decisão coletiva, tomada em assembleia e referendada pelo conselho de representantes da categoria. Os motivos seriam a falta de segurança e de condições técnicas, o avanço da pandemia e também o não cumprimento do acordo que prevê o Reajuste Geral Anual (RGA).

    “A nossa maior preocupação é com a proteção da vida. Nós, por responsabilidade, não recomendamos o atendimento presencial. Não há ninguém mais preocupado com isso que o sindicato e os profissionais da Educação. Sabemos que qualquer quantidade de alunos aumenta aglomeração e os risco”, destaca.

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    Sindicalista reclamou da falta de diálogo com o secretário de Educação, Alan Porto – Foto: Secom-MT

    “Os alunos dependem do transporte coletivo para chegar até a escola, têm muitos contatos e o ambiente da escola é propício para contaminações e para proliferação do vírus. É claro que queremos retomar as atividades nas escolas, mas precisamos fazer isso com segurança. E o primeiro passo é a vacinação de todos”.

    O sindicalista acusa o secretário estadual de Educação de ignorar os dados epidemiológicos divulgados pelo próprio Governo do Estado. Também reclama da falta de diálogo. Segundo ele, a manutenção do teletrabalho (home office) é o meio mais seguro para todos.

    João Eudes reclama também das pressões impostas para que os professores, técnicos e equipes de apoio mantenham as atividades nas unidades escolares. “Muitos temem retaliações, pois a Seduc ameaça cortar o ponto, anotando faltas para quem está trabalhando em casa”.

    “O correto seria todos os órgãos responsáveis por isso sentarem numa mesa de negociação e buscar o melhor encaminhamento, com diálogo. Mas diálogo é uma coisa que esse governo não pratica, muito menos a Secretário de Educação”, lamentou.