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Acidente entre dois trens deixa cerca de 40 mortos e dezenas de feridos

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Imagem: Acidente com trens na Espanha Acidente entre dois trens deixa cerca de 40 mortos e dezenas de feridos
Susana Vera/Reuters via CNN Newsource

Sobreviventes relembraram gritos assustadores e vagões manchados de sangue depois que dois trens de alta velocidade colidiram perto de Córdoba, no sul da Espanha, no final da noite deste domingo (18) – em um dos desastres ferroviários mais mortais do país em mais de uma década.

Pelo menos 40 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas depois que dois trens expressos descarrilaram perto da pequena cidade de Adamuz, cerca de 360 km ao sul de Madri. A colisão fez com que ambos os veículos tombassem, e os vagões frontais do segundo trem caíram por um barranco.

Um trem de alta velocidade que seguia para o norte, operado pela empresa privada Iryo, viajava de Málaga para Madri quando seus três vagões traseiros foram atingidos pelos vagões frontais do trem que seguia para o sul, operado pela estatal Renfe, que fazia o trajeto de Madri para Huelva.

Após visitar o local, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, prometeu na segunda-feira “chegar à verdade” sobre as causas do acidente. Ele anunciou três dias de luto.

“Vamos encontrar a resposta, e quando for conhecida, com total transparência e clareza, informaremos o público”, disse Sánchez em uma coletiva de imprensa em Adamuz, perto do local da colisão.

Sánchez – que cancelou sua ida ao Fórum Econômico Mundial em Davos, onde teria uma reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump – acrescentou que o governo espanhol protegeria e auxiliaria as vítimas “pelo tempo que fosse necessário”.

Uma sobrevivente, Rocío Flores, que estava no trem que seguia para o sul, disse: “Fomos lançados pelo ar. Graças a Deus estou bem; havia muita gente pior do que eu.”

O chefe do governo regional da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, disse na segunda-feira que 40 pessoas haviam morrido e 41 permaneciam hospitalizadas após o acidente.

Familiares e amigos dos passageiros se reuniram no Hospital Reina Sofia, em Córdoba, na segunda-feira, para saber mais sobre o estado de saúde de seus entes queridos.

Um homem chamado Prieto disse à CNN que foi ao hospital porque seu amigo, um médico militar que havia retornado recentemente de uma missão no Iraque, estava desaparecido após o acidente.

‘Tudo escureceu’

Logo após o acidente, alguns passageiros foram vistos saindo pelas janelas, enquanto outros escapavam pelo teto, segundo vídeo verificado pela CNN.

Uma mulher chamada Ana disse que o trem que seguia para o norte “virou para um lado… depois tudo escureceu, e tudo o que ouvi foram gritos”.

Com o rosto coberto por curativos, ela disse à Reuters que foi puxada para fora do trem, coberta de sangue, por outros passageiros que haviam escapado. Bombeiros resgataram sua irmã dos destroços, afirmou.

Ela disse que muitos passageiros estavam gravemente feridos. “Você os tinha bem na sua frente e sabia que iam morrer, e não podia fazer nada.”

O som dos telefones de passageiros tocando ecoava pelos destroços enquanto seus familiares tentavam contato, de acordo com um repórter freelancer na estação Atocha, em Madri.

“Muitas famílias estão aflitas, ansiosas, ligando para seus parentes”, disse o repórter local ao programa Today da BBC na segunda-feira. Equipes de emergência “conseguem ouvir os telefones… dentro dos trens”, afirmou ele. “Mas, claro, as pessoas não atendem.”

Nas ruas de Adamuz – uma pequena cidade de 4.200 habitantes – o clima era de silêncio, segundo um repórter da CNN no local. Mesas cheias de dezenas de cobertores no prédio municipal refletiam o espírito de solidariedade da comunidade.

“A cidade inteira se mobilizou para ajudar”, disse Mónica Navarro, moradora da cidade, à CNN. “Pessoas até vieram de cidades vizinhas como Montoro e Villafranca trazendo cobertores e todos os tipos de ajuda.”

Outra moradora, Rosa Molla, lembrou da colisão “horrível, horrível”. “Esperamos que consigam resgatar as pessoas que ainda estão presas”, disse Molla, dona de uma tabacaria.

Resgate dificultado por vagões ‘retorcidos’

O acidente é o pior nas ferrovias espanholas desde a tragédia da Galícia, em 2013, quando 79 pessoas morreram e 144 ficaram feridas após um trem colidir com um muro e pegar fogo perto de Santiago de Compostela.

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, disse que o acidente foi “extremamente incomum”, pois ocorreu em um trecho reto da via, recentemente renovado como parte de um projeto de investimento de €700 milhões, e o trem era relativamente novo.

“É realmente estranho. Todos os especialistas ferroviários que estiveram aqui hoje… e aqueles que consultamos estão extremamente perplexos com o acidente”, disse Puente ao canal Telecinco.

O presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, disse à rádio espanhola que era “cedo demais” para saber a causa da tragédia e pediu paciência.

Mas afirmou que os trens estavam abaixo do limite de velocidade estabelecido para aquele trecho e que o sistema de sinalização impede que ultrapassem o limite.

Fernández Heredia disse que o limite naquele ponto era 250 km/h. Um trem viajava a 205 km/h e o outro a 210 km/h.

O sindicato dos maquinistas, Semaf, já havia alertado anteriormente sobre vibrações causadas por altas velocidades e o consequente desgaste da linha de alta velocidade, disse uma fonte do sindicato à CNN.

Em agosto, o sindicato enviou uma carta à operadora nacional, Adif, pedindo redução da velocidade máxima de 300 km/h para 250 km/h em todas as linhas de alta velocidade, após alguns trechos apresentarem vibrações e estresse na infraestrutura.

A fonte não confirmou se os alertas eram específicos para a área onde ocorreu o acidente, mas disse que aquele trecho passou por manutenção em maio.

Jose Trigueros, presidente do Instituto de Engenharia da Espanha, disse à Reuters que era “muito prematuro” especular sobre a causa.

“A priori, todos os fatores tornariam isso impossível, e essa é a única realidade que temos”, disse Trigueros. “Ou o trem falhou, ou algum elemento da via não estava em perfeitas condições.”

O Rei e a Rainha da Espanha disseram estar acompanhando a situação “com grande preocupação”. “Estendemos nossas mais profundas condolências às famílias e amigos dos falecidos, assim como nossos votos de pronta recuperação aos feridos”, afirmaram.

Líderes mundiais também enviaram mensagens de solidariedade na segunda-feira.

“Meus pensamentos estão com as vítimas, suas famílias e todo o povo espanhol. A França está ao seu lado”, escreveu o presidente francês Emmanuel Macron no X.

A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, expressou suas “mais profundas condolências” aos familiares das vítimas. “A notícia da colisão de trens em Córdoba é devastadora”, escreveu ela no X.

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