Mais
    Agora MT Editoriais Agora Agro Como utilizar de forma eficiente os fertilizantes em solos argilosos
    AGORA AGRO

    Como utilizar de forma eficiente os fertilizantes em solos argilosos

    FONTE
    VIA

    Imagem: soil ga25d59c51 1920 Como utilizar de forma eficiente os fertilizantes em solos argilososMuitos desafios moldam o cultivo em qualquer lugar do planeta hoje. No Brasil, isso é ainda mais acentuado pelo status que o País alcançou nos últimos anos como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo. Para isso, eficiência é uma palavra primordial em várias etapas da agricultura. Como é o caso da utilização dos nutrientes em solos argilosos, que demandam atenção e cuidado para alcançar os melhores resultados.

    O pesquisador da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT, engenheiro agrônomo e mestre em Ciência do Solo, Felipe Bertol, relata que, atualmente, solos argilosos são as principais áreas que podem ter redução de adubação de forma segura. Essa que é uma das práticas adotadas frente à instabilidade e aumento de preços dos produtos. “Será possível nestas áreas cultivadas há um bom tempo, com sucessivas adubações, com acidez corrigida, bons históricos produtivos e níveis dos principais nutrientes (principalmente fósforo e potássio) retirar montantes de fertilizantes para realocação em áreas mais críticas e frágeis, onde é visível a dependência da adubação mineral”, aponta.

    O que são solos argilosos

    Para entender, é preciso saber primeiro o que são esses solos. Segundo o triângulo textural mencionado pela Embrapa, é um esquema utilizado para classificação da textura do solo; argilosos são aqueles que possuem em sua análise teor de argila entre 36 e 60%. De modo geral, sem influência da agricultura, são aqueles com alta capacidade de retenção de água e nutrientes, bons teores de matéria orgânica e resistência à mudança de pH. “Quando derivado de argilominerais não expansivos, os solos argilosos são fisicamente muito bons para a agricultura, visto que possuem bom suporte ao tráfego de máquinas e estão localizados em áreas planas a onduladas. Contudo, quando realizada a abertura de áreas há a necessidade de uma correção química, em razão da elevada acidez e a baixa disponibilidade de nutrientes, principalmente o fósforo”, explica o pesquisador.

    Por outro lado, após um investimento inicial e sucessivos anos de cultivo e aporte de nutrientes, estes solos são mais resilientes do que os arenosos, suportando por mais tempo estratégias de redução de adubação.

    Como ser mais eficiente

    Os principais critérios para a recomendação de uma adubação consideram a dinâmica do nutriente no solo, quantidade disponível dele e a expectativa de produtividade. Como ferramentas adicionais de ajuste de doses, Bertol aponta: a experiência do agricultor, conhecimento e caracterização das áreas, dinâmica das diferentes culturas do sistema produtivo, além dos históricos de adubações e produtividades.

    “Os solos argilosos são caracterizados por possuírem maior quantidade de sítios de trocas de cargas, consequentemente, têm maior retenção de nutrientes. Isto impacta diretamente na disponibilidade de nutrientes imóveis, como é o caso do fósforo e do potássio”, explica o pesquisador. A definição de disponibilidade e consequentemente probabilidade de resposta do fósforo está condicionada à textura do solo, ou seja, um mesmo valor na análise pode significar níveis de disponibilidade diferentes de acordo com a textura.

    “Por exemplo, o valor de fósforo de 7 mg/dm³ em uma análise é classificado como BAIXO em solos com menos de 35% de argila (arenoso a misto), MÉDIO naqueles com 36 a 60% de argila (argiloso) e MUITO ALTO nos solos com mais de 60% de argila (muito argiloso)”, detalha Bertol. Assim, em solos argilosos (36-60% de argila), a probabilidade de resposta à adubação nesta situação é menor do que nos de textura média-arenosa (menor 35%).

    Já para o potássio, o principal critério é a capacidade de troca de cátions (CTC); o nitrogênio em alguns manuais, a matéria orgânica do solo; e o enxofre e micronutrientes, as quantidades interpretadas na análise. “Um ponto de partida para conhecimento das interpretações e critérios para definição de dose dos nutrientes, podem ser acessados nos manuais, mas é importante frisar que são ferramentas que auxiliam na tomada de decisão e devem ser adaptadas conforme as situações”, frisa o especialista da Fundação MT.

    Repor para ganhar

    Se bem e corretamente feita a reposição dos nutrientes exportados pela produtividade de grãos nos solos argilosos, desde que não haja um fator limitante, o único ganho mensurável ao agricultor será o financeiro. “A estratégia parte do princípio que mantemos os níveis dos nutrientes em patamares em que a resposta da adubação não é significativa. Desta forma, adubar mais não fará diferença, aumentando o custo e estocando este nutriente no solo”, relata Bertol.

