01 de agosto de 2021
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    SOB SUSPEITA

    CPI vai investigar denúncia de novo ‘mensalão’ no Governo Federal

    Reportagem aponta existência de esquema que garantiria propinas mensais para políticos e servidores do Ministério da Saúde; líder do governo nega envolvimento

    Imagem: CPI dominguetti CPI vai investigar denúncia de novo 'mensalão' no Governo Federal
    Senadores vão aproveitar recesso para aprofundar investigação sobre nova denúncia de corrupção no Ministério da Saúde- Foto: Ag Senado

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar irregularidades na atuação do Governo Federal envolvendo o combate à pandemia de Covid-19 vai investigar a denúncia de pagamentos ilegais mensais de até R$ 296 mil a políticos e servidores ligados ao Ministério da Saúde será o foco de uma nova linha de investigação da CPI da Covid.

    O suposto esquema mensal de propina foi divulgado em reportagem do portal ‘UOL’ e teria começado em 2018 com previsão de durar cinco anos. A denúncia foi feita por uma ex-servidora da pasta e entre os envolvidos está o ex-ministro e líder do Governo na Câmara, deputado Ricardo Barros.

    O esquema teria começado em 2018, justamente durante a gestão de Barros no Ministério da Saúde. Até aquele ano, a distribuição de vacinas e de outros insumos pelo governo federal era feita pelo próprio Ministério da Saúde por meio da Cenadi (Central Nacional de Armazenamento e Distribuição de Imunobiológicos), órgão que existiu por cerca de 20 anos.

    Durante a gestão de Barros, porém, a Cenadi foi extinta e, em seu lugar, entrou a empresa VTC Operadora Logística Ltda, conhecida como VTCLog. A empresa privada passou a assumir a responsabilidade pelo armazenamento, controle e distribuição de todas as vacinas, medicamentos, soros e demais insumos entregues pela União a estados e municípios do país.

    Conforme o contrato nº 59/18 e os aditivos de valores concedidos à empresa que preveem a prestação de serviço de “transporte e armazenamento” da empresa ao SUS durante 60 meses (ou cinco anos) por um valor total de R$ 592.733.096,15.

    Isso significa que, caso o suposto pagamento mensal tenha ocorrido, como acreditam senadores da cúpula da CPI, a quantia que teria sido concedida irregularmente a políticos e servidores somaria R$ 59,2 milhões, ou 10% do total. Esse valor, dividido pelos 5 anos contratados, renderia, por mês, cerca de R$ 990 mil aos envolvidos, segundo informações repassadas à CPI pelos denunciantes.

    De acordo com as informações recebidas pela CPI, os R$ 890 mil restantes eram, então, divididos em três partes iguais de pouco mais de R$ 296 mil cada uma e repassados para três políticos, entre eles Ricardo Barros. Os envolvidos nas investigações, porém, negaram-se a revelar quem são os outros dois envolvidos no suposto esquema.

    OUTRO LADO
    O deputado Ricardo Barros foi questionado e, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não recebeu de maneira direta ou indireta recursos financeiros e não possui ‘nenhuma ligação’ com a VTCLog. Ele também afirma que o contrato citado foi firmado após sua saída do Ministério da Saúde.

    A VTCLog afirmou que não praticou “nenhum ato ilícito” e que, “até agora”, não recebeu “pelos serviços prestados”. “Nunca houve pedido de propina de ninguém do ministério à VTCLog”, disse a empresa em comunicado à imprensa.