A recordação mais antiga que Adonis Pirágine guardava nem era dele mesmo. Mas as cartas trocadas por seus pais, ainda na época de namoro, eram como o ponto de partida para uma série de memórias catalogadas e cuidadosamente guardadas em pastas.

Dizer que Adonis era nostálgico é pouco. Ele mantinha cartas, bilhetes, documentos, propagandas do colégio da família, discursos feitos no passado. “Ele escrevia cartas à máquina, com papel carbono, e depois guardava as cópias”, conta o filho José Luiz.

Esse cuidado e dedicação não era empregado só nos objetos de recordação. Ele era assim também com seus 5.000 livros, guardados ordenadamente; e com as aulas que dava, que iam de português a taquigrafia na escola da família, a Academia Horácio Berlinck.

Jauense, Adonis se formou em contabilidade, seguindo os passos do pai, mas gostava mesmo era da sala de aula. Começou a ensinar aos 18 anos e mesmo quando assumiu a direção do colégio-cargo que ele ocupou por 32 anos-, era só um professor se ausentar para ele ocupar o seu lugar. Parou apenas em 1988, quando chegou a aposentadoria.

Longe do trabalho, se dedicou ainda mais à religião. Chegou a criar um grupo religioso para casais com a mulher, Gladys, promovia reuniões, palestras e cursos em várias cidades do interior. Foi o primeiro leigo a ser autorizado em Jau a conceder a hóstia durante as celebrações, recorda com orgulho o filho.

Morreu dia 28, aos 95 anos, devido à insuficiência cardíaca. Apenas quatro meses depois da mulher. Deixa sete filhos, 13 netos, dois bisnetos, dois irmãos e 17 sobrinhos.

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