    A estocagem de nutrientes como fósforo e potássio no solo não necessariamente é ruim, visto que eles podem ser utilizados em momentos de crise, como o atual. Mas, o pesquisador diz que é importante ponderar que não haja perdas por escoamento superficial e demais processos erosivos. “Ou seja, no fim das contas, fazer a adubação de reposição é somente manter o que já foi construído”, salienta.

    Pesquisas em andamento

    Os protocolos da Fundação MT têm objetivos diversos no âmbito de Solos e Sistema de Produção, sendo os principais focos os sistemas de produção e rotação de culturas, manejo da adubação, tecnologias de fertilizantes e manejo de corretivos de acidez do solo. O mais antigo é o de Rotação de Culturas na Soja, ou mais conhecido como RCS, e tem 14 anos de condução no Centro de Aprendizagem e Difusão (CAD) – Sul, em Itiquira-MT. “Temos também áreas com 11 anos de esgotamento (sem aplicação de qualquer fertilizante) e os históricos muito bem documentados. Também, há respostas em doses e modos de aplicação de fósforo em protocolo de 12 anos. Estes estão inseridos no cenário do sul do estado de MT que é predominantemente sistema soja/milho”, detalha Bertol.

    Já no CAD-Médio Norte, em Nova Mutum, a instituição desenvolve o protocolo Manejo da Adubação do Sistema Soja/Milho Safrinha, em que são testadas doses de fósforo e potássio aplicados na soja e três níveis de adubação no milho. Sua instalação aconteceu na safra 2013/2014. E contemplando o sistema produtivo soja/algodão, no CAD-Oeste, em Sapezal, estão instalados experimentos com doses e épocas de aplicação de potássio em um período de seis anos.

    Tema do Encontro Técnico Soja

    Este assunto será um dos temas em destaque durante o XXII Encontro Técnico Soja da Fundação MT, este mês, de 26 a 29, no Hotel Gran Odara, em Cuiabá. Na ocasião, os pesquisadores abordarão alguns critérios para utilização eficiente dos nutrientes em solos argilosos. “Esse assunto tentará contemplar o comportamento destes solos a longo prazo na ausência total de adubação, assim como os principais pilares para uma redução segura da adubação: histórico de produtividades e de adubações, e análise de solo”, finaliza Bertol.

    Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte ao meio agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado, nos municípios de Sapezal, Sorriso, Nova Mutum, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Para mais informações

    Relacionadas

    Pedro faz Gol, agrega 3 a 0, Flamengo avança para semifinal e Corinthians é eliminado

    O Flamengo está classificado para a semifinal da Libertadores. Mesmo não precisando vencer, o time voltou a bater o Corinthians na noite desta terça-feira (9) e dessa vez...

    Pai mata filho de 25 anos durante comemoração do Dia dos Pais

    Uma briga familiar neste domingo (14), data de comemoração do Dia dos Pais, terminou com a morte de um jovem no bairro Engenho Nogueira,...

    Chaves pix já superam o dobro do número de habitantes no Brasil

    O número de chaves Pix registradas chegou a 478,3 milhões em julho de 2022, ultrapassando o dobro do número da população do Brasil (214,9...

    Patrimônio de candidato ao Senado cresce 566% em 12 anos e chega a mais de R$ 14 milhões

    Entre 2010 e 2022, o patrimônio do candidato ao Senado nestas eleições, Antonio Galvan (PTB), cresceu 566%. O presidente licenciado da Aprosoja declarou à...

    Claudinei reitera cobrança por ações efetivas do Estado contra guerra de facções em MT

    A violência e o número de homicídios em Mato Grosso aumentaram em 2022. Por ter 20 anos no combate ao crime dentro da Polícia...

    Beneficiários com NIS final 3 recebem hoje Auxílio Brasil

    A Caixa Econômica Federal paga hoje (11) a parcela de agosto do Auxílio Brasil aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) final 3....

    Empresas poderão renegociar dívidas com até 70% de desconto

    A partir de 1º de setembro, os contribuintes com dívidas com a Receita Federal poderão renegociar os débitos com até 70% de desconto. A Receita Federal...

    Manobra de conversão provoca acidente e deixa dois motociclistas feridos

    Um acidente envolvendo duas motocicletas foi registrado na tarde deste sábado, no bairro Alfredo de Castro, em Rondonópolis. Duas pessoas, uma mulher e um...

    TCU entrega lista com 6.791 nomes inelegíveis por reprovação de contas

    O presidente em exercício do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Bruno Dantas, entregou hoje (10) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson...

    Especiais

    Últimas

    Editoriais

    Siga-nos

    Mais Lidas