30 de julho de 2021
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    RESENHA

    ‘De repente uma família’ | Um problema social narrado de uma forma leve e amorosa

    Essa é uma resenha feita à duas mãos e meia: Raiane Anicézio, Thúlio Gomez e Vandréia de Paula (a meia mão)

    Imagem: capa cineeseries 'De repente uma família' | Um problema social narrado de uma forma leve e amorosaSabe aqueles filmes que você olha a fotografia e pensa: Ahhh, mais um filme americano sobre dilemas familiares e filhos rebeldes?

    Então, “De repente uma família” é tudo, menos um filme clichê.

    Ele até mostra os dilemas familiares, mas de um modo totalmente diferente e que te faz pensar: Será que estou dando o devido valor a dádiva de ter uma família? Porque sim, leitores, apesar das brigas, problemas, desentendimentos e todo o caos que pode acontecer dentro de casa, o filme nos mostra que ter uma família é sensacional (e olha que nem sou melosa).

    De repente uma família faz jus ao título, já que um casal que se sentia completo e realizado de repente viu que para eles, ainda faltava algo (ou alguém para dar sentido e bagunça aquela harmonia toda 😁).

    De início, o enredo dá a entender que seria a irmã de Ellie quem iria adotar, já que o casal tem problemas para engravidar e está em busca de uma inseminação.

    Depois de uma simples brincadeira (no estilo alfinetada), o casal acaba levantando a possibilidade de adotar uma criança. Aliás, as brincadeiras entre os dois são algo que vemos ao longo do filme, deixando a história, que traz temas ‘pesados’, um pouco mais leve.

    Ellie (que no início parecia perdida no rolê da maternidade) e Pete (nasceu pai, só não sabia ainda) começam então a participar de um grupo de orientação para a adoção. Dias depois e munidos de várias informações sobre o assunto, eles participam de uma feira de adoção (sim, isso mesmo, as crianças e adolescentes que estão em lares provisórios ficam em um local à espera de serem escolhidos).

    Na feira, ao falarem sobre porque não adotar um adolescente, eles acabam ficando encantados com a força e coragem de Lizzie, a tradicional adolescente rebelde. O ‘problema’ é que ela tem dois irmãos mais novos, Juan e Lita.

    A partir daí o susto. Ao invés de uma criança, o casal se vê na tentativa de adotar três crianças, cada uma com um jeito e um trauma.

    Lizzie, pré-adolescente rebelde, que se sente responsável pelos irmãos e que não acredita mais que pode ser amada. Juan que se sente culpado o tempo todo e Lita que não aceita ser contrariada.

    De início tudo parece ótimo, até demais, o que me levou a pensar: é isso o filme? Um felizes para sempre após a adoção? Uma família perfeita, sem mais delongas?

    Mas não! É aí que começam as emoções. O casal começa a se deparar com o que é ter três filhos. A rebeldia de Lizzie chega a irritar até quem está assistindo. O que de início parecia uma garota responsável e solidária se mostra uma rebelde, mal educada e desafiadora.

    Litta então grita por tudo, faz jogo psicológico e consegue, pelo menos inicialmente, manipular os pais.

    Juan é o desastrado! Se machuca, quebra as coisas e tem um sentimento de insegurança que as vezes irrita.

    Em meio a toda essa confusão, reaparece a mãe biológica do trio, que estava presa e é dependente química. As crianças vão a um encontro com ela, lideradas por Lizzie que ainda sonha em voltar a morar com a mãe.

    É nesse momento que realmente vemos o amor. Ellie e Pete se veem com ciúmes de deixar a mulher (mãe biológica) ficar com as crianças. É nesse momento também que vemos que apesar de toda rebeldia e insegurança, Litta e Juan já amam o casal e se sentem seguros em família.

    Lizzie, por outro lado, fica cada vez mais insuportável, mas é no ápice de uma briga que Juan se fere e o desespero de Pette como pai aflora. É quase palpável o amor mostrado pela cena, a preocupação, o medo de perder, o susto. A cena é realmente linda!

    Depois disso vem toda uma batalha judicial pela guarda das crianças. Em juízo, a carta escrita por Lizzie, que quer voltar a morar com a mãe, acaba com as chances do casal.

    Eles voltam para casa arrasados.

    No dia da entrega das crianças para a mãe a tristeza é visível. Não sei se alguém consegue chegar até essa parte do filme sem pelo menos uma lágrima.

    É nesse momento que retomo o que disse lá no começo sobre o valor da família. É aqui que bate aquele medo de perder a convivência com quem amamos, mesmo com todas as dificuldades. Como pode um casal, que se sentia completo e feliz, agora sentir essa dor de perder três filhos que estão convivendo há pouco tempo?

    Agora vem a parte que, por uma fração de segundos, nos sentimos divididos. A mãe biológica das crianças não vem, teve uma recaída e não terá mais a guarda.

    Os menores e os pais se alegram e nos alegram, mas a dor de Lizzie machuca. Mais uma vez ela se sente rejeitada e abandonada pela única pessoa que ela queria ser amada: pela mãe.

    A pré-adolescente entra em desespero e foge.

    É nesse momento que Pete e Ellie entendem o sofrimento e rebeldia da garota. Eles entregam a ela uma carta que escreveram, que mostra o real sentimento dos dois.

    Lizzie sempre achou que estava sendo adotada por causa dos irmãos e que ela era apenas um ‘peso’. Só depois da carta ela entendeu que ela foi a escolhida e a amada desde o início, antes mesmo dos dois mais novos aparecerem.

    Por fim, “De repente uma família” mostra aos espectadores que o caos familiar é recorrente em qualquer lar, seja ele formado por pais com filhos biológicos ou não, pois o dramalhão cotidiano, assim como o amor, não depende de como uma família foi formada.

    Ah! E o mais legal você só vai descobrir no final. O filme é inspirado em experiências reais da vida do roteirista e diretor Sean Anders.

    Atuação

    Quando observamos a interpretação (análise despretensiosa, feita por leigos), vemos um elenco de peso que consegue entregar com louvor o que se espera de uma comédia dramática. A comicidade de ‘pais de primeira viagem’, que mesmo indecisos, acabam aprendendo e abraçando o real significado da família.

    A atuação dos atores nos coloca diante de uma amostra leve da realidade dos lares adotivos, atrelada a um ‘pré-conceito’ da sociedade com o assunto.

    “De repente uma família” nos faz viajar entre as risadas e os choros, e a responsabilidade deste sentimento fica por conta das boas atuações de Pete (Mark Wahlberg), que consegue passar uma imagem protetora, séria e ao mesmo tempo indecisa e extremamente cômica.

    Já a da pré-adolescente Lizzie, a atriz Isabela Moner consegue expressar de forma magnifica o drama adolescente em conjunto com as responsabilidades trazidas pela realidade triste dos irmãos. Ah! E por falar neles Lita (Juliana Gamiz) e Juan (gustavo Escobar) não ficam atrás com suas performances.

    E para finalizar, a nossa mãezona Ellie Wagner (Rose Byrne) que a cada cena me faz lembrar um pouquinho do carinho materno (aqui é o Thúlio falando).

    Imagem: Ficha Tecnica 'De repente uma família' | Um problema social narrado de uma forma leve e amorosa