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    Cadê o Estado que era para estar aqui?

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    Imagem: AGORA com Vanzeli Cadê o Estado que era para estar aqui?

    Era o ano de 1895. No interior da Bahia, surgia um beato profetizando o fim do mundo. Antônio Conselheiro, como era conhecido, ergueu-se contra a recém proclama República, afirmando que Jesus Cristo e Dom Sebastião viriam juntos do céu para restaurar o Império no Brasil. Para ele, República era coisa do “cão”, já que eram os homens, por meio do voto, que escolhiam seus governantes o que feria, para ele, a autoridade que só Deus podia dar.

    Um discurso delirante como esse não poderia ter vingado. Mas vingou. Em dois anos, ele arregimentou perto de 5 mil famílias em Canudos, onde sequer fonte d’água existia. Aos sertanejos que não sentiam a presença do Estado senão para cobrar impostos aquilo fazia algum sentido e gerava esperança. O “pior que tá não fica”, de nosso deputado federal Tiririca (pois é!), cairia bem num lugar como aquele.

    Como lá, a ausência do Estado produz misticismo e violência nas favelas das grandes cidades, no Brasil profundo, nas fronteiras de nosso país com os vizinhos da América do Sul e no Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, que foi palco dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Aquela região do país não recebe atenção do aparato estatal. Ali, não chegam escolas, postos de saúde, estradas, pontes, luz elétrica e saneamento básico. Internet? Muito prazer!

    Tampouco recebem os habitantes dali cultura, esporte, assistência social. Bruno Pereira, quando servidor da FUNAI, fiscalizava as áreas indígenas da região a fim de impedir a pesca ilegal e predatória bem como os garimpos ilegais em terras demarcadas. A presença do Estado brasileiro lá, por meio de Bruno, era vista como “o inimigo”. Para eles, Bruno estava atrapalhando os negócios em claro, tinha que morrer.

    Com a ausência do Estado para garantir a lei e a ordem, o que reina é a “lei do mais forte”. O erro de Bruno (se é que foi um erro) foi desempenhar fielmente suas funções, sem se dar conta de que o mesmo Estado que ele representava não estava ali para protegê-lo de seus algozes. A Amazônia brasileira tem perto de 4,2 milhões de quilômetros quadrados. Isso é maior que Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai juntos! Nove estados brasileiros tem o bioma amazônico em seus territórios. E a sua população não é nada insignificante: 25 milhões de habitantes, incluindo aí perto de 1,6 milhão de indígenas. E, para toda essa gente, o Estado nada é senão repressão.

    Urge que olhemos para aquela região. É isso ou, infelizmente, novos Brunos e Dom’s surgirão. Chega de violência.

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