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    ESPERANDO O CANGURU

    Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite

    Dia 19 de maio é o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, iniciativa para a proteção e promoção do aleitamento materno

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    Imagem: Maes emocionadas Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite
    Daniela e Camila, as personagens desta reportagem especial – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    Daniela e Camila são mães de bebês prematuros nascidos na Santa Casa de Rondonópolis. Eloá, a filha de Daniela, está com 1 mês e 15 dias. Luan, o bebê de Camila, está com 36 dias. A cada três horas elas precisam fazer a ordenha do leite materno. Quando a retirada não é suficiente para a amamentação dos filhos, a solução está no banco de leite. É ele que garante a superação de cada uma das etapas de um processo longo e difícil, que se inicia na UTI Neonatal, passando pelo leito semi-intensivo e, por último, o canguru, quando mãe e bebê finalmente podem passar mais tempo em contato direto, com o filho ao colo. As duas personagens desta reportagem especial seguem à espera dele, o canguru.

    Moradoras de Primavera do Leste, as duas estão “hospedadas” no quarto das mães, espaço preparado no hospital, e só assim conseguem cumprir à risca cada horário para a retirada do leite. “Quando vai dando três horas de intervalo, a gente já começa a ouvir o choro”, conta, sorrindo, Camila. Junto delas, outras dez mães estão alojadas há cerca de um mês na Santa Casa de Rondonópolis, e outras vem e vão, de acordo com a possibilidade de voltarem para a casa. Daniela é a mais veterana do grupo, entre internação e estadia, “mora” há dois meses e meio no hospital.

    Imagem: Mae de bebe 01 Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite
    Daniela “mora” há dois meses e meio na Santa Casa de Rondonópolis – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    As retiradas de leite são incertas. Às vezes 10ml, 20ml, 30ml ou até mais. Outras vezes o leite retirado é muito pouco, 3ml. Fatores como o cansaço, a distância de casa ou até mesmo a falta da comida preferida podem influenciar negativamente. A angústia pelas notícias e a ansiedade de ver o progresso no tratamento do filho também. Quando a cabeça não está 100%, o corpo sente. O leite simplesmente não sai. De madrugada até por volta das 6h da manhã, elas contam, é o período mais difícil. Aí recorrem ao banco de leite.

    Camila, por vezes, consegue uma boa retirada e passa de recebedora a doadora. Daniela nem tanto. Atualmente na Santa Casa, 13 bebês que ocupam as UTI Neonatal e os leitos semi-intensivos necessitam exclusivamente de leite materno. O ‘fórmula’, um leite de vaca “modificado”, não é indicado. Segundo a própria Santa Casa, o estoque no banco de leite não está ruim. Mas à medida em que a demanda cresce, tende a ficar mais baixo. No total, o hospital dispõe de 20 leitos de UTI, 10 leitos semi-intensivo e 5 leitos canguru. Dos 19 bebês acolhidos, entre Eloá e Luan, 6 apresentam peso abaixo do 1kg, outros 7 abaixo de 1,5kg e os demais não muito distantes destes números.

    A dor de uma…

    No quarto das mães da Santa Casa, a dor de uma é a de todas. As vitórias também. “Tem dias que a notícia para uma mãe é boa, para a outra nem tanto. Nessa hora a gente se acolhe, a gente divide. Até, neste processo, a gente se acostumou a não contar o tempo, não contar os dias. A gente conta é a conquista. Devagarzinho. Depois é do canguru direto pra casa”, diz Camila. “A gente não pode ficar ansiosa, até pra não prejudicar a ordenha. Mas o maior desejo é sair juntas com os nossos filhos nos braços”, diz. Luan está com 1,350 kg.

    Imagem: Mae de bebe Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite
    Camila: “A dor de uma é a dor de todas. A vitória, também” – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    Uma gotinha vale ouro

    Por isso, quanto mais doadoras para abastecer o estoque, melhor. “Uma gotinha vale ouro”, diz Daniela. Eloá nasceu com 770g e vem, aos poucos, ganhando peso. Veio ao mundo com 28 semanas e 6 dias. “Minha história mudou quando vim para a Santa Casa, aqui em Rondonópolis. Eu fazia acompanhamento médico, estava tudo certo, até que, de repente, minha filha quis adiantar o nascimento. Ainda em Primavera, me disseram que ela não teria chances de sobreviver. Foi aí que vim parar aqui e esta equipe mostrou que, sim, era possível. Fiquei mais um mês internada, enquanto iam preparando melhor a gestação, até que, enfim, minha filha veio”, conta.

