18 de junho de 2021
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    RONDONÓPOLIS

    Santa Casa critica divulgação de dados sobre taxa de mortalidade em UTI

    Média de óbitos no hospital é praticamente a metade da registrada nacionalmente, mas direção avalia que dados devem ser analisados dentro de contexto técnico

    Imagem: Hospital Santa Casa de Rondonopolis Santa Casa critica divulgação de dados sobre taxa de mortalidade em UTI
    Santa Casa Rondonópolis esclareceu números sobre atendimentos em UTIs- Foto: Messias Filho/AGORA MT

    A direção da Santa Casa Rondonópolis disse que a divulgação dos dados sobre a mortalidade de pacientes com Covid-19 precisa ser analisada dentro do contexto técnico e levando em conta as especificidades de cada unidade de saúde. Reportagem divulgada hoje (11) mostra que a taxa de mortalidade em Rondonópolis é quatro vezes menor que a média nacional, porém a Santa Casa é a líder em número de óbitos no município.

    Os dados (veja quadro abaixo) foram divulgados pela Prefeitura de Rondonópolis e reúnem o total de óbitos de pacientes que foram internados em Unidades de Terapias Intensiva (UTIs) nos hospitais e também nos leitos semi-intensivos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Os números incluem moradores do município e também pacientes de outras cidades tratados em Rondonópolis desde o início da pandemia.

    Ouvida pela reportagem, a direção da Santa Casa não contestou os números. Eles esclareceram, porém, que desde o início da pandemia o hospital tem recebido pacientes de várias cidades que chegam quase sempre com o quadro de saúde já agravado – o que dificulta a recuperação.

    Imagem: Santa Casa critica divulgação de dados sobre taxa de mortalidade em UTI
    Fonte: Secretaria de Saúde de Rondonópolis

    Na entrevista concedida ao portal Agora MT, o hospital considera injusta a comparação entre hospitais privados e unidades que atendem pacientes do Sus e faz algumas considerações sobre medidas que poderiam ser adotadas para melhorar o enfrentamento à Covid-19.

    Veja abaixo os principais pontos da entrevista.

    Pergunta – A que atribui essa taxa de mortalidade?
    Resposta Santa Casa –
    Pela tabela publicada, observa-se uma grande disparidade entre os diversos hospitais. Isso porque, são estruturas que se prestaram a diferentes propósitos durante a pandemia.

    O hospital com menor incidência de óbitos é aquele que não tem UTI. Sempre que o paciente piorava, transferia seus pacientes para uma UTI que, no início, as únicas credenciadas eram as da Santa Casa Rondonópolis, as quais sempre recebeu os pacientes graves da cidade e região, ficando os menos graves nos hospitais que tinham apenas enfermarias como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA – RONDONÓPOLIS), HOSPITAL REGIONAL, HOSPITAL ANTONIO MUNIZ E MATERCLIN.

    Hospitais que funcionam como porta de entrada, todos os demais, com exceção da Santa Casa, ficam com pacientes menos grave.

    O HOSPITAL UNIMED, sistema privado, por ser porta de entrada e cuidar de pacientes que têm melhor acesso à assistência à saúde, ao contrário do SUS, recebe pacientes em melhor condição de tratamento, o que é o ideal.

    No início, a política do fique em casa, com repercussões até hoje, fez com que muitos chegassem aos postos de atendimento em situação bastante grave e foram internados quando já não se podia fazer quase nada.

    Muitos pacientes chegaram à Santa Casa e evoluíram para o óbito nas primeiras horas de internação. Outros chegaram encaminhados para enfermaria, quando o quadro deveria ser mais brando, e foram entubados no pronto atendimento, antes mesmo de chegar no leito.

    A falta de leitos de UTI em diversas fases da pandemia fez com que os pacientes fossem internados nessas unidades dias após a indicação médica. Isso é uma das grandes causas de mortalidade.

    Quando os pacientes chegaram à UTI da Santa Casa no início da doença, chegamos a um índice de alta com vida acima de 70% e, em alguns meses, quando a contaminação esteve menor, chegamos a mais de 90%. Infelizmente, quando faltaram leitos de UTI ou quando os pacientes tiveram acesso tardio a assistência, chegando entubado à Santa Casa, esses índices invertem. Lamentavelmente, quando a cobertura assistencial da saúde da população é falha, a assistência médico-hospitalar não consegue fazer milagres.

    Pergunta: Que medidas podem/devem ser tomadas visando reduzir o número de mortes?
    Resposta: Além daquelas necessárias para evitar ou minimizar a propagação da doença, é preciso que o poder público tome providências, desde medidas mais simples, como evitar a aglomeração nos postos de atendimento, ampliando o número de unidades, até as mais complexas, como criar o número adequado de UTIs.

    Pergunta: Que outras informações sobre o assunto vocês considerarem pertinentes?
    Resposta: A SANTA CASA RONDONÓPOLIS prontamente se colocou à disposição, inaugurando os primeiros 10 leitos de UTI da região, evitando muitas mortes, mesmo quando muito pouco se sabia de concreto sobre a doença. Logo depois, abriu mais 10 leitos, totalizando os 20 que permanecem até o momento, recebendo os pacientes que nos são encaminhados pela CENTRAL DE REGULAÇÃO DA PREFEITURA DE RONDONÓPOLIS, sem fazer escolha sobre a condição clínica dos mesmos e, como dito acima, muitos faleceram ao chegar ao hospital.

    A divulgação de números sem a devida classificação dos mesmos, segundo a situação clínica dos pacientes, é temerária, podendo levar a população a conclusões diferentes da realidade dos fatos. Ao se comparar diferentes UTIs ou enfermarias, é preciso antes padronizar os pacientes que atendem.