01 de agosto de 2021
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    SABATINA

    Indicado ao STF, Mendonça conversa com senadores

    André Mendonça se prepara para a sabatina que será realizada após recesso parlamentar; Augusto Aras e outros indicados por Bolsonaro também precisam passar pelo crivo do Senado

    Imagem: andre bolsonaro Indicado ao STF, Mendonça conversa com senadores
    André Mendonça, o segundo indicado por Jair Bolsonaro para compor o STF, será sabatinado no Senado – Foto: Reprodução

    Está nas mãos do Senado a decisão sobre a nomeação do advogado Geral da União André Mendonça, como próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e também a manutenção de Augusto Aras no cargo de Procurador Geral da República. As indicações já foram oficializadas pelo presidente Jair Bolsonaro e deverão ser discutida após o recesso parlamentar, quando os dois serão sabatinados pelos senadores.

    Se aprovado pelos senadores, Mendonça vai ocupar a vaga do ministro Marco Aurélio Mello, aposentado compulsoriamente neste mês, ao completar 75 anos de idade. A indicação de Mendonça é a segunda feita por Bolsonaro — a primeira foi a do ministro Kássio Nunes Marques, em 2020 — e deve ser a última a ser feita neste governo, já que as próximas aposentadorias compulsórias só estão previstas para 2023. Se tiver o nome aprovado, Mendonça, que tem 48 anos, poderá ficar no STF por 27 anos, até se aposentar.

    A indicação já foi enviada ao Senado, mas ainda precisa ser lida em Plenário. Depois, o indicado terá que passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). A última sabatina para esse cargo, do ministro do STF Nunes Marques, durou dez horas.

    O parecer da CCJ, aprovando ou rejeitando a indicação, seguirá para o Plenário para a decisão final. Para que o nome seja aprovado, são necessários os votos da maioria absoluta, ou seja, de pelos menos 41 senadores. Os votos, tanto na comissão quando no Plenário, são secretos.

    CURRÍCULO
    Doutor em Direito, Mendonça fez sua carreira no serviço público como advogado da União e também atuou como ministro da Justiça no governo de Bolsonaro. Na sabatina, assim como ocorreu com Nunes Marques, devem ser temas recorrentes a posição do indicado sobre prisão em segunda instância, foro privilegiado e a Lava Jato. Na avaliação da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), as respostas na sabatina serão decisivas.

    “O currículo dele é bom. É um servidor que fez carreira na AGU [Advocacia-Geral da União] e que pode ter sua nomeação prejudicada por conta de toda essa polarização trazida pelo presidente da República. A sabatina, a depender das respostas que ele der aos senadores, será fundamental para a decisão. Talvez haja até outros nomes com perfil jurídico mais amplo, mas, entre os nomes sugeridos pelo presidente, ele parece o mais preparado”, disse a senadora.

    No caso de Mendonça, também podem surgir durante a sabatina outros temas que estão sendo citados em campanhas contra a sua indicação (feitas nas redes sociais e por grupos organizados). Em carta endereçada aos senadores, entidades que representam grupos específicos de juízes, promotores, defensores públicos e policiais pediram a rejeição do nome do advogado-geral.

    Entre os argumentos citados está o fato de o presidente ter dito que indicaria alguém “terrivelmente evangélico” para o cargo, requisito considerado inadequado pelas entidades. A carta também menciona ocasiões em que Mendonça, como advogado-geral da União, citou trechos da Bíblia para defender a realização de cultos durante o isolamento social ao invés de se embasar na Constituição Federal.

    São mencionadas, ainda, investigações contra jornalistas e críticos ao governo feitas durante sua gestão como ministro da Justiça, com base na Lei de Segurança Nacional.

    DIÁLOGO
    Após a indicação, Mendonça fez visitas a alguns senadores. Os parlamentares que conversaram com ele ressaltaram a qualificação técnica e o currículo do indicao.

    O senador Plínio Valério (PSDB-AM) disse que confia na capacidade de André Mendonça e que é importante as conversas mantidas com os parlamentares.

    “Ele não mostrou preocupação em relação a possível questionamento da oposição, na sabatina, em relação a sua identificação religiosa. Acho que a oposição vai marcar posição mais em relação a decisões dele como ministro da Justiça. Mas, nas conversas com senadores, sinto que seu nome tem menos resistência do que teve o ministro Kassio [Nunes Marques]”,  avaliou Plínio.

    O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) declarou que o Senado fará uma sabatina rigorosa, mas também afirmou que o currículo e o histórico de Mendonça não deixam dúvidas de que ele tem os requisitos necessários para o cargo. “Com certeza ele será um defensor da nossa Constituição. No Senado, faremos uma sabatina rigorosa, mas ele tem todas as credenciais para ser aprovado”.

    O líder do PSD no Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), lembrou que a prerrogativa de fazer a indicação é do presidente da República, tendo como um dos critérios o notório saber jurídico. Segundo ele, André Mendonça tem qualificação técnica e experiência suficientes, mas a decisão caberá aos senadores.

    “O que se observa é que André Mendonça ocupou cargos de relevância no campo jurídico, que o credenciaram para demonstrar o notório saber da área, o que legitima a sua indicação. A votação é feita de forma secreta entre os 81 senadores, e o que a gente pode adiantar é que, dentro da bancada do PSD, a maioria tem simpatia pelo nome do indicado”, disse Nelsinho.

    OUTRAS INDICAÇÕES
    Além do nome de André Mendonça, outras indicações ainda precisam ser decididas pelo Senado no segundo semestre. Uma delas é a recondução do atual procurador-geral da República, Augusto Aras. O mandato à frente da Procuradoria-Geral da República termina em setembro, mas a indicação já foi encaminhada pelo presidente ao Congresso.

    Além das duas sabatinas, também estão pendentes outras 11 que ainda precisarão ser feitas pelas comissões. A maioria delas, no total de sete, é de indicações para o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). As outras indicações são para embaixadas do Brasil em outros países e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).