
Os Estados Unidos apreenderam um navio petroleiro de bandeira russa que estava sendo escoltado por um submarino russo nesta quarta-feira (7), após uma perseguição de mais de duas semanas pelo Atlântico como parte de um “bloqueio” dos EUA às exportações de petróleo venezuelano, disseram duas autoridades norte-americanas à Reuters.
Essa parece ter sido a primeira vez na memória recente que os militares dos EUA apreenderam um navio de bandeira russa.
A operação foi realizada depois que o navio-tanque, originalmente conhecido como Bella-1, escapou de um bloqueio marítimo americano contra navios-tanque sancionados no Caribe e rejeitou os esforços da Guarda Costeira dos EUA para abordá-lo. O esforço de apreensão foi relatado pela primeira vez pela Reuters.
Em um post no X, o Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA disse que o governo Trump havia apreendido o navio por violar as sanções dos EUA.
“O bloqueio do petróleo venezuelano sancionado e ilícito continua em PLENO EFEITO — em qualquer lugar do mundo”, disse o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, em resposta a essa postagem.
As autoridades norte-americanas, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a operação desta quarta-feira perto da Islândia estava sendo realizada pela Guarda Costeira e pelas Forças Armadas dos EUA.
A Guarda Costeira não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
As autoridades disseram que embarcações militares russas estavam nas imediações da operação, incluindo um submarino russo.
Não ficou claro o quão perto as embarcações estavam da operação, mas não houve indícios de um confronto entre as forças militares dos EUA e da Rússia.
Não houve nenhum comentário imediato de Moscou. No entanto, o meio de comunicação estatal russo publicou uma imagem de um helicóptero pairando perto do navio.
Não está claro para onde o navio irá agora
A apreensão ocorreu poucos dias depois que as forças especiais dos EUA invadiram Caracas antes do amanhecer de sábado em um ataque para capturar o presidente Nicolás Maduro e levá-lo para os Estados Unidos.
Os militares dos EUA o entregaram às autoridades federais norte-americanas para que fosse processado por acusações de suposto tráfico de drogas.
Não ficou claro para onde exatamente o navio iria agora, mas fontes disseram que ele provavelmente estaria entrando em águas territoriais britânicas.
O Ministério da Defesa do Reino Unido não quis comentar.
A Guarda Costeira dos EUA tentou interceptar o navio pela primeira vez no mês passado, mas ele se recusou a ser abordado. Desde então, ele foi registrado com bandeira russa e passou a se chamar Marinera.
A embarcação é o mais recente navio-tanque visado pela Guarda Costeira dos EUA desde o início da campanha de pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela.
Separadamente, a Guarda Costeira dos EUA também interceptou outro navio-tanque ligado à Venezuela em águas latino-americanas, disseram autoridades norte-americanas à Reuters nesta quarta-feira, enquanto os EUA continuam a impor seu bloqueio a navios sancionados da Venezuela.
Fontes disseram à Reuters que o navio era o superpetroleiro M Sophia, de bandeira panamenha, que está sob sanções.
Ele havia partido das águas venezuelanas no início de janeiro como parte de uma frota de navios que transportavam petróleo venezuelano para a China em “modo escuro”, ou com o transponder desligado, de acordo com dados e fontes de navegação.
Trump de olho no petróleo venezuelano
As principais autoridades venezuelanas classificaram a captura de Maduro como um sequestro e acusaram os EUA de tentar roubar as vastas reservas de petróleo do país, estimadas como as maiores do mundo.
Por sua vez, Trump e as principais autoridades dos EUA acusaram a Venezuela de roubar o petróleo dos EUA, em uma aparente referência à nacionalização do setor de energia do país em várias ondas ao longo do último meio século.
A Venezuela tem milhões de barris de petróleo carregados em navios-tanque e em tanques de armazenamento que não consegue transportar devido ao bloqueio efetivo dos EUA às exportações imposto desde meados de dezembro.
Trump disse na terça-feira (6) que Caracas e Washington chegaram a um acordo para exportar até US$2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os Estados Unidos, o que desviaria os suprimentos da China e ajudaria a Venezuela a evitar cortes mais profundos na produção de petróleo.


