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SINDICATOS NA BRIGA

Atraso na RGA preocupa servidores de Mato Grosso e pressiona o Governo do Estado por resposta

Negociações seguem em andamento, mas categoria cobra definição e data para assinatura do acordo que está prevista para sábado (17)

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Imagem: DKIV Atraso na RGA preocupa servidores de Mato Grosso e pressiona o Governo do Estado por resposta
Sintep-MT reage sobre pagamento da RGA aos servidores -Foto: Sintep-MT

A discussão sobre a Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos de Mato Grosso voltou ao centro das atenções após o governo do Estado reafirmar que estaria impedido de pagar passivos acumulados dos anos de 2020 e 2021. Enquanto isso, a categoria reclama da perda de poder de compra e da lentidão nas negociações.

Desde o fim das restrições impostas durante a pandemia, o Estado tem concedido a RGA nos meses de janeiro, conforme determina a lei, mas apenas para o ano corrente. A revisão dos anos anteriores, acumulada ao longo da última década, segue sem definição. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os servidores estaduais acumulam perdas equivalentes a 19,5% em seus salários, calculadas comparando a inflação com o que foi efetivamente pago pela gestão estadual.

Durante uma entrevista no dia 07 de janeiro, o Governador do Estado Mauro Mendes (União), tem sustentado que, por força da Lei Federal nº 173/2020, não seria possível conceder revisões salariais referentes a 2020 e 2021 além de que, “vai pagar a RGA dos servidores conforme a capacidade financeira do estado”. A fala veio após decisão do STF que desvinculou o cálculo da Revisão Geral Anual dos servidores ao INPC. A norma, criada durante a pandemia, realmente restringiu aumentos naquele período, e o Supremo já declarou sua constitucionalidade. O governo também afirma que os anos de 2017 e 2018 tiveram a RGA integralmente paga, e que desde 2022 a recomposição voltou a ser concedida normalmente.

No entanto, a sanção da Lei Complementar nº 226/2026, publicada na última terça-feira (13), trouxe novo argumento à discussão. A lei autoriza estados a pagarem retroativamente benefícios e reajustes suspensos na pandemia, desde que haja disponibilidade orçamentária. Para sindicatos como a FESSP-MT e SINTEP-MT, isso torna a tese oficial de impedimento legal “insustentável”.

Para as lideranças sindicais, a narrativa do governo de que não pode pagar o passivo da RGA é, no mínimo, insuficiente. “É completamente sem sentido e desrespeitoso”, afirmou o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), referindo-se ao argumento oficial. Segundo ele, os números mostram claramente que “há defasagem salarial real de 19,52% acumulados e que isso não deve ser ignorado com base apenas em lei antiga, já atualizada pela LC 226”, concluiu o parlamentar.

A presidente da FESSP-MT, Carmem Machado, vai além ao classificar a postura do Executivo como um uso deliberado de argumentos jurídicos para justificar um atraso político. “A nova legislação impede qualquer tentativa de usar a norma da pandemia como obstáculo. Mato Grosso está com os cofres abarrotados, com excesso de arrecadação. Não existe impedimento jurídico”, afirmou.

Imagem: RGA Atraso na RGA preocupa servidores de Mato Grosso e pressiona o Governo do Estado por resposta
Servidores do estado cobram o débito do governo com a RGA – Foto: Sintep-MT

Esse impasse se reflete também no calendário legislativo. Na quarta-feira (14), estava prevista uma sessão extraordinária na Assembleia Legislativa para votar o projeto da RGA de 2026, que propõe 4,26% de reajuste, o equivalente à inflação. Contudo, a sessão foi cancelada devido à ausência do projeto por parte do governo, alimentando ainda mais a sensação de atraso e falta de prioridade com o funcionalismo.

Enquanto isso, servidores afirmam que o Estado tem repetido discursos de responsabilidade fiscal seletiva, que é rigorosa quando se trata de salários, mas flexível quando se trata de obras, incentivos ou projetos de maior visibilidade política.

O embate ganha contornos ainda mais tensos em ano pré-eleitoral, quando a opinião pública e o calendário político passam a influenciar diretamente decisões administrativas. Para muitos servidores e parlamentares da oposição, a resolução da RGA deixada em aberto pode se tornar um dos temas centrais na pauta de discussão pública nos próximos meses.

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