21 de junho de 2021
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    Lideranças conservadoras repudiam apoio à homofobia em Rondonópolis

    Tânia Balbinotti e Cláudio Ferreira, duas das principais lideranças conservadoras em Rondonópolis, criticaram defesa de preconceitos

    Imagem: claudio paisagista Lideranças conservadoras repudiam apoio à homofobia em Rondonópolis
    Cláudio Ferreira negou que conservadores de Rondonópolis aprovem apologia à homofobia – Foto: Reprodução

    O empresário e ex-candidato a prefeito de Rondonópolis pelo partido Democracia Cristã, Cláudio Ferreira – o ‘Cláudio Paisagista’-, e a empresária Tânia Balbinotti criticaram ontem (07) a declaração de apoio à homofobia do grupo que se auto intitula ‘Movimento Conservador de Rondonópolis’. Falando com exclusividade ao portal Agora MT eles descartaram qualquer vinculação com o grupo e condenaram o preconceito.

    O caso ganhou as redes sociais após a divulgação de uma foto em que vários rondonopolitanos aparecem segurando uma faixa com a foto do o deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) e as frases ‘Ser homofóbico é uma escolha. Ser gay também’, seguida de uma logomarca com a bandeira do Brasil e a inscrição ‘Movimento Conservador de Rondonópolis’.

    “Isso não tem nada a ver com o movimento conservador. Na verdade trata-se de um grupo político, que inclusive disputou as eleições em Rondonópolis e teve um resultado pífio”, disse Cláudio Ferreira, o terceiro mais votado nas eleições municipais com 17.498 votos (17,21% dos votos válidos)

    Cláudio não citou nomes, mas na foto também está o coronel do Corpo de Bombeiros, Wanderlei Bonotto, que foi candidato a prefeito pelo PRTB e terminou na sexta posição, com apenas 1.786 votos (1,76%).

    “Essas pessoas não tem legitimidade pra falar em nome dos conservadores que, na sua grande maioria, são cristãos. Os cristãos não são contra gays, os cristãos são contra a ideologia de gênero. Nem o conservadorismo ou Evangelho amparam ninguém a ser homofóbico ou atuar preconceituosamente contra negros, judeus, mulheres, e por aí vai”

    Imagem: faixa homofobia Lideranças conservadoras repudiam apoio à homofobia em Rondonópolis
    Imagem ganhou redes sociais e causou revolta em lideranças conservadoras no município – Foto: Reprodução

    “Temos de ser responsáveis. Para falar sobre um tema destes é preciso o mínimo de preparo. A liberdade não nos dá o direito de falar e fazer o que bem entender”, disse Cláudio. “Imagina as pessoas reivindicando o direito de serem nazistas. Preconceito é coisa de gente desqualificada”, concluiu.

    SUSTO
    Tânia Balbinotti tem uma opinião semelhante. Ela lembra que já há vários estudos comprovando que a identidade sexual não é uma questão de escolha e disse ter ficado perplexa ao ver a foto nas redes sociais.

    “Eu levei um susto quando vi isso. Conheço aquele pessoal sim, mas não tenho ligação. Não tenho nada a ver com aquilo e não concordo”, disse a empresária.

    Imagem: Tânia Balbinotti
    Tânia Balbinotti considerou defesa da homofobia um desrespeito que contraria valores conservadores. Foto: Varlei Cordova /AGORA MATO GROSSO

    “Eu já havia ouvido falar do deputado e até fiquei na dúvida se ele é aquilo ali, se acredita naquilo lá. Acho que é realmente um desrespeito às pessoas. Ninguém é melhor que ninguém. Penso que cada um tem que dar conta de si e tentar ser o melhor, mas ninguém pode se achar superior ao outro por esse ou aquele motivo”.

    A empresária, que lidera grupos da ativismo social e ajudou a financiar vários candidatos em 2020, considera errado associar o conservadorismo com a defesa de práticas preconceituosas. Segundo ela, a liberdade é um valor fundamental e toda forma de preconceito deve ser combatida.

    “Sou uma pessoa conservadora nos costumes, nos hábitos, dou muito valor à família, aos princípios morais e à ética. Mas também defendo as liberdades individuais e sou contra o preconceito. O ser humano não é diferente do outro. Todo mundo tem a liberdade de fazer o que quer da vida, obviamente que respeitando a liberdade do outro”, declarou.

    A LEI
    No Brasil a prática de discriminar pessoas em razão da orientação sexual ou identidade de gênero é considerada crime desde junho de 2019. A decisão foi tomada pela maioria dos membros do Supremo Tribunal Federal (STF) após meses de discussão no julgamento de dois processos (ADO 26 e MI 4733).

    Os ministros decidiram enquadrar a homofobia no mesmo tipo penal estabelecido pela chamada ‘Lei do Racismo’ (Lei 7.716/89), que criminalizou a discriminação ou preconceito por “raça, cor, etnia, religião e procedência nacional”.

    Desde então a prática da homofobia tornou-se crime inafiançável e imprescritível – que pode ser punido com penas de um a cinco anos de prisão e, em alguns casos, multa.