03 de agosto de 2021
Mais
    Capa Notícias Economia Juros sobem pela terceira vez consecutiva
    EM ALTA

    Juros sobem pela terceira vez consecutiva

    Copom eleva Selic em 0,75 ponto percentual seguindo expectativa do mercado. É o maior patamar desde março de 2020

    Imagem: dinheiro pagamento. juros Juros sobem pela terceira vez consecutiva
    Reprodução

    taxa básica de juros (Selic) subiu 0,75 ponto percentual pela terceira vez consecutiva, passando de 3,5% para 4,25% ao ano. O anúncio foi feito no início da noite desta quarta-feira (16) após a conclusão da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).

    A Selic em 4,25% ao ano registra o maior patamar desde março do ano passado, quando a taxa básica de juros estava em 4,50% ao ano.

    A elevação de 0,75 ponto percentual era esperada pelo mercado como medida para ajudar a conter a recente alta da inflação de preços, que já figura acima do teto da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o período de 12 meses.

    “Como a inflação está muito alta, 8,1% em 12 meses e bem acima do centro e do teto da meta, o Banco Central poderia até elevar a Selic em 1 ponto percentual para trazer a inflação para baixo’, explica Miguel de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

    A decisão de seguir o resultado das últimas reuniões e elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, segundo Oliveira, é para não trazer muita preocupação para o mercado, sinalizando que o BC está preocupado com a inflação e que eventualmente pode subir ainda mais no futuro.

    No entanto, Oliveira acredita que a sequência de altas deve continuar. Opinião semelhante é compartilhada por Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

    “Mantemos por enquanto a perspectiva de que a autoridade irá subir os juros ao passo de 0,75 ponto percentual até 6,5% antes do final desse ano, mantendo a taxa estável por todo 2022”, afirmou Sanchez.

    A expectativa dos especialistas ganhou um peso maior com a sinalização do Comitê da possibilidade de um novo aumento da mesma magnitude na próxima reunião, marcada para daqui 45 dias.

    “Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude. Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, destacou a nota.

    O Copom também justificou a alta da seguinte maneira:

    “Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 4,25% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”