    Quando o leite é recebido pela Santa Casa, passa por um processo de pasteurização. Somente em casos específicos, a beira-leito, é passado da mãe diretamente para o bebê. Um frasco de leite materno pode ajudar a alimentar até dez bebês. Para as mães internadas, as equipes do hospital dispõem de uma espécie de treinamento, que inclui massagem para uma melhor ordenha.

    Imagem: Mae de bebe na Santa Casa Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite
    Daniela e Camila – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    Seja doadora

    Quanto mais leite para abastecer o estoque do banco de leite da Santa Casa, melhor. Por isso, o hospital dispõe de um cadastro de mães que queiram fazer sua doação. O canal via telefone é o número 3410-2785, ou pelas redes sociais ‘banco de leite humano’ no Facebook e ‘@bancodeleitehumano_roo’ no Instagram. Ao se cadastrar, a mãe que amamenta em casa recebe uma visita de uma equipe do hospital, que a orienta e entrega o kit de coleta. Uma semana depois, em dia combinado, passa para recolher o material. “Aqui no hospital também fazemos a coleta, mas o mais indicado é esta visita à casa, até porque são mães que acabaram de dar à luz e tem toda a dificuldade na locomoção. É importante também a orientação para a coleta, para preservar este leite materno. O armazenamento precisa ser feito e um recipiente adequado, de vidro e com tampa de plástico, bem esterilizado e num tamanho adequado. Infelizmente, por vezes recebemos doações fora dos padrões e o leite simplesmente não pode ser aproveitado”, conta a farmacêutica e responsável técnica pelo banco de leite da Santa Casa, Karen Mayara.

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    Karen Mayara, farmecêutica responsável pelo banco de leite da Santa Casa de Rondonópolis – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    Da inciativa privada, empresas como o Queimão Baby, no centro de Rondonópolis, tem buscado ajudar. A loja se dedicou neste mês a ser um espaço para o recebimento de frascos vazios, dentro dos padrões estabelecidos, para posterior coleta de leite materno. Além disso, oferece orientações às mães que querem se tornar doadoras ao banco de leite. A empresa não faz a coleta nem armazena o leite. O objetivo é conseguir frascos adequados para enriquecer o estoque do banco de leite. A loja atende de 0 a 8 anos de idade e a cada mês dá início a uma campanha junto aos clientes e parceiros. O endereço é Rua Fernando Corrêa, nº 808, Centro, em frente à antiga rodoviária. O telefone é 66 99978-2437 ou 3022-0431.

    Imagem: Enfermeira Responsavel com as maes Acolhidas na Santa Casa, mães de bebês prematuros contam experiências e lembram importância do banco de leite
    Personagens desta reportagem especial – Foto: Varlei Cordova / AGORA MT

    Dia Mundial

    O Dia Mundial de Doação de Leite Humano, celebrado nesta quinta-feira (19), é uma iniciativa para a proteção e promoção do aleitamento materno. A data também chama a atenção da sociedade para a importância da doação de leite para os Bancos de Leite Humano (BLH).

    O BLH é um serviço especializado em oferecer ações de apoio, proteção e promoção do aleitamento materno, dedicando-se à assistência das mães e dos bebês durante o processo de amamentação. Além disso, executa atividades de coleta, seleção, classificação, processamento, controle de qualidade e distribuição do leite materno doado voluntariamente por mães.

    Os bebês prematuros, considerando a sua condição de saúde e de internação, têm dificuldades de sugar o leite materno. Por isso, o leite humano do banco de leite é a melhor opção para alimentação de crianças internadas que, por algum motivo, não podem ser amamentadas diretamente no seio materno. A doação de leite materno pode ser feita por mães saudáveis que estejam amamentando seus filhos.

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